A Carta Apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “O RÁPIDO DESENVOLVIMENTO”, diz no número 03: “São numerosos os desafios para a nova evangelização num mundo rico de potencialidades comunicativas como o nosso".
Jackson Erpen - Cidade do Vaticano [ Audio Embed Ouça e compartilhe!] Ao retomar, mais de duas décadas depois, as palavras de São João Paulo II sobre a comunicação social, Pe.
Gerson Schmidt* destaca em sua reflexão como sua análise permanece surpreendentemente atual diante da aceleração tecnológica, das redes digitais, dos algoritmos e da inteligência artificial.
Em O rápido desenvolvimento, publicada em 2005, o Pontífice polonês não se limitava a defender o uso dos meios de comunicação pela Igreja, mas também alertava para uma transformação cultural profunda, na qual as novas tecnologias passariam a influenciar a formação da consciência, os relacionamentos, a educação, a vida social e até os comportamentos cotidianos.
Hoje, inseridos numa realidade marcada pela velocidade e pelo excesso de informação, somos convidados a revisitar esse ensinamento e perguntar: o que acontece com a pessoa humana quando a comunicação deixa de ser apenas um instrumento e passa a moldar a própria maneira de pensar, relacionar-se e viver?
Em sua reflexão semanal, o sacerdote gaúcho nos propõe "O rápido desenvolvimento - Carta Apostólica de São João Paulo II": [ Read Also ] "Giovanni Paolo II, comemorando mais de 40 anos do Decreto do Concílio Vaticano II - Inter Mirifica, tem alertado com toda a força para a necessidade da utilização dos modernos meios de Comunicação.
A Carta apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “O RÁPIDO DESENVOLVIMENTO”, é dirigida aos responsáveis pelas comunicações sociais.
Estamos vivendo num mundo encharcado e afogado num movimento muitíssimo acelerado.
Não conseguimos acompanhar a evolução, o desenvolvimento, a enxurrada de informações que recebemos, dos acontecimentos ao nosso redor.
Estamos numa “sociedade de cansaço” muito grande, quase sem volta.
Temos pressa.
Não temos tempo mais para as coisas mais fundamentais, como o cuidado de nós mesmos, um encontro fraterno entre amigos.
O trabalho e o dinheiro dão o ritmo de nossas constantes ações num sistema complexo.
O mundo exige de nós eficiência, rapidez e produção plena, sem possíveis falhas, a todo o vapor, expressão antiga, que lembra um trem num ritmo aceleradíssimo.
Poderíamos dizer não mais a todo o vapor, mas a todo o “vapor digital”.
Estamos no mundo de algoritmos.
Estamos numa era pós-moderna, numa cultura de um pensar digital e dentro da inovação e reformulação de nossas mentes, por meio da Inteligência Artificial.
Recordemos o que já frisamos anteriormente.
A Carta Apostólica do Sumo Pontífice São João Paulo II, “O RÁPIDO DESENVOLVIMENTO”, já dizia assim no número 03: “São numerosos os desafios para a nova evangelização num mundo rico de potencialidades comunicativas como o nosso.
Tendo isto em consideração, na Carta encíclica Redemptoris missio quis realçar que o primeiro areópago do tempo moderno é o mundo da comunicação, capaz de unificar a humanidade tornando-a como se costuma dizer "uma aldeia global".
Os meios de comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o principal instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos individuais, familiares e sociais.
Trata-se de um problema complexo, visto que esta cultura nasce, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio fato que existem novos modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas.
A nossa época é uma época de comunicação global, onde muitos momentos da existência humana se desenrolam através de processos mediáticos, ou pelo menos, se devem confrontar com eles.
Limito-me a recordar a formação da personalidade e da consciência, a interpretação e a estruturação dos vínculos afetivos, o desenvolvimento das fases educativas e formativas, a elaboração e a difusão de fenômenos culturais, o desenvolvimento da vida social, política e econômica”.
O documento referendado é assinado e publicado por Joannes Paulus II, em 24 de janeiro de 2005, memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas.
É o dia também que todos os anos os Papas divulgam a Mensagem para o dia Mundial da Comunicações Sociais.
Atento aqui que há mais de 20 anos, o santo de nosso tempo, João Paulo II, homem que se comunicava profundamente com gestos pois foi ator de teatro há juventude, por isso, por exemplo, beijava o solo do país que chegava, alertava para visão nova da realidade onde o indivíduo nasce já mergulhado na tecnologia.
As crianças, no berço, recebem numa das mãos uma mamadeira e a outra um celular.
Repetimos o que já apontamos.
Atentos ao que o Papa falava já em 2005, 39 dias antes de sua morte, em 02 de abril daquele ano, na festa do Domingo da Misericórdia por ele instituído. (Se o ouvinte não prestou atenção, atente-se a isso!).
O Papa, há mais de duas décadas, falou que “os meios de comunicação social alcançaram tal importância que se tornaram para muitos o principal instrumento de guia e de inspiração para os comportamentos individuais, familiares e sociais.
Trata-se de um problema complexo, visto que esta cultura nasce, ainda antes do que dos conteúdos, do próprio fato que existem novos modos de comunicar com técnicas e linguagens inéditas”." Pe.
Gerson Schmidt* – Jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS) responsável último por sete comunidades locais católicas do município.