Milão: faltam família e comunidade aos jovens da guerrilha, alerta Pe. Como

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Milão: faltam família e comunidade aos jovens da guerrilha, alerta Pe. Como
Fonte: VATICANO

O vigário episcopal para a Educação da Arquidiocese de Milão comenta os distúrbios do último fim de semana que, além da França, também se repetiram na capital lombarda italiana: “eles se movem como um bando, excluídos de tudo e sem futuro. A Igreja não fecha os olhos: dos oratórios aos projetos nas periferias”, afirma o Pe. Como.

Davide Dionisi - Vatican News [ Uma vida familiar sólida e uma comunidade de referência.

Tudo isso falta hoje aos jovens que causaram distúrbios na cidade nos últimos dias.

Eles se movimentam em grupo, mas com uma lógica mais de bando do que de comunidade.

Pelo que se percebe, são em grande parte menores de idade, sem orientação política específica, que se sentem excluídos de tudo e não veem futuro.

Vivem numa espera pelo nada e parecem reduzir tudo a nada: destroem o que encontram porque o nada é o que sentem ao seu redor e dentro de si. ] O Pe.

Giuseppe Como, vigário episcopal para a Educação e a Celebração da Fé e para a Pastoral Escolar da Arquidiocese de Milão, na Itália, procura descrever ao Vatican News o que aconteceu no último sábado (17/10), quando a manifestação contra o aumento dos preços, o custo da gasolina e a carga tributária transformou Milão em uma guerra urbana.

Os confrontos no centro da cidade Centenas de jovens vestidos de preto cercaram a Praça Duomo, lançando fogos de artifício, garrafas e pedras contra a polícia, que respondeu com jatos de água e gás lacrimogêneo.

O balanço do sábado (17/10), somente em Milão, é de 72 pessoas levadas à delegacia, 17 presas e pelo menos 22 autuadas.

Também houve confrontos em Turim, Bolonha e Bérgamo.

No domingo (18/10), a desordem recomeçou: grupos de jovens encapuzados atacaram e saquearam lojas, bares e um supermercado nas proximidades do Duomo, da Via Torino, da Via Cordusio e do Largo Cairoli, utilizando a tática de mini-ataques relâmpagos e fuga em pequenos grupos.

Pelo menos 200 jovens foram detidos, cerca de 80% deles menores de idade.

Pe.

Como: “há um sentimento de exclusão” “Não sei se essa é uma interpretação com a qual todos concordam, mas a ausência de um contexto familiar sólido e de uma comunidade de referência me parece um aspecto relevante.

Pelo que posso perceber pelos jornais e pelo que ouço, há realmente um sentimento de exclusão, como se a sociedade tivesse criado dos rejeitados, pessoas que têm poucas esperanças de participar da vida social”, prossegue Pe.

Como.

Ao falar sobre a resposta da Igreja de Milão, o vigário episcopal destaca: “acompanho a Fundação dos Oratórios Milaneses (FOM) e penso no que estamos fazendo em relação às novas gerações, que são as mais afetadas.

Justamente na última terça e quarta-feira, realizamos um encontro de dois dias no Centro Pastoral de Seveso sobre o tema ‘adolescentes e violência’.

Na ocasião, foram apresentados depoimentos sobre projetos com educadores que atuam em periferias bastante carentes: Baranzate, com uma porcentagem altíssima de imigrantes; a estação de Rho-Fiera; e o Corvetto, que ganhou destaque na mídia por alguns episódios ocorridos há algum tempo". [ Nesses contextos, a Igreja está demonstrando que não fecha os olhos nem desvia o rosto para o outro lado.

Ela faz isso por meio de canais comuns, mas também com projetos específicos, buscando compreender quem são os jovens que passam o tempo nas ruas ou no oratório, e que, às vezes, quase tomam conta do local.

Há tentativas de diálogo para compreender suas necessidades, exigências e motivos, e, por esse caminho, procura-se envolvê-los. ] Os projetos educacionais da Igreja de Milão Ao falar sobre os resultados alcançados, o Pe.

Como revela que: “o fruto mais bonito é que alguns jovens que ocupavam o oratório de Baranzate de maneira bastante arrogante, com muita violência verbal (não física), acabaram sendo envolvidos no projeto educacional e se tornaram colaboradores da própria ação educacional.

São respostas muito parciais, é claro, mas revelam uma Igreja que não é alheia a esses jovens, que procura compreender seu mal-estar e não fazê-los sentir-se meros objetos de uma intervenção educacional, envolvendo-os, ao contrário, em uma responsabilidade”.

A importância da família e da comunidade O padre reitera, por fim, que: “ainda ontem, durante a celebração de duas crismas, me peguei refletindo sobre o que aconteceu no fim de semana.

Dirigi-me aos meninos do primeiro ano do ensino fundamental, alguns anos mais novos do que aqueles que estão causando esses desastres no centro de Milão, e me veio à mente que eles têm sorte, pois contam com uma família e uma comunidade de referência.

Infelizmente, enquanto lá fora explodiam fogos de artifício e bombas e havia distúrbios, com as sirenes ao fundo, nós estávamos em pleno clima de comunhão.

Isso não significa que a Igreja se sinta sitiada ou compelida a se fechar porque o mundo lá fora é ruim.

Muito pelo contrário.

Estamos presentes e tentando oferecer propostas concretas”.

As medidas restritivas Para a tarde da segunda-feira (19/10) estavam previstos os interrogatórios na prisão de San Vittore dos 5 maiores de idade presos no sábado (17/10), enquanto nesta terça-feira (20/10), no Instituto Beccaria, terão início os interrogatórios dos 11 menores detidos.

Também chegaram os primeiros pedidos de validação e de medidas cautelares para os menores, que, somados aos 23 detidos no domingo (18/10), elevam o número total de prisões para 34.

Esse número pode aumentar, uma vez que as investigações ainda estão em andamento.

As acusações, de natureza variada, incluem vandalismo, saques e resistência com agravantes múltiplas.

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