“A Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV propõe que os jovens não sejam expectadores passivos do mundo digital, mas protagonistas conscientes, o que implica o desenvolvimento de habilidades de discernimento diante de algoritmos, redes sociais, sistemas de inteligência artificial (IA), e evitar dependência excessiva e manipulação”, é convicção de Alice Albertina Nhamposse, Directora da Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Extensão de Maputo, em declarações aos media do Vaticano.
P.
Bernardo Suate – Cidade do Vaticano Alice Nhamposse quis partilhar a sua leitura da Encíclica do Papa Leão, e sobretudo o impacto do documento nos jovens de hoje: “comecei por ver o efeito da MH nos jovens de hoje, e em particular a importância da convivência crítica com a tecnologia de que o Papa nos fala”, sublinha Alice aos microfones da Rádio Vaticano.
Nhamposse quis ler a Encíclica enquanto educadora, e olhando para a questão dos jovens e o impacto que neles pode trazer o documento.
Antes de tudo, o convite do Papa ao discernimento e à convivência crítica com as tecnologias digitais, evitando a excessiva dependência e a manipulação, numa situação em que muitos jovens, sobretudo em Moçambique, “não fizeram o percurso geral dos meios de comunicação e a IA os encontra de surpresa”, reconhece a Directora.
Máquinas podem ajudar mas não substituem o humano Na MH o Papa destaca a importância da formação ética e humanística, prossegue Alice, reiterando que as máquinas podem, sim, ajudar mas não substituem o humano naquilo quel lhe é particular, ou seja, amar, escutar, escolher o bem – “o documento incentiva a valorização da empatia, da solidariedade e das relações verdadeiras”, enfatiza Alice, ao contrário do que se verifica muitas vezes, como nas redes sociais, onde relações verdadeiras de proximidade e amizade se vão diluindo para serem substituídas pelas passageiras - “é disto que os educadores devem chamar à atenção aos jovens, para que haja relações duradouras, cimentadas em questões éticas e humanas”, afirma a Docente universitária.
Promover momentos de debate e reflexão sobre a dignidade humana Outro desafio que a MH do Papa Leão lança aos jovens, sobretudo numa época em que predominam falsidades e fake news, é a promoção de momentos de debate e refleXão sobre a dignidade humana, a identidade, liberdade e responsabilidade no uso dos meios digitais, tema que Nhamposse liga ao da “cidadania digital responsável”, para transformar a esfera digital em espaço de esperança e cuidado, cultivando uma cultura de fraternidade, verdade e respeito recíproco: “nós, como educadores, deveríamos ter em conta esta chamada de atenção e acolhermos os jovens para lhes fazer perceber esta realidade do respeito mútuo”, sugere ela.
Para Alice Nhamposse, a Magnifica Humanitas pode também servir como referência para programas educativos e pastorais, de modo a ensinar aos jovens a ética digital e a participação comunitária, e ajudá-los a perceber a valorização do capital humano, pois é fundamental voltar a incentivar, hoje, o valor da Comunidade, aspecto que se vai também perdendo enquanto “prevalece o EU de cada um/a (com o seu telefone)”.
Contra o individualismo e a exclusão, justiça social e solidariedade Do mesmo modo, reitera a Prof.
Nhamposse, a Encíclica do Papa desafia a cultura do individualismo e da exclusão, e impulsiona iniciativas comunitárias que promovam justiça social, solidariedade e desenvolvimento integral, aspecto particularmente relevante em particular nas regiões de Moçambique afectadas por desigualdades e transformações digitais mais rápidas. “Recuperar a questão da identidade, do sentido de pertença a este lugar, a este meu povo que precisa de se desenvolver, é de capital importância”, observa Alice Nhamposse, para quem papel fundamental da educação é “ajudar os jovens moçambicanos a participar na reconstrução de laços sociais, preservando a diversidade cultural, o diálogo inter-geracional e práticas que fortaleçam a coesão social”. [ Photo Embed: Alice A.
Nhamposse com alguns Docentes da UCM - Extensão de Maputo] Construindo uma cidadania inclusiva e participativa Enfim, para os jovens moçambicanos mas também para os educadores, a MH representa uma oportunidade de integrar fé, cultura e tecnologia, construindo uma cidadania mais inclusiva e participativa, e estimula uma leitura crítica do presente digital, incentivando a escolhas que preservam a dignidade, a liberdade e vocação geral ao bem comum”.
Por último, e no tocante a migração digital e ao mundo da IA, entre os jovens, em Moçambique, Alice afirma que muitos dos jovens são hábeis no uso das tecnologias embora isso nem sempre corresponda ao poder de aquisição das mesmas.
Portanto, “o jovem não consegue adquirir as novas tecnologias digitais que, entretanto, utiliza com grande habilidade”, concluiu dizendo a Reitora. [ Audio Embed Oiça aqui a entrevista com Dr.
Alice A.
Nhamposse, e partilhe]