Servo de Deus Antoninho da Rocha Marmo: 108 anos do seu nascimento

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Servo de Deus Antoninho da Rocha Marmo: 108 anos do seu nascimento
Fonte: VATICANO

O Servo de Deus Antoninho da Rocha Marmo, nascido em São Paulo-SP, em apenas 12 anos de vida, deu testemunho de fé e amor a Deus. Vítima da tuberculose, sonhou com um local para que as crianças pobres tuberculosas pudessem ser tratadas. Seus restos mortais e Memorial podem ser visitados em São José dos Campos-SP.

Ir Ruth Santana – Vatican News A santidade pode se manifestar desde a mais tenra idade, como é o caso dos santos Jacinta e Francisco, os pastorzinhos de Fátima, que viveram até os 9 e 10 anos de idade, respectivamente, e deram testemunho de fé.

No Brasil, um exemplo contemporâneo a eles, é o do menino Antoninho, conhecido como “o santinho de São Paulo”.

Primeiros anos de vida Nascido em 19 de outubro de 1918, na cidade de São Paulo-SP, Antônio da Rocha Marmo, foi o terceiro de quatro filhos do casal Pamphilo Marmo e Maria Isabel da Rocha Marmo.

Ele foi batizado em 13 de junho de 1920, na Paróquia Santo Antônio do Pari, graças a devoção da família ao santo que leva o mesmo nome.

Desde cedo, guiado pelos ensinamentos de seus pais, viveu a fé, o amor a Deus e a Nossa Senhora, e a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Antoninho era uma criança alegre e ao mesmo tempo discreta, gostava de rezar, falar de Deus e era atento ao próximo, dando conselhos a quem percebia que precisava.

Nos primeiros anos de vida já demonstrava saúde frágil, e entre os cinco e oito anos de idade apresentou episódios de doença pulmonar.

Sem saber ainda do que se tratava, sua família buscou ajuda, primeiro em Santos-SP, depois em São Roque-SP e, em seguida, Campos do Jordão-SP, onde foi diagnosticado com tuberculose. [ Photo Embed: Antoninho com seus pais Pamphilo Marmo e Maria Isabel da Rocha Marmo] Viver o sofrimento na amizade com Jesus Na década de 1920 não havia tratamento por medicamentos para a tuberculose, e o Brasil foi marcado por uma epidemia que vitimou muitas pessoas.

O tratamento consistia em ter uma boa alimentação, repouso e procurar climas mais frios.

Para evitar o contágio, as pessoas com a doença precisavam isolar-se da família e não eram aceitos em todos os ambientes, sofrendo discriminação em muitos casos.

Em 1928, por indicação médica, diante da piora de Antoninho, ele e sua mãe foram morar em São José dos Campos-SP, também considerada estância climatérica.

Como eram de família de classe média, ficaram numa casa alugada.

A cidade era referência para o tratamento de tuberculose, com pensionatos e sanatórios.

Porém, aqueles doentes que não tinham condições financeiras, acabavam indo para os tugúrios ou ficavam pelas ruas.

O Sanatório Vicentina Aranha, considerado o maior da América Latina, na época, estava aos cuidados das irmãs de São José de Chambéry, congregação com a qual a família de Antoninho mantinha laços de amizade, por sua presença na capital paulista.

Foram estas religiosas que prepararam o menino para sua primeira comunhão, realizada na Capela do Sanatório em 08 de setembro de 1929, momento em que recebeu pela primeira vez, sacramentalmente, aquele que estava sempre com ele, o próprio Jesus, com quem mantinha amizade em meio à doença, pela oração, caridade e desejo de torná-lo conhecido e amado por todos. [ Photo Embed: Antoninho gostava de brincar que estava celebrando Missa ou conduzindo procissões] Amor à Eucaristia e a Nossa Senhora Seu zelo e amor pela Eucaristia e veneração pelos sacerdotes era muito grande e frequentemente “celebrava” suas missas.

Era um momento de tanta espiritualidade que ultrapassava uma simples encenação ou brincadeira de criança, pois muitas pessoas, tanto crianças como adultos eram evangelizadas.

Antoninho tinha o desejo de tornar-se padre diocesano e, ao brincar de fazer procissões ou celebrações, transmitia profunda reverência.

Esse fato chamava atenção das pessoas, e chegou ao conhecimento do bispo Dom Epaminondas Nunes D’Ávila e Silva, que o presenteou com paramentos, para estimular a devoção do menino.

Um fato na história dele que demonstra sua devoção a Nossa Senhora, é o dia em que vai a um armazém denominado na época como “loja de secos e molhados” para comprar uma estampa de Nossa Senhora da Saúde.

Após o vendedor dizer que não tinha, Antoninho insistiu e apontou na direção onde estaria a estampa, e ela foi encontrada.

Depois disso, saiu em procissão com a estampa até o local onde desejou que fosse construída uma Capela dedicada a ela, sob este título.

Morte e fama de santidade Após sua primeira comunhão, ao final de 1929, Antoninho percebendo que sua vida estava chegando ao fim, pelo avanço da doença, retornou a São Paulo capital, e no ano seguinte, aos 12 anos de idade, veio a falecer em 21 de dezembro de 1930.

Foi sepultado no Cemitério da Consolação, na capital, em túmulo que desde o início recebeu muitas visitas, inclusive de pessoas que iam pedir sua intercessão e relatavam graças alcançadas.

Sua devoção espalhou-se, especialmente na cidade de São Paulo, e seu processo de beatificação e canonização foi aberto.

Em 27 de novembro de 2007, o nihil obstat foi concedido pela Santa Sé, e em 2011 o processo a nível diocesano foi encerrado.

Atualmente, segue na fase romana.

Para Ir.

Alessandra Nogueira, colaboradora da causa, o que mais chama atenção na vida e no testemunho de Antoninho “é o fato dele ser uma criança que tão precocemente viveu o drama de uma doença que na época não tinha cura e era fatal, e mesmo assim, quando ele teria todas as prerrogativas de se manter doente, acamado, isolado, vivendo o seu sofrimento, ele se abriu para as pessoas”, acrescentando as visitas que Antoninho fazia a outros doentes, nos momentos em que se sentia melhor. [ Photo Embed: Ir Alessandra Nogueira, colaboradora da Causa de Canonização e Diretora do Hospital Antoninho da Rocha Marmo] Sonho realizado: um sanatório para crianças pobres tuberculosas A compaixão pelo próximo na vida de Antoninho é também traduzida pelo sonho que manifestou observando a realidade que o cercava: que após seu falecimento se construísse um sanatório para crianças pobres tuberculosas, porque até então existiam apenas para adultos.

Ele, que era de classe média, reconhecia que nem todas as famílias tinham condições de conseguir um local adequado para o tratamento das crianças.

Seu sonho tornou-se realidade em 1952, mais de vinte anos após sua morte, quando foi inaugurado o Sanatório Antoninho da Rocha Marmo, resultado dos trabalhos da Associação que levou seu nome, fundada por sua família e benfeitores.

Para iniciar as atividades, o sanatório foi doado à Congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, na pessoa de sua fundadora, a venerável Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico, que já atuava no cuidado aos tuberculosos adultos, e desejava uma obra para crianças.

No mesmo terreno foi construída uma Capela dedicada a Nossa Senhora da Saúde, no local onde o próprio Antoninho havia escolhido.

Na década de 1980, com o fim da fase sanatorial, em que o tratamento da tuberculose pulmonar passou a ser a nível ambulatorial, com o avanço da tecnologia e criação dos antibióticos, o sanatório passou a ser hospital infantil com diversas patologias e, a partir de 1996, passou a hospital geral com maternidade.

Desde o início, as irmãs Pequenas Missionárias de Maria Imaculada procuraram transmitir a história de sua vida e testemunho aos colaboradores e pacientes que passam pelo hospital. [ Photo Embed: Memorial dedicado ao Servo de Deus Antoninho da Rocha Marmo] Memorial e traslado dos restos mortais Em 2016, próximo à Capela Nossa Senhora da Saúde foi inaugurado um Memorial que reúne objetos que pertenceram a Antoninho, ou que dizem respeito ao seu processo de canonização, como sua veste batismal e os paramentos que utilizava para "celebrar" suas missas.

Em 19 de outubro de 2021, seus restos mortais foram transferidos do Cemitério da Consolação, em São Paulo capital, para a Capela Nossa Senhora da Saúde, ao lado do Hospital Antoninho da Rocha Marmo, em São José dos Campos.

Ir.

Alessandra, ao lembrar deste momento conta que “foi uma grande alegria, um retorno de Antoninho a um local que ele sonhou, que ele rezou, que ele desejou”.

Segundo ela, que além de ser colaboradora na causa é a diretora do hospital que leva o nome do Servo de Deus, “foi uma grande graça para nós, que levamos o seu nome e procuramos fazê-lo conhecido, e para todos os devotos também, um local para que a gente pudesse concentrar as suas relíquias, a sua memória, e também motivo de muitas graças para o nosso hospital”.

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