Para os libaneses, esta primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV - que se inicia este domingo, 30 de novembro, e prosseguirá até terça-feira, 2 de dezembro - tem um significado enorme. O pequeno país de 10.452 quilômetros quadrados, sujeito a tempestades constantes e a uma "hemorragia humana" devido à emigração, mantém um papel histórico, cultural, literário, artístico e social peculiar no Oriente Médio e na bacia do Mediterrâneo
Vatican News Como havia aguardado João Paulo II em 1997 e Bento XVI em 2012, o País dos Cedros agora se alegra com a chegada do Papa Leão XIV, este domingo, 30 de novembro, para sua primeira visita apostólica como Pontífice, após a primeira etapa na Turquia, com uma peregrinação a Iznik por ocasião do 1700º aniversário do Primeiro Concílio de Niceia. O Sucessor de Pedro era aguardado desde 2021, quando o Papa Francisco, respondendo a uma pergunta de Imad Abdul Karim Atrach da Sky News Arabia, revelou sua promessa ao patriarca Maronita Bechara Boutros Raï de visitar o Líbano. Cinco meses após o início de seu Pontificado, o Papa Leão aceitou o convite que lhe foi feito pelo presidente libanês Joseph Aoun durante a audiência de 13 de junho de 2025 e chega agora ao país em um momento crucial. Uma visita aguardada com alegria e entusiasmo Assim que a notícia da visita papal se espalhou, ela foi acolhida com alegria e entusiasmo, como um sinal da proximidade do Pontífice com toda a nação neste momento crucial de sua história. Para os libaneses, esta primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV tem um significado enorme. O pequeno país de 10.452 quilômetros quadrados, sujeito a tempestades constantes e a uma "hemorragia humana" devido à emigração, mantém um papel histórico, cultural, literário, artístico e social peculiar no Oriente Médio e na bacia do Mediterrâneo. Um caleidoscópio de convivência diversa, com seus componentes cristãos e muçulmanos, continua, com todos os seus problemas e falhas, a representar um "modelo único de convivência", "único e indispensável para a região e para o mundo inteiro", disse o presidente da República libanesa em seu discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, acrescentando que "salvar" o Líbano "é um dever fundamental da humanidade". Esperado apoio de Leão XIV nesta fase de “despertar libanês” “O Líbano é uma mensagem. O Líbano sofre, o Líbano é mais do que um equilíbrio, tem a fragilidade da diversidade, algumas ainda irreconciliáveis, mas tem a força de um grande povo reconciliado, como a força dos cedros Mas o Líbano está em crise neste momento, mas em crise – não quero ofender – em crise de vida”, disse o Papa Francisco no voo de retorno da sua viagem ao Iraque. É o sofrimento enfrentado com esta crise existencial que muitos libaneses esperam partilhar com o Papa Leão XIV, procurando o seu apoio nesta fase de “despertar libanês” com o presidente Joseph Aoun, que promete construir um país eficiente, afirmando que “para o salvar, precisamos simplesmente de nos comprometer com determinação, com palavras e ações, a libertá-lo da ocupação e garantir a soberania exclusiva do Estado libanês sobre todo o seu território, exclusivamente através das suas forças armadas legais e legítimas.” Visita do Papa se dá num momento de exaustão coletiva “O Líbano está num semáforo: ou se caminha rumo a um país que promova a cidadania e a boa governança, ou fica presos num impasse mortal. Os cristãos no Líbano não são minoria, e o Líbano ainda é um oásis de liberdade de expressão”, disse o padre Raphael Zgheib, professor da Universidade São José em Beirute e membro do grupo ecumênico de reflexão “Escolhemos a Vida”, à agência missionária Fides. “Para os libaneses, a visita do Papa se dá num momento de exaustão coletiva. O Líbano está tentando emergir do abismo. É preciso renovar o convite de João Paulo II 'a esta terra para empreender um itinerário de oração, penitência e conversão' que permita aos cristãos libaneses 'questionarem-se, diante do Senhor, sobre sua fidelidade ao Evangelho e seu compromisso efetivo em seguir a Cristo', como está escrito em sua exortação apostólica 'Uma Nova Esperança para o Líbano'. Para 'edificar juntos o Corpo de Cristo com um verdadeiro espírito eclesial'.” (com Fides)