O secretário de Estado responde às perguntas dos jornalistas do lado de fora do Augustinianum, onde apresenta o livro “Liberi sotto la Grazia” (Livres sob a Graça), publicado pela Livraria Editora Vaticana. Na véspera da audiência de Marco Rubio no Vaticano, o cardeal explica que todos os “temas polêmicos” serão abordados e que, diante de uma possível ligação com Trump, o Papa “não se esquivaria”.
Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano “O senhor espera mais de Rubio ou de Trump?”. “Eu? Eu não espero nada de ninguém. Só espero em nosso Senhor Jesus Cristo”. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, responde com um sorriso aos jornalistas do lado de fora do Instituto Patrístico Augustinianum, que ainda questionam sobre os ataques ao Papa por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Atacá-lo dessa maneira ou repreendê-lo pelo que faz me parece um pouco estranho, no mínimo”. As palavras de Trump foram pronunciadas poucos dias antes da audiência no Vaticano com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, marcada para amanhã, e às quais já ontem à noite, em Castel Gandolfo, o próprio Leão XIV respondeu. Parolin apresenta esta tarde o livro, publicado pela Libreria Editrice Vaticana, “Robert Francis Prevost. Libres sob a graça”, mas antes responde às perguntas dos jornalistas que questionam, em particular, a declaração de Trump, segundo a qual o Papa aceitaria que o Irã possuísse armas nucleares, colocando assim “em perigo” milhares de católicos. “O Papa faz o que cabe a um Papa” Parolin responde com as mesmas palavras de Leão na saída da Villa Barberini: “É preciso falar na verdade”. A afirmação do presidente dos EUA “certamente não é correta, no sentido de que a Santa Sé sempre trabalhou, e continua a trabalhar, justamente no desarmamento nuclear… falou e promoveu este acordo que aborda a licitude da posse de armas nucleares”. Portanto, uma posição “muito clara” a esse respeito. O cardeal não entra no mérito dos repetidos ataques do presidente, iniciados no último dia 13 de abril, dia da partida de Leão para a África. “Não gostaria de me pronunciar, de fazer avaliações pessoais sobre isso. Acredito que o Papa faz o que deve fazer: o Papa faz o que um Papa deve fazer”. O encontro com Rubio Quanto à audiência do Papa com Rubio, com o qual se renirá também o próprio secretário de Estado, o cardeal explica que, antes de tudo, “vamos ouvi-lo; a iniciativa partiu deles”. Em seguida, “falaremos sobre tudo o que aconteceu nestes últimos dias. Não poderíamos deixar de abordar esses assuntos”. De maneira mais geral, como sempre nos encontros com personalidades políticas, serão abordados “temas de política internacional e, sobretudo, de conflitos”, questões como a América Latina e, provavelmente, também a questão de Cuba. Em suma, explica o cardeal, “todos os temas mais candentes”. Não haverá novas propostas por parte da Santa Sé sobre a solução do conflito no Irã, a não ser aquelas que “sempre existiram”. Ou seja, “o diálogo”: “Esses conflitos não podem ser resolvidos pela força, mas devem ser tratados e resolvidos por meio de negociações. Que sejam negociações de boa vontade, sinceras, para que todas as partes possam expressar seu ponto de vista e encontrar pontos de convergência”, afirma Parolin. Os EUA permanecem um interlocutor Os Estados Unidos continuam, no entanto, sendo um interlocutor, acrescenta ele: “Como ignorar os Estados Unidos? Não se pode ignorar os Estados Unidos. Apesar de algumas dificuldades, eles continuam certamente sendo um interlocutor para a Santa Sé. Também porque desempenham um papel em quase todas as situações que vivemos hoje”. Parolin mostra-se então aberto a possíveis “desdobramentos” na relação com o governo dos EUA. “Agora é prematuro” dizer se haverá ou não uma conversa por telefone entre o Papa e Trump, ressalta o secretário de Estado. “O Santo Padre está aberto a todas as opções, nunca recuou diante de ninguém. Portanto, se houver uma oferta ou um pedido de diálogo direto com o presidente Trump, imagino que ele não terá nenhuma dificuldade em aceitá-lo”.