Para além da Esmola: o dom de si - Vatican News via Acervo Católico

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Para além da Esmola: o dom de si - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Descobrindo que a maior esmola não é o alimento, mas a disposição de abraçar a história do próximo e, através dele, ser tocado por Deus.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News Durante a Quaresma, a Igreja, baseada nas Sagradas Escrituras, incentiva práticas penitenciais. Dentre elas, a caridade que, no vocabulário do próprio Cristo, pode ser vista como esmola. Esse gesto sempre me encantou, pois, ao realizar um ato de caridade, torna-se possível ir ao encontro do outro. Em um mundo marcado por relações tão fluidas, a alteridade será sempre um desafio. Sentir e estar na presença do próximo, contemplando sua história, marca-nos profundamente. Para este retiro de 40 dias, estou lendo o livro “Tu és a luz quaresmal”, do Cardeal Angelo Comastri, um presente do meu amigo Pe. Wagner Maria que muito tem me ajudado a meditar neste tempo. Ao avançar na leitura, algo tocou fundo o meu coração, trazendo uma reflexão que eu já havia feito anteriormente: “podemos dar também uma oferta, mas a oferta é a última caridade, é a última expressão da esmola; a maior esmola é o dom de nós mesmos, entrar na ótica do Evangelho e entender que o doar é o estilo daquele que crê”. Isto me trouxe à memória um momento que mexeu bastante comigo. No ano de 2022, no Dia Mundial do Pobre, após a Missa das 7h na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Maceió, convidei os fiéis para irmos juntos até o viaduto próximo à Universidade Federal, a fim de encontrar os irmãos mais necessitados e levar-lhes sustento. Havíamos recebido muitas doações e conseguimos mobilizar vários carros, totalizando cerca de 50 pessoas. Como o convite foi feito durante a celebração, o Ministério de Música participou em peso. Aproveitamos para fazer um momento de louvor, seguido de uma oração profunda. Ao final, os irmãos em situação de rua compartilharam suas intenções em voz alta e receberam abraços de quem estava presente. Contudo, o que mais me marcou foi a fala de um deles. Ele disse que, naquele local, estavam sujeitos a tudo e que muitas pessoas passavam por ali apenas para lhes fazer o mal. Para ele, mais importante do que o alimento que levamos, foi o fato de termos rezado e os acolhido; eles se sentiram profundamente amados. Aquilo quebrou meu coração. Para mim, o mais necessário era a comida. Na minha mentalidade, o material era o máximo que poderia ser oferecido. Mas, com aqueles irmãos, descobri que o mais valioso é o dom de nós mesmos. Ao olhar para o grupo, percebi o quanto todos estavam emocionados; muitos choravam e manifestavam um profundo afeto. A partir dali, uma chave virou na minha cabeça. Comecei a enxergar a caridade não pelo viés assistencialista, mas pela abertura ao encontro. Ajudar o próximo significa tocar a sua realidade e a caridade se tornou assim a via para isso. Espero vivenciar isso intensamente nesta Quaresma, pois praticar a esmola, unida às outras formas de penitência, aproxima-nos de Deus. De fato: faz-nos tocá-Lo e sermos tocados por Ele.

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