Antes da Audiência Geral desta quarta-feira (25/03), o Papa recebeu uma delegação do Programa para as Relações Cristãs-Muçulmanas na África, o PROCMURA, agradecendo pelo trabalho contínuo pela construção da fraternidade entre seguidores de outras religiões, como "testemunhas da esperança". "Em um mundo cada vez mais marcado pela radicalização religiosa, pela divisão e pelo conflito", a organização mostra que "é possível viver e trabalhar juntos em paz e harmonia, apesar das diferenças".
Andressa Collet - Vatican News Nesta quarta-feira (25/03), dia de Audiência Geral na Praça São Pedro, o Papa recebeu em audiência uma delegação do Programa para as Relações Cristãs-Muçulmanas na África, o PROCMURA, considerada a única organização cristã pan-africana com foco específico no tema em prol da paz e da convivência pacífica com mais de 65 anos de atividades em 20 países de ambientes religiosamente pluralistas. O programa conta com católicos na base e reúne membros das Igrejas protestantes, anglicanas, ortodoxas, evangélicas e independentes africanas. Leia a íntegra da saudação do Papa A saudação do Papa Leão XIV No escritório da Sala Paulo VI, o Papa deu as boas-vindas ao grupo, expressando apreço pelo empenho do PROCMURA, com sede no Quênia, em promover a fraternidade entre cristãos e muçulmanos. O agradecimento do Pontífice também foi dirigido ao Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, que trabalha em "diálogo contínuo" com a organização africana, e que permite à Igreja Católica "avançar no diálogo com os seguidores de outras religiões e promover a paz", e a não rejeitar "nada do que há de verdadeiro e santo nessas religiões". Um apelo, então, "à compreensão mútua e ao respeito" de todos para percorrer um caminho rumo à unidade, como tem feito o PROCMURA, "guiados pelo amor de Cristo" e com os "corações abertos ao encontro e ao diálogo": "Através desses esforços, paz, justiça e esperança florescerão cada vez mais nas sociedades africanas e além. Confio igualmente que esses encontros darão frutos através da partilha de iniciativas de base para promover a amizade social, o reforço das parcerias e um discernimento comum das áreas que requerem ação urgente." O Papa, então, ao final da saudação, recordou o que disse aos líderes e representantes das religiões mundiais em discurso pelos 60 anos de promulgação da Declaração Conciliar "Nostra Aetate", em outubro de 2025. Reforçou sobre "a grande responsabilidade" de ajudar as pessoas a se libertarem "das correntes do preconceito, da raiva e do ódio", ajudando a superar o egoísmo e o egocentrismo, a vencer a ganância que destrói tanto o espírito humano como a terra. Dessa forma, "podemos conduzir os nossos povos a tornarem-se profetas do nosso tempo – vozes que denunciam a violência e a injustiça, curam a divisão e proclamam a paz a todos os nossos irmãos e irmãs", sobretudo diante dos desafios contemporâneos: "Em um mundo cada vez mais marcado pela radicalização religiosa, divisão e conflito, o testemunho comum de vocês mostra que é possível viver e trabalhar juntos em paz e harmonia, apesar das diferenças culturais e religiosas."