O chefe da Igreja greco-católica ucraniana foi recebido em audiência por Leão XIV no Palácio Apostólico vaticano. Gratidão pelas ligações telefônicas a Putin e Zelensky, pela atenção dada à tragédia de Oleshky, pelos apelos, pela missão humanitária da Santa Sé em prol dos prisioneiros e das crianças e pelas viagens de Gallagher e Zuppi a Moscou e Kiev, em especial a visita do cardeal a uma prisão russa: “Um sinal de que Deus se recorda de todos”. De presente, selos e livros
Salvatore Cernuzio – Vatican News O chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Sviatoslav Shevchuk, tinha muitas coisas a dizer e a oferecer ao Papa Leão XIV, que o recebeu no Palácio Apostólico vaticano: muitos presentes (selos, livros, álbuns de fotos), a oração e a gratidão da Ucrânia pelos apelos e pela ação humanitária da Santa Sé, e também uma lista com os nomes das centenas de prisioneiros de guerra detidos na Rússia, entregue, conforme informado em um comunicado da IGCU, durante a audiência.
É a quinta vez que o arcebispo-mor de Kiev-Halič se encontra com o Pontífice estadunidense, missionário da paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, inclusive por meio das recentes ligações telefônicas aos presidentes Putin e Zelensky para pedir uma trégua na cidade de Oleshky, ocupada pelos russos, onde se vive uma tragédia para a população, que carece de alimentos, água e medicamentos.
Esse gesto — as duas ligações (a ligação para Putin feita durante a internação no Gemelli) — foi motivo de especial gratidão expressada por Shevchuk ao Papa, assim como pela atenção dedicada à “catástrofe humanitária” de Oleshky.
Gratidão pelo apoio à Ucrânia “Obrigado”: o chefe da Igreja greco-católica ucraniana repetiu essa palavra várias vezes durante a conversa, também pelo apoio ao país tantas vezes definido como “atormentado” pelo Papa Francisco, pelos contínuos apelos para pôr fim à guerra e, sobretudo, pela ação da Santa Sé.
Uma “diplomacia humanitária” voltada para aliviar o sofrimento da população civil, obter a libertação dos prisioneiros e dos civis mantidos em cativeiro pela Rússia e o retorno das crianças ucranianas transferidas para longe de seus territórios de origem.
As missões de Zuppi e Gallagher Uma missão, iniciada durante o pontificado anterior e relançada por Leão XIV, que no verão passado europeu levou a Kiev e a Moscou o cardeal Matteo Maria Zuppi, presidente da CEI, e dom Paul Richard Gallagher, secretário das Relações com os Estados e as Organizações Internacionais.
Quatro viagens marcadas por encontros institucionais e pastorais e, no caso de Zuppi, também por uma visita a um centro de detenção russo onde estão presos os ucranianos capturados nos campos de batalha.
Foi a primeira vez que um representante de uma instituição internacional conseguiu visitar os prisioneiros de guerra ucranianos na Rússia, destacou Shevchuk: “É um sinal de que ninguém é esquecido.
O Senhor Deus se recorda de todos.
E a Igreja Mãe se empenha para que todos os nossos prisioneiros de guerra e reféns detidos ilegalmente sejam libertados o mais rápido possível”, disse ele.
E lembrou também as palavras do arcebispo Gallagher em Moscou, segundo as quais esta guerra não tem solução militar e, portanto, é necessário criar as condições para um processo político e diplomático.
O temor pelo inverno iminente Durante a conversa na Biblioteca do Palácio Apostólico, não deixou de mencionar os desafios que a Ucrânia terá de enfrentar neste enésimo inverno europeu de temperaturas rigorosas e com as infraestruturas bombardeadas.
O arcebispo pediu ao Papa, de fato, o apoio e a solidariedade da comunidade católica internacional neste período de provações para o povo ucraniano.
Uma resposta chegará em poucos dias, com a visita, de 27 a 30 de outubro, do esmoleiro dom Luis Marín de San Martín, prefeito do Dicastério para o Serviço da Caridade, que levará ao país do Leste Europeu alimentos, medicamentos e outros bens de primeira necessidade, mas, sobretudo, a proximidade de Leão XIV.
Missão na qual a Igreja greco-católica ucraniana está envolvida na linha de frente.
O Sínodo da Igreja greco-católica Justamente a respeito da Igreja greco-católica, da qual é chefe, Shevchuk informou ao Papa sobre o último Sínodo dos Bispos dedicado ao tema das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada.
Uma ocasião, explicou ele, para reafirmar a necessidade de cultivar as vocações no contexto das crises demográficas e humanitárias causadas pela agressão russa. “Obrigado pelo testemunho” Por sua vez, Leão XIV — segundo relatado por Shevchuk — agradeceu pelo testemunho especial de fé dos bispos, padres, monges e fiéis da Igreja greco-católica ucraniana em tempos de guerra.
O arcebispo-mor assegurou as orações e o acompanhamento de todos os greco-católicos ucranianos neste período de recuperação após a cirurgia torácica.
Os presentes Foram trazidos de Kiev inúmeros presentes: um selo postal e um folheto temático do Estado da Cidade do Vaticano, dedicado a três eventos importantes na vida da Igreja greco-católica ucraniana.
Emissão realizada em colaboração com os Correios do Vaticano.
Também foi oferecido um selo especial retratando o próprio Leão XIV, emitido na Ucrânia – explicou Shevchuk – “como sinal de gratidão à Santa Sé por sua missão humanitária”.
Foram entregues, além disso, um álbum de fotos intitulado Peregrinos da Esperança, dedicado ao encontro da comunidade ucraniana com o Papa, e o livro Hemingway não sabe nada, de Arthur Dron, veterano da guerra russo-ucraniana.
Os encontros anteriores O primeiro encontro oficial entre Leão e Shevchuk ocorreu em 15 de maio de 2025, quando o recém-eleito Pontífice recebeu o arcebispo-mor no Palácio Apostólico.
Em 28 de junho, o Papa dirigiu-se à Basílica de São Pedro para participar da celebração do Jubileu da Igreja greco-católica ucraniana e, nessa ocasião, ao observar crianças, idosos, casais e, sobretudo, as mulheres mães de soldados mortos na frente de batalha, expressou sua dor por “uma guerra sem sentido”.
Em 12 de fevereiro de 2026, ocorreu outra audiência privada no Palácio Apostólico e, também nessa ocasião, Schevchuk entregou uma lista com 400 nomes de prisioneiros de guerra.
O arcebispo retornou então ao Vaticano para o encontro em comemoração aos dez anos da Amoris laetitia, para a qual também foram convidados os líderes das Igrejas católicas orientais.