Padre Benvindo Tápua: sem verdade não haverá paz em Moçambique - Vatican News via Acervo Católico

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Padre Benvindo Tápua: sem verdade não haverá paz em Moçambique - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O coordenador diocesano da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Nampula, padre Benvindo Tápua, considera que Moçambique enfrenta uma crise profunda de verdade, justiça e inclusão. Em entrevista a Rádio Vaticano esta quinta-feira (01/01), o sacerdote afirma que há vontade do povo para a paz, mas faltam ações concretas das lideranças políticas e institucionais, defendendo que só a verdade pode abrir caminhos de reconciliação e estabilidade duradoura.

Cremildo Alexandre - Nampula, Moçambique O padre Benvindo Tápua, coordenador diocesano da Comissão de Justiça e Paz na Arquidiocese de Nampula e director da Rádio Encontro, emissora católica da cidade, faz um balanço crítico da situação sociopolítica do país, sublinhando que, apesar da intenção manifestada por muitos cidadãos em promover da paz, as acções concretas continuam distantes desse ideal. Segundo o sacerdote, a Comissão de Justiça e Paz tem apostado na sensibilização das comunidades através de cartilhas, subsídios pastorais e ensinamentos da Igreja, com destaque para o diálogo nacional inclusivo, a participação cívica e a construção de uma democracia assente na verdade. Pe. Benvindo recorda também os apelos recentes da Conferência Episcopal de Moçambique, que insistem na promoção da paz enraizada na verdade. “Em Moçambique estamos longe de falar a verdade”, afirma, apontando a corrupção, o medo de denunciar injustiças e o silêncio institucional como factores que alimentam a instabilidade. O sacerdote recorda que a paz nunca foi vivida de forma plena no país, desde o período colonial até aos dias atuais, passando por divisões pós-independência e promessas não cumpridas após o Acordo Geral de Paz. Referindo-se às eleições conturbadas do ano passado, Pe. Benvindo considera que o processo esteve viciado desde o início e marcado por violência, intimidação e exclusão, o que fragilizou ainda mais a confiança dos cidadãos. Para ele, o chamado diálogo inclusivo continua limitado e pouco representativo, deixando de fora forças vivas da sociedade, em particular a juventude. Situação dos jovens  O sacerdote manifesta preocupação com a situação dos jovens, sobretudo no norte do país, onde se registam mortes, desaparecimentos e repressão ligados à reivindicação de direitos, acesso à terra e aos recursos naturais. Denuncia também a exploração de recursos por interesses externos e internos, sem benefícios reais para as comunidades locais, situação agravada pela corrupção e pela falta de transparência. No campo da comunicação social, o padre Benvindo destaca os 30 anos da Rádio Encontro, sublinhando o papel da rádio na promoção dos valores evangélicos, da doutrina social da Igreja e da cultura da paz. Reconhece avanços, mas aponta desafios sérios, como a escassez de recursos, a falta de meios de transporte, a sustentabilidade financeira e o combate às fake news. Apesar das dificuldades, reafirma a missão da Igreja de anunciar e viver a verdade, mesmo quando isso gera incompreensão ou perseguição. “Onde há mentira, nunca haverá paz”, afirma, reiterando que só a verdade pode libertar, curar feridas e permitir a reconciliação entre os moçambicanos. O sacerdote conclui com um apelo ao amor à pátria, ao compromisso cívico responsável e à coragem de dizer a verdade, como fundamentos indispensáveis para a construção de uma sociedade justa, pacífica e verdadeiramente inclusiva em Moçambique.

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