Tocar o Ressuscitado, contemplar o Menino. Obras de Rubens e Caravaggio expostas em Roma - Vatican News via Acervo Católico

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Tocar o Ressuscitado, contemplar o Menino. Obras de Rubens e Caravaggio expostas em Roma - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Em Roma, na Igreja de Sant'Agnese in Agone, na Piazza Navona, no encerramento do Jubileu, uma exposição que decorre até 8 de fevereiro de 2026 reúne duas obras do século XVII que meditam sobre a Encarnação e Ressurreição de Cristo, esperança do mundo.

Paolo Ondarza - Cidade do Vaticano A beleza do Jubileu permanece viva nos corações daqueles que vivenciaram a esperança no Ano Santo recém-concluído. Um sinal concreto dessa esperança que "perdura" é a esplêndida exposição na Igreja de Sant'Agnese in Agone, na Piazza Navona, em Roma, até 8 de fevereiro. Duas obras-primas   Duas obras-primas do século XVII são exibidas lado a lado no magnífico cenário desta igreja barroca, localizada em frente à Fonte dos Quatro Rios de Gian Lorenzo Bernini. A primeira é a Madona com o Menino, pintada a óleo sobre tela em 1617-18 por Peter Paul Rubens e proveniente de uma coleção particular na Suíça. A segunda é uma das três versões da famosa Incredulidade de São Tomé, pintada por Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio, com a colaboração de Prospero Orsi entre 1602 e 1607. Esta última obra também é um óleo sobre tela e pertence a uma coleção particular austríaca em Florença. Catequeses artísticas   A Encarnação, a Morte e a Ressurreição do Filho de Deus são os temas centrais destas duas obras de arte, executadas por dois dos maiores mestres da história da arte, intimamente ligados ao ambiente romano. Caravaggio começou a pintar a tela enquanto estava na Cidade Eterna, nos últimos meses do Jubileu de 1600. Rubens, por sua vez, desenvolveu sua composição após sua viagem a Roma, fazendo referência a diversas esculturas que havia estudado e admirado na cidade. Da Incredulidade à certeza   A luz e a humanidade do episódio do Evangelho são, como sempre, as protagonistas da poderosa pintura de Caravaggio. Ela retrata o momento em que o Cristo Ressuscitado, tendo já aparecido às mulheres, a Pedro, aos discípulos de Emaús e aos apóstolos reunidos no Cenáculo, finalmente se revela a Tomé, que não o via desde a sua morte na cruz. "Põe a tua mão no meu lado", diz o Cristo Ressuscitado, conforme relatado por João (João 20,24-29). "Meu Senhor e meu Deus!", responde o apóstolo, atônito, passando da incredulidade à certeza! Uma obra a duas mãos   A primeira versão autografada desta pintura encontra-se numa coleção particular suíça. Foi executada por Caravaggio para o cardeal Gerolamo Mattei entre 1600 e 1601 e pouco depois doada aos príncipes Massimo. Foi tão admirada por um certo Giustiniani que este pediu ao pintor que criasse uma segunda versão, quase idêntica, que se encontra agora em Potsdam, na Alemanha. Ao contrário das duas primeiras obras, a que está atualmente em exposição em Roma retrata o Salvador com a perna coberta e, segundo investigações científicas, mostra a intervenção de duas mãos: a primeira identificada como sendo de Caravaggio, a segunda atribuída a um colaborador próximo, presumivelmente Prospero Orsi, que completou a tela após a fuga de Caravaggio de Roma, ligada ao assassinato de Ranuccio Tomassoni. Testemunhas do fato narrado no Evangelho   Ao nos aproximarmos da tela, somos envolvidos pela cena, como se estivéssemos entre os apóstolos testemunhando o evento: as figuras têm o mesmo tamanho que nossos próprios corpos. Somos imediatamente impactados pelo olhar de Tomé, sua testa enrugada e o dedo penetrando a carne de Jesus. Então, percebemos um elemento profundamente comovente: a mão de Tomé é segurada e guiada pela de Cristo. É o Senhor quem toma a iniciativa e nos convida a cada um de nós a "tocá-lo", a experimentar sua presença, ressuscitada, em nosso cotidiano. O destino do Menino   Já na tela de Rubens, a Virgem Maria apresenta e oferece o Menino, segurando-o delicadamente. Ele está nu sobre um tecido drapeado sobre um entablamento de pedra. Jesus olha para a direita. Esta obra, de fato, segue a iconografia de um painel lateral de um tríptico pintado por Rubens em 1617. No centro do políptico, ele havia retratado a Deposição de Cristo. Assim, o Filho de Deus, ainda muito jovem, já está voltado para o seu destino: dar a vida pela humanidade, redimindo-a do pecado e da morte. Nessa perspectiva, o tecido remete ao sudário no túmulo vazio. Contaminação Artística   Calvinista de nascimento, tendo se convertido ao catolicismo aos quatorze anos, Rubens era profundamente devoto da Virgem Maria. Em "O Menino Jesus", ele retrata o pequeno Albert, um de seus nove filhos. Tendo estudado arte clássica em Antuérpia com o mestre Jan Brueghel, o Velho, embarcou em uma viagem de oito anos pela Itália em 1600. Durante esse período intenso, frequentou as cortes e coleções de arte de Veneza, Mântua, Roma e Gênova, tornando-se amigo dos cardeais Del Monte e Scipione Borghese e visitando frequentemente o canteiro de obras do Palazzo Farnese, onde Annibale Carracci trabalhava. Seu contato com artistas italianos despertou a exuberância de sua linguagem pictórica, uma síntese do talento flamengo, do colorismo veneziano e da monumentalidade de Michelangelo. A tela exposta em Sant'Agnese in Agone parece ser uma citação da Madonna del Parto esculpida por Jacopo del Tatti, conhecido como Sansovino, para a Basílica de Sant'Agostino in Campo Marzio, em Roma, em 1516. A exposição, intitulada “Cristo Nossa Paz”, faz parte da mostra “O Jubileu é Cultura”, promovida pelo Dicastério para a Evangelização. Com curadoria do Pe. Alessio Geretti, está aberta diariamente das 9h às 19h, com entrada gratuita.

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