Leão XIV: é preciso maior responsabilidade ecológica para um futuro melhor - Vatican News via Acervo Católico

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Leão XIV: é preciso maior responsabilidade ecológica para um futuro melhor - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

“Dar continuidade à obra solidária e de conscientização no cuidado com a criação, por meio de projetos voltados à busca de um desenvolvimento sustentável”. Este é o convite do Papa Leão aos participantes do XVII Fórum Internacional da Greenaccord sobre o tema “Construindo o Futuro Juntos – Uma nova humanidade com sede de futuro”, realizado nestes dias em Treviso, norte da Itália.

Marina Tomarro – Vatican News “A responsabilidade ecológica não se esgota em dados técnicos. Eles são necessários, mas não suficientes. É preciso uma educação que envolva a mente, o coração e as mãos. Novos hábitos, estilos comunitários, práticas virtuosas.” Assim o Papa Leão XIV, em um telegrama assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, dirige-se aos participantes do Fórum Internacional da Greenaccord, citando sua carta apostólica Traçar novos mapas de esperança, de outubro de 2025. “Ao enfrentar juntos as crises atuais – escreve o Pontífice – é possível favorecer um ambiente social respeitoso e inclusivo, garantindo um futuro melhor para as novas gerações.” Parolin: atravessar o limiar para proteger a Criação No encontro, que se realiza nestes dias em Treviso, norte da Itália, participa também o cardeal Beniamino Stella, prefeito emérito da então Congregação para o Clero, que lê uma intervenção do cardeal Parolin sobre os 800 anos do Cântico das Criaturas e o oitocentésimo aniversário do Trânsito de Francisco de Assis. “Se construir o futuro juntos é o nosso horizonte declarado – explica Parolin, citando o tema do Fórum – isso exige, antes de tudo, ‘atravessar o limiar’ e ‘entrar em uma casa nova’: condições sem as quais a proteção da criação corre o risco de oscilar entre a ideologização e o tecnicismo, entre a ênfase emocional e a frieza procedimental, entre a retórica edificante e uma gestão sem alma.” Recordando o oitavo centenário do Cântico das Criaturas, o cardeal destaca que esta data não deve ser apenas um aniversário a ser arquivado na memória, mas uma ocasião propícia para reencontrar um logos, uma palavra capaz de gerar inclusão e comunhão. “O Cântico não transmite apenas um sentimento da natureza – escreve o secretário de Estado – ele oferece palavras humanas que dão vida a uma postura espiritual e intelectual que, ao afastar o humano de uma possível autoafirmação proprietária e predatória, o coloca em uma vocação permanente de cuidado.” A experiência franciscana e a inteligência integral O cardeal Parolin ressalta que chamar de “irmão” e “irmã” aquilo que não se possui é um ato de altíssimo “cuidado”, pois significa reconhecer que a realidade é, antes de tudo, relação e que o ser, antes de ser um recurso a ser explorado e consumido, é um dom a ser reconhecido e acolhido. “Daí – evidenciou o cardeal – nasce a dimensão autenticamente filosófica do franciscanismo.” Entre os temas abordados não poderia faltar a inteligência artificial, vista como um teste da nossa maturidade antropológica. Mais uma vez, Parolin recorre à experiência franciscana, que aponta para uma inteligência integral. “Não um corretivo buscado às pressas depois – explica – mas uma orientação capaz de influenciar o antes, as escolhas de projeto, os modelos de governança, a transparência, a rastreabilidade das decisões e a responsabilidade efetiva de quem dispõe dos instrumentos e dos dados.” O Cântico de Francisco como “diplomacia das culturas” Chegando ao núcleo do Cântico, Parolin destaca como ele se revela uma espiritualidade do diálogo e, portanto, uma “diplomacia das culturas” no sentido mais elevado. Isso porque o grande desafio do nosso tempo não é apenas a pressão sobre os ecossistemas, mas também a perda de confiança entre povos, gerações e comunidades. “A colaboração comum – explica no texto lido pelo cardeal Stella – não é o ‘paternalismo dos satisfeitos’: é a interconexão onde ninguém se salva sozinho. O conhecimento recíproco não é ‘espionagem’ nem ‘voyeurismo’: é método e critério, pois desativa estereótipos a serviço da superioridade identitária e impede que a diversidade se transforme em um campo de conflito permanente.” Cuidar e construir a paz e a justiça O logos do Cântico também quer expressar que a paz com a terra e a paz entre os seres humanos são um único compromisso. “Onde a criação é ferida, a sociedade se fragmenta; onde a dignidade é humilhada, a natureza se torna presa; onde a relação é corrompida, a técnica se transforma em um poder que separa.” É justamente a palavra “cuidar” que o Ano Jubilar Franciscano, o Cântico e este Fórum nos confiam. Cuidar da criação como ato de justiça; cuidar do outro em sua dignidade inalienável; cuidar da ciência para que permaneça sabedoria; cuidar da técnica para que permaneça instrumento; cuidar do futuro como aliança entre gerações. “Se o Trânsito do Santo de Assis nos recorda que a vida humana alcança sua plenitude quando é doada – conclui Parolin – e se o Cântico nos ensina a nomear o mundo como fraternidade e não como propriedade ou presa, então ‘construir o futuro juntos’ nunca poderá ser apenas um objetivo operacional confiado ao fazer: deverá tornar-se um estilo da alma e das instituições, uma diplomacia da paz que começa na linguagem, se prova na colaboração e se verifica na proteção dos mais frágeis.”

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