De 16 a 19 de março de 2026, realizou-se a VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), em Bogotá, na Colômbia. No final do encontro, foi divulgada a Mensagem final do organismo.
Vatican News Os membros da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) viveram a VI Assembleia Geral, de 16 a 19 de março deste ano, em Bogotá, na Colômbia, como um tempo de escuta, discernimento e renovação de seu compromisso com a missão na Amazônia. No final do encontro, foi divulgada a Mensagem final, ressaltando que, inspirada pela promessa do profeta Isaías, 'Estou fazendo uma coisa nova: ela está brotando agora, e vocês não percebem?', a assembleia traçou um roteiro para os próximos anos, com um olhar esperançoso na ação do Espírito Santo. Neste caminho, os participantes da assembleia acolheram com gratidão a mensagem do Papa Leão XIV, que encorajou a continuar fortalecendo a identidade dos discípulos missionários na Amazônia, recordando o testemunho de quem entregou sua vida por este território, comparando-o com o crescimento firme e esperançoso da árvore amazônica. Uma missão com identidade amazônica Como fruto do discernimento, a Assembleia reafirmou o serviço da CEAMA como um organismo que, sob a guia de Cristo e o impulso do Espírito Santo, acompanha e articula as Igrejas locais do bioma amazônico. Sua missão é consolidar uma Igreja com rosto amazônico: sinodal na escuta, samaritana no serviço, profética no anúncio e ecológica no cuidado da Casa Comum, promovendo o protagonismo dos povos na construção de novos caminhos para a Igreja. Esta identidade está enraizada no processo do Sínodo para a Amazônia e reafirma o compromisso com a sinodalidade e a ecologia integral como eixos fundamentais da vida eclesial na região. Quatro horizontes para o caminho A Assembleia definiu um roteiro estruturado em torno de quatro grandes horizontes pastorais que guiarão o período de 2026 a 2030: Proclamar o Evangelho com rosto amazônico, promovendo processos de formação inculturada e aançando na adaptação da liturgia em diálogo com as cosmovisões dos povos. Crescer como Igreja sinodal, promovendo a conversão de práticas comunitárias, o reconhecimento do papel da mulher, o protagonismo dos jovens e o cuidado integral dos agentes pastorais. Viver a ecologia integral, fortalecendo a consciência e ação em defesa da Casa Comum, especialmente em temas como o acesso à água e a formação de lideranças territoriais. Animar a comunhão e a sustentabilidade, consolidando vínculos eclesiais, fortalecendo a comunicação como eixo transversal e promovendo processos formativos e estruturas sustentáveis para a missão. Prioridades para uma Igreja profética Entre as principais prioridades destacam-se a renovação da formação de agentes pastorais em chave sinodal e inculturada, a promoção de novos ministérios, o fortalecimento feminino e juvenil da liderança indígena, bem como o impulso de ações concretas de incidência em defesa do território e da vida. Além disso, foi destacada a importância da comunicação como ferramenta estratégica para tornar visíveis as experiências das Igrejas locais e construir pontes com a Igreja universal, universidades, organizações sociais e instituições públicas. Uma Igreja articulada e em saída A Assembleia reafirmou a centralidade das Igrejas locais como ponto de partida para uma articulação territorial mais ampla, fortalecendo a dimensão panamazônica e internacional. Nesse sentido, destacou-se o trabalho conjunto com as redes eclesiais como a REPAM, a PUAM e a REIBA, consolidando um corpo eclesial vivo com rosto amazônico. Também foi valorizada a proposta de impulsionar Assembleias Eclesiais Amazônicas em nível nacional ou regional, como uma forma de fortalecer a comunhão entre as Igrejas locais. Caminhar com os povos, não sozinhos Um aspecto profundamente sentido na Assembleia foi a necessidade de continuar ouvindo e acompanhando os povos originários, reconhecendo sua sabedoria e seu lugar central na vida da Igreja amazônica. Foi também compartilhada a realidade da solidão vivida por muitos missionários em territórios marcados por grandes distâncias e desafios, reafirmando que a missão se sustenta na comunhão, na fé e na certeza de que Deus caminha com o seu povo. A presença do Núncio Apostólico, de representantes da Santa Sé e de diversas instituições eclesiais foi sinal desta comunhão que fortalece o caminhar conjunto. Uma Igreja a caminho, sustentada pela esperança A CEAMA se reconhece como um organismo vivo, em constante aprendizagem e movimento. Com gratidão pelo caminho percorrido e com esperança no futuro, a Assembleia confia na ação do Espírito Santo que continua guiando a missão na Amazônia. Por fim, todos os frutos deste encontro foram confiados a Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja na Amazônia, pedindo sua intercessão para continuar caminhando com fidelidade, coragem e esperança na construção de uma Igreja com rosto amazônico, a serviço da vida, da dignidade dos povos e do cuidado da Casa Comum.