Curso foi realizado em parceria com o Ministério de Relações Exteriores.
Vatican News Com a presença de dom Giambattista Diquattro, núncio apostólico no Brasil, ocorreu, na quinta-feira, 7 de maio, no Instituto Rio Branco, em Brasília, a cerimônia de formatura da primeira turma do curso de pós-graduação lato sensu em Mudança Global do Clima: instrumentos de gestão, política e economia, ofertado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) a membros do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil. Viabilizada pelo apoio do Papa Francisco, por meio do Dicastério para a Cultura e a Educação, a especialização formou 16 diplomatas e outros negociadores. O curso configurou-se como uma contribuição conjunta da Universidade e do Vaticano para o fortalecimento da participação brasileira na COP30 e capacitou diplomatas a atuarem estrategicamente nas agendas climáticas internacionais. Dom Giambattista Diquattro, núncio apostólico no Brasil, expressou seu reconhecimento de como a especialização oferece a toda a sociedade uma oportunidade de encontro, de diálogo, de responsabilidade compartilhada e de busca de soluções concretas diante da crise climática. O Núncio ainda apontou que a COP30 “ocorreu em um contexto internacional bastante complexo, marcado por tensões, fragilidades e dificuldades de convergência. A grandeza do Brasil, pela sua responsabilidade amazônica e pela vocação ao diálogo entre povos, culturas e instituições, encontrou naquela Conferência uma expressão elevada e fecunda”. Durante seu pronunciamento, dom Giambattista Diquattro ressaltou que a iniciativa une competência científica, visão institucional e responsabilidade ética, oferecendo uma contribuição valiosa para a formação de indivíduos aptos para servir o bem comum. “Desejo que a experiência da COP30, madurada em um momento internacional particularmente exigente, continue dando frutos duradouros de cooperação, justiça climática, responsabilidade compartilhada e cuidado concreto da criação, reforçando assim aquela confiança mútua de que a comunidade das nações hoje tanto necessita”, concluiu o Núncio. O Reitor da PUC Minas, Prof. Dr. padre Luís Henrique Eloy e Silva, iniciou seu discurso enfatizando que, num contexto de aquecimento global, a gestão climática emerge como disciplina transdisciplinar imprescindível, exigindo a articulação coerente entre conhecimento científico, capacidade institucional, vontade política e recursos financeiros. Para elucidar a relação entre a Igreja Católica e as questões climáticas, padre Luís Henrique citou a encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, de 1891; as encíclicas Laudato Si' (2015) e Laudate Deum (2023), do Papa Francisco, e a mensagem do Papa Leão XIV enviada à COP30, na qual o Pontífice recorda que “em um mundo em chamas, tanto pelo aquecimento global quanto pelos conflitos armados, esta Conferência deve se tornar um sinal de esperança, pelo respeito demonstrado às ideias alheias na tentativa coletiva de buscar uma linguagem comum e um consenso, deixando de lado interesses egoístas, tendo em mente a responsabilidade uns pelos outros e pelas gerações futuras”. O Reitor concluiu seu discurso com uma reflexão que evoca a convergência entre a agenda científico-política das mudanças climáticas e o magistério social da Igreja Católica. Essa indissociabilidade manifesta-se em quatro eixos estruturantes. A justiça climática é o primeiro, sendo entendida como a exigência ética de que as populações que menos contribuíram historicamente para o acúmulo de gases de efeito estufa não sejam as que suportem de forma desproporcional os custos da crise. O segundo eixo é a solidariedade intergeracional, que aponta a responsabilidade para com as gerações futuras. Já o terceiro é o princípio da precaução, que tanto o direito ambiental internacional quanto a ética da responsabilidade consagram como critério de ação diante de riscos catastróficos e irreversíveis. O quarto e mais profundo eixo é o da conversão do modelo civilizacional, como indicado pelo Papa Francisco: tanto a ciência climática quanto a doutrina social da Igreja apontam para a insustentabilidade de um modelo de desenvolvimento fundado na exploração ilimitada dos recursos naturais, na acumulação desigual de riqueza e na externalização dos custos sociais e ambientais sobre os mais vulneráveis. A solenidade contou, ainda, com pronunciamentos de um dos coordenadores do curso, Prof. Dr. Thiago de Araújo Mendes; da diretora do Departamento de Clima do MRE, embaixadora Liliam Beatris Chagas de Moura e do presidente da COP30 da Convenção-Quadro das Nações Unidades sobre Mudança do Clima (UNFCCC), embaixador André Corrêa do Lago. Também esteve presente o embaixador Eugênio Vargas Garcia, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores.