Palermo: os depósitos da Caritas diocesana também correm o risco de ficar vazios

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Palermo: os depósitos da Caritas diocesana também correm o risco de ficar vazios
Fonte: VATICANO

O diretor da instituição de caridade, pe. Sergio Ciresi, fala sobre os efeitos do protesto dos caminhoneiros no serviço diário de refeições: oferecemos 100 refeições por dia. No momento, temos estoque para uma semana. Também cresce o número dos “working poor”, trabalhadores com salários que, devido ao alto custo de vida, têm dificuldade para chegar ao fim do mês.

Alessandra Zaffiro Na Sicília, o protesto dos caminhoneiros contra o alto preço do diesel chegou ao fim, assim como em outras regiões da Itália.

Os caminhões deixaram os bloqueios em alguns trechos da rodovia e nos principais portos.

Na ilha, a distribuição de mercadorias tenta voltar ao normal após dias que colocaram à prova famílias, empresas, trabalhadores e, sobretudo, aqueles que, nas cidades, precisam do apoio de instituições de caridade. “No momento, temos estoque para uma semana, no máximo duas, de cestas básicas, pois os alimentos que chegam aos nossos depósitos estão diminuindo: mesmo assim, fazemos a distribuição diariamente, o refeitório está aberto 7 dias por semana, atendemos basicamente apenas no refeitório diocesano, e há também outros refeitórios, com 100 refeições por dia”.

É o panorama descrito por Pe.

Sergio Ciresi, diretor da Caritas diocesana de Palermo, nesta fase em que as repercussões do bloqueio dos caminhões contra o alto preço do combustível — “protesto que deve ser respeitado”, afirma o sacerdote — afetaram os canais de abastecimento alimentar, esvaziando os supermercados da cidade e enfraquecendo também a rede de solidariedade e assistência aos mais vulneráveis. “Outra questão que realmente nos entristece são esses produtos, sobretudo os frescos — acrescenta Pe.

Ciresi —; grande parte da mercadoria estragou.

A situação é grave porque, entre os aumentos de preços, os armazéns vazios, os supermercados vazios e esses alimentos que existem, mas que, por terem ficado há dias amontoados dentro dos caminhões, soube que muitas quantidades foram jogadas fora”.

Entre as prateleiras vazias e o aumento dos preços em Palermo, assim como em outras cidades, nos últimos dias também se iniciou a corrida para o abastecimento.

Quem mora em uma ilha sabe disso, desde a água até os bens de primeira necessidade e os medicamentos: quem pôde pensou em garantir alguns bens essenciais a mais.

Pe.

Ciresi: aumentou o número dos “working poor” Nesse cenário, ressalta o diretor da Caritas diocesana de Palermo, “não devemos esquecer que, já há alguns anos — desde o início da pandemia até hoje —, mas também à luz do que está acontecendo nestes últimos dias, aumentou o número dos chamados ‘working poor’”.

Se, por um lado, há as famílias carentes já conhecidas pelas Caritas paroquiais, por outro, há esses chamados ‘trabalhadores pobres’, ou seja, pessoas que trabalham, que têm, de um jeito ou de outro, um salário fixo, mas que hoje, mais do que nunca, com o aumento dos preços, não conseguem chegar ao fim do mês.

O que está acontecendo, principalmente, diz respeito àqueles que já têm um salário mínimo.

Porque está claro que o pobre, infelizmente em situação de precariedade, não vai ao supermercado.

Mas há também essa faixa de pessoas, sobretudo famílias, que está se ampliando cada vez mais; famílias que, em maior ou menor grau, inclusive com trabalho informal, têm uma renda que, diante dos preços altos, não lhes permite comprar alimentos”.

Os pedidos das famílias às Caritas paroquiais Daí “o aumento do número de pessoas que procuram as Caritas paroquiais: basicamente — acrescenta o Pe.

Ciresi —, cresceu a demanda por produtos frescos.

É claro que nem todas as Caritas paroquiais podem fornecer produtos frescos, pois são itens que exigem câmaras frigoríficas e também certas condições de higiene e saneamento; portanto, nem todas as Caritas paroquiais têm essa possibilidade.

Mas, acima de tudo, os pedidos são de macarrão, azeite — que ficou mais caro —, tomate, açúcar e sal.

Elas pedem exatamente produtos básicos cujos preços, infelizmente, subiram, sem esquecer os produtos para crianças, pois são muito caros.

Temos muitas famílias que nos fazem muitos pedidos de papinhas, leite em pó e fraldas”.

Entre as cozinhas comunitárias que, segundo o diretor da Caritas diocesana de Palermo, mais precisam de ajuda, “certamente a cozinha dos Bocconistas (a chamada ‘Boccone del Povero’, instituição administrada pelo Instituto dos Missionários Servos dos Pobres e pelas Irmãs Servas dos Pobres) e a cozinha dos Capuchinhos são, sem dúvida, as que enfrentam maiores dificuldades”.

Entre elas está também a Missão Esperança e Caridade, fundada por Biagio Conte, “porque nós também temos hóspedes, mas eles têm um número maior de hóspedes que residem dentro de suas instalações”.

Agora, a esperança é que o retorno à normalidade permita retomar a pleno vapor o trabalho de apoio aos mais vulneráveis.

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