Um ano de pontificado: “De Francisco a Leão” - Vatican News via Acervo Católico

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Um ano de pontificado: “De Francisco a Leão” - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

A análise é do sacerdote português e professor de teologia, Jorge Teixeira da Cunha, numa iniciativa da Agência Ecclesia.

Rui Saraiva – Portugal Numa entrevista concedida ao jornalista Octávio Carmo, para o programa rádio da Agência Ecclesia, no âmbito do ciclo “De Francisco a Leão”, o padre Jorge Teixeira da Cunha analisa o legado do Papa Francisco e o primeiro ano de Leão XIV. “Francisco fez descer o serviço de Pedro à terra”, diz o professor de teologia da Universidade Católica Portuguesa. Francisco: o serviço de Pedro desceu à terra “Eu creio que o pontificado do Papa Francisco foi um pontificado muito marcante. Eu creio que ele introduziu um estilo que vai ficar para todo o sempre, porque ele, de certo modo, colocou o papado e o serviço de Pedro na nossa... Desceu à terra aquilo tudo. Desceu à terra e, portanto, isso vai ficar para todo o sempre. Nunca mais nenhum Papa pode desempenhar o papel de Pedro com todo aquele conjunto de circunstâncias que fazia dele um ser humano fora da humanidade. Não, o Francisco fez descer o serviço de Pedro à terra e, portanto, ele é um de nós que está no centro da nossa vida. Ele não quis ser diferente do que era antes, não quis modificar o seu estilo de pessoa. Ele foi Papa como era bispo e como tinha sido padre e como tinha sido um ser humano. Isso é a grandeza dele. Ele era simultaneamente próximo do centro da igreja, próximo de Deus, se quiser, e também próximo dos outros. Ele manteve sempre o seu estilo de quem andava no autocarro, de quem usava os mesmos sapatos, de quem pagava a sua conta no hotel. E isso foi uma desmontagem, uma desconstrução da ideia do papado que eu acho que vai ficar para todo o sempre. Nunca mais nenhum Papa pode usar a tiara, pode usar todos aqueles adereços. E isso é o legado dele, portanto, é o legado dele. Ele não fez do seu serviço de Pedro uma coisa artificial, fez dela uma coisa sobrenatural e uma coisa natural ao mesmo tempo. Que é, aquilo é o lugar onde nós estamos, é o lugar onde Deus nos encontra. E, portanto, isso é que eu acho que é o mais importante dele. Foi essa mudança de estilo, essa humanização do papado, no sentido bom desta expressão, no sentido de que a humanização significa encarnação. Deus foi que inaugurou a encarnação. Nós não sabíamos o que isso era. E, portanto, o Francisco fez isso de uma maneira exemplar. E todos os outros aspetos do seu pontificado têm de ser lidos, acho eu, a essa imagem. Portanto, ele não quis nenhuma representação da vida. Ele quis a vida simplesmente. Não quis nenhuma ostentação no sentido de ser um serviço construído. Ele quis estar onde está a humanidade.” Sobre o Papa Leão XIV, que completou, recentemente, um ano de pontificado, o sacerdote da diocese do Porto refere que, sobretudo do ponto de vista da ética social, o Papa Leão continua na linha de Francisco. Destaca a clareza, coragem e serenidade de Leão XIV que vem do mundo periférico da América Latina, mas também do centro do mundo porque é norte-americano. Leão: o mundo periférico e o centro do mundo “Vem-nos o Papa Leão que, por um lado, é das periferias da América Latina, mas também podemos dizer que é das periferias da elite. Ele é o norte-americano do país que tem sido o mais poderoso do mundo que talvez esteja agora em causa e, portanto, esse aspeto é também de ter em conta. Ele não vem só do mundo periférico. Vem também do centro do mundo. Isso pode ser uma vantagem para ele e, portanto, ele tem mostrado que ele não quis repetir, de certo modo, o Francisco. Mostrou que queria romper todas as tensões que havia, que queria ser um Papa diferente, que não queria imitar e fez muito bem. Fez isso muito bem. Este aqui tem-se preocupado principalmente com manter a unidade da Igreja. Acho que sim. Rebentaram-lhe nas mãos alguns problemas das periferias litúrgicas que querem reivindicar os seus direitos. Ele tem conduzido esse processo com sabedoria. Nenhum Papa quer um cisma no seu pontificado e, portanto, ele tem-se esforçado de todo modo. Não sei se os outros também têm se esforçado da mesma maneira. Eu creio que ele tem se esforçado mais do que os outros. Ele tem feito essa tarefa de tentar manter o tecido eclesial inconsútil, como se diz, da túnica do Cristo. Não dividido. Tem feito todo o esforço para isso. Eu admiro-o muito por isso. Tem-se mantido muito de pé. Eu acho que ele tem feito um trabalho de dizer aos grandes do mundo sim, eu estou aqui. Não estou como Prevost. Eu estou como Pedro. Estou como servidor de Pedro e continuador de Pedro. E, portanto, aquele que diz, é como o Pedro da primeira ordem, diz, é mais importante obedecer a Deus do que aos homens. Portanto, tem-no feito com muita clareza, com muita coragem e serenidade. Portanto, ele não se tem posto em bicos de pé de maneira nenhuma diante dos grandes da Terra, mas tem dito, estou aqui. Se quiserem pleitear comigo, estou aqui. Ele ainda não produziu muitos textos, mas os textos dele, para mim, são muito interessantes do ponto de vista da ética social. E nisso aí ele continua na linha de Francisco. Ele diz, que o ponto de vista do pensamento da Igreja começa sempre no pobre. No pobre, certamente no pobre sociológico, mas para lá disso. O pobre é o Cristo, em primeiro lugar. No pobre da Carta aos Filipenses, naquele que desceu à nossa condição, à condição de escravo, e aí nos encontrou. E, portanto, é isso aí. Se formos ver a primeira Exortação que ele criou sobre o pobre, se virmos a mensagem do Dia Mundial dos Pobres, são textos que não sei quem lhes ajudou a escrever, mas são textos de grandíssima valia porque se situam nessa plataforma abaixo da qual nós não podemos descer, ou na plataforma em que Deus nos encontra e nós encontramos Deus. Que é o lugar da pobreza, não temos outra palavra, mas é o lugar da indigência existencial diante da qual Deus clama por nós e nós clamamos por Deus. E, portanto, nesse ponto, ele tem-nos orientado muito bem. E, portanto, o Papa Leão tem desempenhado um papel que tem levado aos quatro cantos do mundo. Foi agora à África e testemunhou isso. Portanto, ele resolveu ir ao continente africano, que é um continente de grandes virtualidades. A África ensina-nos algumas coisas. Ensina-nos a fé em Deus como fator importantíssimo da nossa humanidade. Ensina-nos o valor da família. Mas ele também foi dizendo que é necessário que a fé em Deus seja purificada de todos os elementos que ele disse agora em Angola, precisamente. Temos de purificar a fé da superstição. Temos de melhorar a família porque a África tem a grandeza da família, mas tem alguns problemas com a família também. Tem o problema da mulher, tem o problema da criança, tem várias coisas que funcionam mal na família africana e, portanto, é necessário. A África é um continente de uma reserva inesgotável de humanidade, mas que é um continente que tem de se confrontar com o Evangelho e tem de perceber que, portanto, as suas representações da vida não são definitivas e têm de se abrir continuamente ao Evangelho que nos eleva que nos orienta que nos abre perspetivas insuspeitadas. Portanto, o Papa Leão tem feito isso de maneira muito excelente.” O padre Jorge Teixeira da Cunha analisou para a Agência Ecclesia o legado do Papa Francisco e o primeiro ano do Papa Leão. Laudetur Iesus Christus

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