Líbano, o "país-mensagem" que Leão XIV visita - Vatican News via Acervo Católico

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Líbano, o "país-mensagem" que Leão XIV visita - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

"O Líbano é mais do que um país, é uma mensagem", disse João Paulo II, em razão da riqueza das comunidades que o compõe. Durante sua visita, em 1977, ele recordou a vocação histórica do Líbano como terra de encontro, diálogo e colaboração entre diversas comunidades religiosas e culturais. Reiterou que o Líbano não poderia ser abandonado, não apenas pelo sofrimento de seu povo, mas também pelo valor universal de seu patrimônio espiritual e cultural.

Vatican News O Líbano tem uma população entre 5,8 e 6 de milhões de habitantes (com base em dados de 2024 e estimativas mais recentes), distribuída em uma área de 10.452 km². O país é considerado muito povoado devido à sua pequena extensão territorial, com uma densidade de cerca de 555,6 habitantes por km². A maioria da população é urbana e concentrada ao longo do litoral mediterrâneo, com a capital, Beirute, abrigando uma grande parte dos habitantes. Apesar de ter uma taxa de natalidade positiva, o país enfrenta uma alta taxa de emigração, ao mesmo tempo que recebe um grande número de refugiados. Historicamente, muitos libaneses emigraram, especialmente para o Brasil e a Argentina, criando uma diáspora significativa. Estima-se que existam mais pessoas de ascendência libanesa fora do Líbano do que dentro do país.  História   A antiga pátria dos fenícios, que se estabeleceram no território da cadeia de montanhas que lhe deu o nome, Líbano (do aramaico laban, "branco", em referência aos seus picos nevados), tem sido, durante séculos, uma encruzilhada de civilizações, povos e religiões, particularmente entre o cristianismo e o islamismo, levado pelos árabes no século VII. Ao longo da sua história, tendo servido de refúgio para minorias ameaçadas ou perseguidas no Médio Oriente, esta pequena nação com vista para o Mediterrâneo oriental é um mosaico de comunidades étnicas e religiosas, das quais o Estado reconhece oficialmente 18 denominações.. Anexado ao Império Otomano no século XVI, após a Primeira Guerra Mundial, o Líbano tornou-se um Mandato Francês, juntamente com a Síria, conquistando a independência em 1943. Foi durante o domínio francês que foram lançadas as bases do singular sistema político e religioso do Líbano, que continua a reger a vida política e social do país até hoje, mais de um século após o nascimento do "Grande Líbano" em 1920. Desde o início, a República Libanesa foi, de fato, uma democracia baseada numa rígida distribuição de cargos e poder, fundamentada no peso demográfico de cada grupo religioso, num contexto em que os cristãos eram então maioria. Esse sistema permaneceu em vigor mesmo após a independência, quando entrou em vigor o chamado "Pacto Nacional" (1943), um acordo verbal entre cristãos e muçulmanos segundo o qual o cargo de presidente seria confiado a um cristão maronita, o de primeiro-ministro a um muçulmano sunita e o de presidente da Câmara dos Deputados a um muçulmano xiita. A história do Líbano após a independência foi caracterizada por períodos alternados de estabilidade política e prosperidade econômica, e crises internas, ligadas às limitações do sistema político-religioso, mas sobretudo aos conflitos do pós-Segunda Guerra Mundial no Oriente Médio, a começar pelo conflito árabe-israelense, que levou ao fluxo maciço de refugiados palestinos que se estabeleceram no País dos Cedros após a criação do Estado de Israel (1948). A forte presença de refugiados palestinos e militantes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que fizeram do Líbano sua base de operações a partir do início da década de 1970, esteve na raiz das crescentes tensões que culminaram na Guerra Civil Libanesa de 1975 (1975-1990), que causou aproximadamente 150.000 mortes e deixou uma profunda cicatriz na memória coletiva. Mais do que uma "guerra civil", como é comumente definida, foi uma sucessão de conflitos sobrepostos entre numerosos contendores nacionais e regionais (Síria, Israel e Irã), com frequentes inversões de alianças e o surgimento de novas forças políticas, notadamente o Hezbollah xiita (pró-iraniano), uma milícia formada após a invasão israelense do Líbano (1982). O conflito terminou em 1990, após a assinatura, em 22 de outubro de 1989, em Taif, Arábia Saudita, do "Documento de Entendimento Nacional" (Acordos de Ta'if). Este acordo, além do desarmamento de todas as milícias libanesas e da retirada das tropas sírias em dois anos, também previa o reequilíbrio da balança de poder estabelecida pelo Pacto Nacional de 1943, por meio de uma divisão igualitária de assentos entre cristãos e muçulmanos e da redução das prerrogativas do Presidente da República (cristão maronita) em favor do Primeiro-Ministro (muçulmano sunita). Os Acordos foram seguidos pela assinatura, em 1991, de um Tratado de Fraternidade, Cooperação e Coordenação entre o Líbano e a Síria, que legitimou a presença síria no Líbano como "garantidora" da paz. Embora os Acordos de Ta'if tenham ajudado a pôr fim aos combates e a iniciar a reconstrução do país, não resolveram as questões subjacentes que continuaram a alimentar as tensões políticas internas e regionais nos últimos anos e, consequentemente, a estabilidade e a paz no Líbano. Entre elas, destacam-se: a contínua interferência da Síria, cujas forças se retiraram do país apenas em 2005, após a chamada "Revolução dos Cedros", desencadeada pelo assassinato do primeiro-ministro sunita Rafiq al-Hariri (14 de fevereiro de 2005); a presença incômoda das milícias pró-Irã e pró-Síria do Hezbollah, as únicas, juntamente com o Amal, que não se desarmaram e que se tornaram um verdadeiro Estado dentro do Estado, causando confrontos recorrentes com Israel; e a questão palestina não resolvida no Líbano. Acima de tudo, os Acordos de 1989 "paralisaram" o sistema do país e fomentaram uma divisão da sociedade e a alocação de seus recursos com base em afiliações religiosas, resultando em corrupção generalizada. A corrupção endêmica e a má governança, em um contexto de iminente crise econômica, estiveram precisamente na raiz dos protestos pacíficos que eclodiram em outubro de 2019, envolvendo principalmente jovens. As manifestações, em sua maioria suprapartidárias e distantes da racionalidade sectária ou religiosa que sempre caracterizou a vida política libanesa, levaram à queda do governo liderado por Saad al-Hariri em novembro de 2019. Contudo, não conseguiram promover as mudanças e reformas desejadas, precipitando ainda mais a crise econômica, política e institucional. Essa situação foi exacerbada pela pandemia de COVID-19 e pela devastadora explosão no porto de Beirute em 4 de agosto de 2020. A guerra entre o Hezbollah e Israel, que começou em 7 de outubro de 2023 (com as primeiras represálias na fronteira libanesa) e se intensificou com a escalada subsequente e a operação israelense, pode ter terminado com um acordo recente, mas as tensões e os confrontos permanecem esporádicos. Não obstante o acordo assinado no final de novembro de 2024, Israel continua a atacar o sul do Líbano, onde opera a força de paz da ONU, UNIFIL. A trégua permanecerá apenas no papel até a implementação da Resolução 1701 da ONU, que Israel há muito exige como condição prévia para o fim das hostilidades e que também foi incluída no recente acordo. A Resolução 1701 exige a retirada de todas as forças do Hezbollah e sua infraestrutura ao norte do rio Litani, o curso d'água que corre a aproximadamente 20 a 30 quilômetros da fronteira com Israel. A capital Beirute   O nome provavelmente tem origem cananeia (bi'rot: plural de bir, "poço"), referindo-se aos aquíferos subterrâneos. Originalmente localizada entre duas colinas, Ashrafieh e Musaytbeh, hoje reconfigurada pelas construções, a cidade forma um promontório com vista para o mar, constituindo uma península triangular com a Baía de São Jorge ao norte. Já mencionada em crônicas egípcias do segundo milênio a.C. e renomada pelas atividades de marinheiros e comerciantes fenícios, a cidade obteve o status de colônia romana em 14 a.C., sendo chamada de Colônia Julia Augusta Felix Berytus. Sua Escola de Direito contribuiu ainda mais para sua fama entre os séculos III e VI. Destruída por uma série de terremotos e um tsunami em 551, a cidade ainda estava em ruínas quando os conquistadores muçulmanos chegaram em 635. A Primeira Cruzada chegou à cidade em 1110. Com a expulsão definitiva dos cruzados em 1229, Beirute passou para o domínio dos mamelucos, tornando-se o principal porto regional para o comércio de especiarias com as Repúblicas Marítimas de Veneza e Gênova. Ocupada pelos otomanos em 1516, sua população cresceu gradualmente com sua importância comercial e o êxodo em massa de refugiados cristãos que fugiam dos massacres nas montanhas libanesas em 1860. A pacificação da cidade pelas grandes potências foi seguida pela chegada de missionários: protestantes (Grã-Bretanha, Estados Unidos e Alemanha) e católicos, principalmente da França. Missionários evangélicos estadunidenses fundaram a Universidade Americana de Beirute em 1866, enquanto os jesuítas construíram a Universidade de São José em 1881. Ao final da Primeira Guerra Mundial e após a derrota do Império Otomano, o Líbano tornou-se um Mandato Francês. Em 1920, Beirute foi proclamada capital do Líbano, tornando-se a sede das instituições públicas. Após a independência em 1943, e graças a um clima de abertura intelectual e uma economia liberal, transformou-se em um centro regional de comércio, negócios, finanças e turismo, o que lhe valeu o apelido de "Suíça do Oriente Médio". A expulsão dos guerrilheiros palestinos da Jordânia em setembro de 1970 marcou um ponto de virada na história moderna do país. Os quartéis-generais políticos e militares palestinos foram transferidos para o Líbano. A guerra, que durou de 1975 a 1991, devastou a infraestrutura da capital e colocou a economia em frangalhos. A dimensão da destruição criou uma necessidade urgente de planejamento urbano, permitindo também a reestruturação do centro da cidade e a modernização de sua infraestrutura. O presidente da República   Após um vácuo de poder de mais de dois anos, em 9 de janeiro,o Parlamento libanês elegeu o comandante do exército, Joseph Aoun, 14º Presidente da República. O cargo, que de acordo com o Pacto Nacional de 1943 é ocupado por um cristão maronita (enquanto o primeiro-ministro deve ser um muçulmano sunita e o presidente do Parlamento um muçulmano xiita), permaneceu vago após o término do mandato de Michel Aoun em 31 de outubro de 2022, devido a divergências entre as forças políticas na busca de um acordo sobre um sucessor, particularmente os vetos dos partidos xiitas Amal e Hezbollah. Joseph Aoun,que não tem parentesco com seu antecessor, nasceu em 10 de janeiro de 1964, em Beirute, no subúrbio de Sin el-Fil. Em 2007, graduou-se em Ciência Política e Relações Internacionais pela Lebanese American University.. Em 1983, ingressou no exército, especializando-se em missões no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Em 2015, ascendeu ao comando da Nona Brigada de Infantaria e, em 2017, substituiu Jean Kahwaji no comando das Forças Armadas Libanesas. É casado com Nehmat Nehmeh e tem dois filhos. O primeiro-ministro   Nawaf Salam, recebido pelo Pontífice no Vaticano em 25 de outubro, tem 71 anos e é membro de uma proeminente família muçulmana sunita em Beirute. Salam obteve um Doutorado em Ciências Políticas pela Universidade francesa Sciences Po e um Doutorado em História pela Universidade Sorbonne. Ele também obteve um Mestrado em Direito pela Faculdade de Direito de Harvard. Em 2007, foi nomeado embaixador do Líbano nas Nações Unidas, cargo que ocupou por dez anos. Em 2018, Salam foi eleito juiz da Corte Internacional de Justiça e, em fevereiro do ano passado, foi eleito presidente do mais alto tribunal das Nações Unidas, tornando-se o primeiro cidadão libanês a ocupar esse cargo. Ele é primeiro-ministro do Líbano desde fevereiro de 2025. A Praça dos Mártires   A Praça dos Mártires (Sahet al Shouhada) em Beirute é um símbolo da resistência libanesa. O nome dado à praça, em 1931, e a estátua em seu centro homenageiam os patriotas que ali foram enforcados durante a revolta contra os turcos durante a Primeira Guerra Mundial. A estátua ainda carrega as marcas de balas da Guerra do Líbano (1975-1990). O monumento é obra do escultor italiano Marino Mazzacurati e foi inaugurado em 1960. No final de 2019, a Praça dos Mártires tornou-se um dos principais pontos focais dos protestos antigovernamentais. O Porto de Beirute   O porto ocupa quase toda a lateral do triângulo que forma a península da capital libanesa. Em 4 de agosto de 2020, uma dupla explosão matou mais de 200 pessoas, feriu outras 7.000 e deixou 300.000 desabrigadas. O nitrato de amônio, confiscado em 2014 do navio abandonado MV Rhosus e depositado no porto sem medidas de segurança, causou duas explosões em rápida sucessão: uma primeira, menor, seguida pela segunda, considerada uma das explosões não nucleares mais poderosas da história. O episódio foi detectado como um evento sísmico de magnitude 3,3 pelo United States Geological Survey ("Serviço Geológico dos Estados Unidos"). Apesar dos repetidos apelos nacionais e internacionais por responsabilização judicial, investigações eficazes, independentes e imparciais não foram concluídas. Em fevereiro deste ano, após anos de suspensão, a investigação, liderada pelo juiz Tarek Bitar, foi retomada, mas persistem incertezas, ligadas a obstáculos e interferências de líderes políticos e funcionários do Estado, que se recusaram a comparecer para interrogatório e até denunciaram o juiz. Cinco anos após a explosão, as famílias das vítimas, os feridos e gerações inteiras de pessoas traumatizadas pela tragédia ainda aguardam justiça. Nos últimos meses, o dia foi declarado dia de luto nacional, uma rua recebeu o nome das vítimas de 4 de agosto de 2020 e o local da explosão foi tombado como patrimônio histórico.

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