O renomado cantor e compositor cabo-verdiano, Zeca de Nha Reinalda, comemorou em dezembro com um concerto na Assembleia Nacional, os seus 50 anos de carreira. Considerado o Rei do Funaná, ele lançou um álbum para marcar esta efeméride. O seu nome aparece muitas vezes associado ao do irmão Zézé, com o qual gravou alguns discos. Pelo papel que têm tido na criatividade e difusão da música de Cabo Verde, o governo atribuiu-lhes uma pensão e há quem considere que seria bom dedicar-lhes rua.
Dulce Araújo - Vatican News O concerto teve lugar a 26 de dezembro de 2025 e, para além de outros artistas, amigos e um vasto público, contou com a presença de grandes personalidades como o Presidente da República, José Maria Neves, o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga, e outros. No palco, Zeca cantou e contou episódios da sua vida artística e humana e recebeu os aplausos e elogios de convidados presentes e on line. Deste grande artista, assim como do seu irmão de sangue e na arte, Zézé de Nha Reinalda, com o qual gravou discos, Filinto Elísio (Rosa de Porcelana Editora) traça o perfil, salientando a mais-valia que têm representado para a criação e a difusão da música cabo-verdiana, em particular o funaná, género surgido no interior da ilha de Santiago e que se foi transformando graças à criatividade artística dos seus promotores. O programa “África em Clave Cultural: personagens e eventos” desta semana debruçou-se sobre estas duas figuras emblemáticas da música do arquipélago, mediante a crónica de Filinto Elísio e de algumas peças musicais de ambos. Crónica Zezé e Zeca di Nha Reinalda – As sonaridades inquietantes de um Cabo Verde Novo O Governo de Cabo Verde, em reconhecimento aos músicos Zeca di Nha Reinalda e Zezé di Nha Reinalda, atribuiu-lhes pensões do Estado. Estes dois irmãos e artistas têm uma notável carreira dedicada à promoção e internacionalização da música cabo-verdiana. Nos 50 anos de soberania do país, são poucos os artistas que marcaram tanto a vida cultural, contribuindo para a afirmação de vários géneros musicais. Zezé di Nha Reinalda, de nome próprio José Bernardo Dias Fernandes, nasceu na cidade da Praia-ilha de Santiago, no dia 10 de Janeiro de 1952, filho de Belmiro Dias Fernandes e de Reinalda da Veiga Fernandes. Começou a sua carreira artística em 1976, no conjunto musical “Opus 7”. Vocalista do grupo, tornou-se também neste período compositor. Em 1980 integrou o agrupamento “Bulimundo” e nesse mesmo ano gravou o seu primeiro trabalho a solo “Djentis d’Azágua”. Em 1982, quando Zeca por sua vez deixa o Bulimundo, os dois vão gravar juntos o LP N'ca por si, também este sob a direção musical de Paulino Vieira. Um segundo álbum da parceria entre os dois irmãos é Konbersu'l tristi korbo nha xintido (1983). Em 1988, Zezé lança outro álbum a solo, Onti y oji, gravado também em Portugal pelo núcleo de músicos à volta de Paulino Vieira. A partir daí edita um novo disco a cada década: Lugar pa nos tudo é de 1999 e Dukumentu sai em 2008. Compositor e intérprete, Zezé sempre foi um cidadão inquieto, tendo cultivado os vários géneros da música do seu país, nomeadamente a morna, a coladeira, o funaná e o finaçon. Em 1985, fundou, em parceria com o irmão Zeca, o conjunto “Finaçon” que, como o “Bulimundo” e os “Tubarões”, marcou o cenário musical de Cabo Verde nos anos 80 e 90. Zeca di Nha Reinalda, batizado Emanuel Dias Fernandes, irmão mais novo, nasceu também na cidade da Praia, no dia 26 de março de 1956. Cantava desde criança, começando no grupo Voz D'África, mas é com o grupo Opus 7, formado em conjunto com Zezé, que começou a sua carreira profissional. Foi o grupo “Bulimundo” que Zeca consolidou a sua marca na história da música cabo-verdiana, tornando-se um dos responsáveis pela revolução do Funaná, género que expandiu fronteiras e colocou Cabo Verde no mapa musical internacional. Trabalho que também vai realizar com grupo “Finaçon”, dando continuidade ao seu contributo para a valorização da identidade musical cabo-verdiana. Depois, iniciou uma sólida carreira a solo, explorando ainda mais a sua música e ainda a parceria com as gerações que lhe seguem. Recentemente, lançou o álbum “Zeca Nha Reinalda – 50 anos de carreira” reúne composições de nomes incontornáveis como Calú di Guida, Mário Lúcio e Dick Tavares, além de uma faixa assinada pelo próprio Zeca. Figuras marcantes da música tradicional cabo-verdiana, Zézé di Nha Reinalda e Zeca di Nha Reinalda, têm sido condecorados e homenageados, pelas autoridades cabo-verdianas e, sobretudo, são reconhecidos pelos cabo-verdianos no arquipélago e na diáspora como elementos distintivos da Nação Crioula de Cabo Verde. Enquanto modelos da música que canta as nossas almas, estes dois artistas ombreiam com os maiores músicos que fazem de Cabo Verde um país da música.