Itália recorda vítimas da Covid-19 e a misericórdia de Deus neste 18 de março - Vatican News via Acervo Católico

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Itália recorda vítimas da Covid-19 e a misericórdia de Deus neste 18 de março - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O Dia Nacional em Memória às Vítimas da Covid-19 prevê bandeiras a meio mastro nos prédios públicos e homenagens na Itália, primeiro país ocidental a detectar o foco em 20 de fevereiro de 2020, que viu cerca de 45% da população infectada pelo vírus. Só no Brasil, o coronavírus já matou mais de 715 mil pessoas. "Ainda carrego cicatrizes e perguntas sem resposta. Mas também que há um Pai que não deixa ninguém para trás", afirma diácono italiano.

Andressa Collet - Vatican News A Itália presta homenagem às vítimas da pandemia de coronavírus nesta quarta-feira, 18 de março, seis anos após a data marcada por imagens que percorreram o mundo, mostrando caminhões militares que, em Bergamo, ao norte do país, transportavam caixões para fora da cidade. O Dia Nacional em Memória às Vítimas da Covid-19, instituído em 2021, prevê bandeiras a meio mastro nos prédios públicos e homenagens em toda a Itália, primeiro país ocidental a detectar o foco em 20 de fevereiro de 2020, que viu cerca de 45% da população infectada pelo vírus. O coronavírus já matou mais de 715 mil pessoas só no Brasil, considerado o segundo país em número de vítimas após os Estados Unidos, segundo o painel da Organização Mundial de Saúde sobre o Coronavírus (Covid-19) atualizado diariamente. "Muitas mortes, poucas curas" e a misericórdia de Deus Para não esquecer o luto, a oração, o renascimento e a ação conjunta para superar essa crise sanitária mundial, a Igreja na Itália propõe o testemunho de Biagio Picone, diácono e diretor do Departamento Diocesano da Pastoral da Saúde da Diocese de Urbino – Urbania – Sant’Angelo in Vado, traduzido na íntegra: "No último dia 11 de fevereiro, Dia Mundial do Enfermo, percorri os corredores do hospital de Urbino ao lado do arcebispo. Chegando à Unidade de Terapia Intensiva, entre máquinas que respiram no lugar do homem e silêncios carregados de expectativa, o bispo perguntou ao chefe do departamento: 'alguma vez o senhor teve que decidir quem tratar?'. Aquela pergunta separou o tempo e os meus olhos se encheram repentinamente de lágrimas. De repente, eu me vi em março de 2020, no meio da tempestade. No dia 6 de março, recebi uma ligação: 'precisamos de você. Amanhã na UTI'. Eu tinha acabado de mudar de setor. Motivo: Covid. Eu me senti como um soldado chamado de volta pra batalha. A partir do dia seguinte, minha vida mudou. Em casa, vivia separado dos meus entes queridos: quartos diferentes, distâncias necessárias, medo de ser um perigo para quem amava. No hospital, por outro lado, era uma guerra de verdade. O primeiro paciente era de Pesaro. Um quarto pequeno, sufocante. Passei com ele uma tarde inteira, agarrados às palavras como a uma jangada. À noite, ele morreu. E, a partir daquele momento, foi como uma onda irreversível. Internações contínuas, pacientes transferidos para todos os lados, rostos cobertos por máscaras e viseiras, olhos que falavam mais do que as bocas. Lembro-me das mãos estendidas em busca de conforto. Mas, acima de tudo, lembro-me dos olhares: cheios de medo, de lágrimas, de perguntas. Olhos que se fechavam por causa da sedação e que, muitas vezes, não se reabriam mais. Muitas mortes, poucas curas. Um peso que penetrava sob a pele. Eu era diácono há poucos meses. A fé foi atravessada pela dúvida. Eu me perguntava onde estava Deus naquelas salas sem abraços, para onde iam aquelas almas arrancadas daquele jeito. Eu abençoava a todos, quase às escondidas, como se aquele gesto pudesse arrancar alguém da noite. Mas me sentia pequeno, impotente. Uma noite, exausto, no silêncio após mais um turno, algo se acendeu dentro de mim: 'transforma seu trabalho em oração. Transforma-se você mesmo em uma oração'. A realidade não mudou imediatamente. As mortes continuaram, a dor não cessou. Mas o meu coração mudou. Compreendi que a misericórdia de Deus não se mede pelo número de sobreviventes, mas pela Sua presença fiel ao lado de cada respiração. Ainda carrego cicatrizes e perguntas sem resposta. Mas também carrego uma certeza: diante da minha fragilidade, há um Pai que não deixa ninguém para trás. E dentro de cada noite vivida na UTI, mesmo a mais escura, arde uma luz que a morte não conseguiu apagar."

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