Leão XIV visita a Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz, em Óstia Lido. O Papa encontra-se com crianças e jovens e os encoraja a "trabalharem em equipe": "Sinto-me bem-vindo entre vocês".
Salvatore Cernuzio – Óstia Óstia Lido recebeu o Papa Leão XIV na tarde deste domingo, 15 de fevereiro. Terra onde de história, onde a brisa do mar acaricia os mármores antigos, terra de santos e navegadores, onde as feridas das gangues criminosas encontram cura no trabalho de pessoas honestas, pobres em recursos, mas ricas em intenções. O Papa chegou a essa cidade litorânea próxima a Roma por volta das 15h45 locais para uma visita à paróquia de Nossa Senhora Rainha da Paz, a primeira de cinco visitas dominicais do Pontífice que antecedem a Páscoa. Leão XIV foi recebido pelo cardeal vigário Baldo Reina e pelo pároco Palotino pe. Giovanni Patané. A multidão vibra de alegria, misturada com um toque de orgulho por ser a primeira a receber o Papa, que decidiu iniciar sua visita à diocese nesta área impregnada pelo legado espiritual de Santo Agostinho e de sua mãe, Santa Mônica. O abraço ao povo O Papa Leão partilhou palavras significativas com um público diversificado de jovens, famílias e migrantes, pobres e doentes, sacerdotes, religiosas, voluntários, agentes pastorais e representantes de instituições civis. Todos se instalaram durante horas nos vários locais onde a visita decorre (campo esportivo, ginásio, salões, igreja), sob um sol de primavera e uma brisa marítima fria. As crianças dançam e cantam ao ritmo da música, os jovens gritam "Papa Leão!" e soltam um pequeno leão insuflável, os idosos aplaudem e pedem aos vizinhos que os ajudem a iniciar uma videochamada: "Vejam quem está aqui: o Papa!" Leão XIV olha para todos. Cumprimenta a todos, dá a bênção às crianças, brinca com os escoteiros e inclina-se para cumprimentar as pessoas que estão em cadeiras de rodas. Brinca com alguns casais e algumas crianças mais extrovertidas. Aos diversos grupos que encontra, fala espontaneamente e lhes pede para rezar uma Ave Maria ou o Pai-Nosso. Saúda as crianças e os jovens: "Vocês são a esperança" Os primeiros a se reunirem no pátio são as crianças e os jovens da Catecismo, do Oratório, da Renovação Carismática, do Caminho Neocatecumenal e dos Escoteiros da Europa, que lhe oferecem seu lenço tradicional. Todos gritam a plenos pulmões para chamar a atenção do Papa e trazê-lo para mais perto. De um pequeno palco, Leão XIV pega o microfone. O pároco o apresenta, pedindo uma "palavra de esperança e bênção". O Papa reitera a alegria de estar ali e "celebrar a Eucaristia, onde todos renovamos a nossa fé em Cristo". "Jesus está vivo entre nós e nos dá esta esperança de viver em paz, amor e amizade", afirma. A paz é o que ele deseja aos presentes. Entre idosos e doentes Em meio a cânticos e aplausos, a visita continua no ginásio próximo. O Papa cumprimenta os jovens de um clube de basquete local com seus treinadores. Depois, autografa uma bola e alguns uniformes, mas antes, passa pelos doentes, sentados na primeira fila, usando cachecóis e cobertas. Eles apertam a mão do Pontífice, e alguns choram. Uma mulher diz que, depois de hoje, já cumprimentou quatro Papas. Um grupo de crianças, também vestidas de verde, se reúne ao redor da plataforma vermelha onde Leão XIV fala espontaneamente. Sob aplausos estrondosos, o Papa acena com a cabeça e sorri. "Este é um dos muitos sinais de uma autêntica comunidade cristã, de uma verdadeira paróquia, onde todos aprendemos a dizer 'Bem-vindo'", continua ele. Não é apenas uma palavra, mas o sinal de um espírito acolhedor: "Abrir a porta e acolher a todos: católicos, não católicos, crentes, não crentes. Que sejamos sempre uma comunidade acolhedora." Os valores do esporte Apontando para os jovens atletas, o Papa então fala sobre o esporte, referindo-se também aos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina. Encontro com o Conselho Pastoral Antes da missa, o Papa se reuniu com os membros do Conselho Pastoral. Foi um encontro que ele próprio solicitou, seguindo uma tradição mantida durante suas visitas às paróquias no Peru: "Uma das coisas que sempre considerei muito importante foi justamente o encontro — ainda que breve — com o Conselho Pastoral paroquial." "Oração" e "experiência de fé" são o que o Pontífice recomenda àqueles que, às vezes com "sacrifício", dedicam seu tempo à paróquia: "Há tanto para fazer, nos preocupamos: 'O Papa vem? Como nos organizamos?' Ou tem a Quarta-feira de Cinzas, ou uma atividade ou outra, ou a festa paroquial. Muito bem. No entanto, se não somos uma comunidade de fé que vive e testemunha o que significa ser discípulos de Jesus, homens e mulheres de fé, então todas as nossas atividades acabam ficando um tanto vazias, carentes do verdadeiro sentido de ser católico, cristãos ou amigos de Jesus." Depois, há o testemunho, especialmente "numa zona da cidade que tem os seus desafios", observa o Papa. "A paróquia deve ser um lugar onde as pessoas possam vir e encontrar ouvidos atentos. Ter a igreja aberta, realizar atividades com os jovens, contribuir, comprometer-se com a pastoral da juventude." Daí o convite à "sinodalidade", a "caminhar juntos", e também a "sair", "ir para fora" e "procurar os outros". A saudação no adro da igreja Leão XIV se despede de Óstia quando no comecinho da noite. "Obrigado novamente pela acolhida, por esta saudação mesmo neste momento", diz da porta da paróquia. "Durante o dia o sol e agora a noite, mas vocês são sempre a luz do mundo. Deus os abençoe sempre!" Uma última rodada de saudações, mais cânticos e aplausos, sinal de um entusiasmo que, após cerca de três horas, não diminuiu nem um pouco. "Óstia te saúda, Leão!" grita um homem. Entrando no carro, o Pontífice passa pela multidão e retorna ao Vaticano.