Os novos tempos da Amazônia: a ótica do professor Virgílio Viana

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Os novos tempos da Amazônia: a ótica do professor Virgílio Viana
Fonte: VATICANO

Em recente entrevista nos estúdios da Rádio Vaticana, o professor Virgílio Viana, atual superintendente-geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), compartilhou reflexões profundas após participar de um evento de destaque na Academia de Ciências Sociais do Vaticano. Nomeado pelo Papa Francisco como membro da instituição, Viana esteve em Roma em um encontro de dois dias centrado em debater a paz e o futuro da humanidade.

Vatican News Reunindo cerca de 30 personalidades altamente representativas de várias partes do globo, o seminário teve como grande fio condutor a inspiração da encíclica Magnifica humanitas do Papa Leão XIV, que fala dos novos tempos.

O professor Virgílio também recordou Leão XIII (1891), que chamava a atenção para os tempos de transição da Revolução Industrial, bem como o paralelo com os desafios contemporâneos.

Os "Novos Tempos" e as quatro grandes realidades da Amazônia Inspirado no conceito de "novos tempos", o professor destacou que a Amazônia vivencia, atualmente, quatro realidades complexas e marcantes que definem o seu cenário atual: Emergência climática e a crise dos incêndios; Explosão de violência e enfraquecimento do Estado de Direito; Ameaças políticas e ambientalismo; Transição religiosa e conflitos culturais.

Emergência Climática e a Crise dos Incêndios A região já sente de forma aguda os impactos das mudanças climáticas, refletidos no aumento da temperatura e na alteração do regime de chuvas, o que eleva drasticamente o risco e a frequência dos incêndios florestais.

Um exemplo emblemático citado foi a situação crítica de Manaus, onde o ar poluído levou instituições públicas a recomendarem que a população evite sair de casa.

Origem dos Incêndios: Segundo o especialista, 99% das ocorrências têm ação humana direta.

As principais fontes variam entre: incêndios criminosos associados à grilagem e desmatamento ilegal; práticas tradicionais de agricultura familiar e de povos indígenas; queimadas em áreas periféricas urbanas (lixo e restos vegetais); fogo derivado de atividades acidentais (como fogueiras de pescadores) que escapam para a floresta vulnerável e seca.

Explosão de violência e enfraquecimento do Estado de Direito A Amazônia enfrenta uma escalada severa de violência.

Destacam-se os assassinatos de lideranças indígenas e ambientalistas ligados a conflitos fundiários, somados à forte expansão da criminalidade associada ao narcotráfico e ao garimpo ilegal, enfraquecendo o Estado de direito na região.

Ameaças políticas e ambientalismo Do ponto de vista político e eleitoral, a guinada observada em diversos níveis governamentais tem gerado um ambiente historicamente hostil à conservação da floresta e contrariado políticas de proteção ambiental.

O papel do Brasil no cenário internacional continua a ser um ponto de intensa vigilância e debate.

Transição religiosa e conflitos culturais O panorama espiritual da Amazônia passa por uma transformação profunda.

Enquanto a Igreja Católica registra uma diminuição expressiva (queda de cerca de 8 pontos percentuais entre 2010 e 2022), as denominações evangélicas avançam expressivamente, inclusive junto a comunidades indígenas e ribeirinhas.

Enquanto a Igreja Católica tem buscado resgatar a história colonial, pedido perdão formal aos povos originários (como fez o Papa Francisco em 2015 e 2022) e construído pontes de respeito às tradições locais, grande parte das denominações evangélicas apresenta histórico de maior conflito e menor tolerância com as tradições religiosas indígenas e de matriz africana. “Dados apontam que cerca de 80% das queixas formalizadas sobre intolerância religiosa na região envolvem terreiros de Umbanda e Candomblé associados a igrejas ou fiéis evangélicos”, disse.

O conjunto desses fatores desenha um cenário desafiador, exigindo atenção redobrada da sociedade civil, de governos e de lideranças globais na busca por caminhos sustentáveis para o futuro da Amazônia.

Eis a íntegra da conversa com o professor Virgílio Viana: [ Audio Embed Ouça e compartilhe]

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