"Como uma criança nos braços da mãe": a fé segundo Joseph Ratzinger - Vatican News via Acervo Católico

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"Como uma criança nos braços da mãe": a fé segundo Joseph Ratzinger - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Os textos publicados no livro, "demonstram de forma particularmente transparente que Joseph Ratzinger nunca foi o "líder" de um "partido" na Igreja, alguém que acreditava ter a "teologia correta" para consertar as coisas e construir a "sua" Igreja. Em escritos há uma "teologia do coração": a de um homem totalmente centrado em Cristo, sempre se esforçando para viver, testemunhar e convidar outros a compartilhar essa relação integral com Jesus que chamamos de fé", escreve o cardeal Parolin.

Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado O cardeal Pietro Parolin escreveu o prefácio de "A Fé do Futuro, o Futuro da Igreja", livro que reúne textos selecionados e uma obra inédita de Joseph Ratzinger-Bento XVI, publicado pela Edizioni Cantagalli, com edição de Giuseppina Cardillo Azzaro (tradução de Pietro Luca Azzaro, revisão de Lorenzo Cappelletti). Seguem algumas passagens do prefácio: O que é a fé para Joseph Ratzinger? É, antes de tudo, a entrega confiante a alguém, "como uma criança nos braços da mãe, certa de que nela reside toda a resposta às minhas perguntas. Fé, confiança e amor tornam-se, assim, uma única coisa, e todos os conteúdos individuais em torno dos quais a fé gira são meras encarnações do ponto de virada que sustenta tudo: o 'Eu creio em ti', a descoberta de Deus no olhar do homem Jesus de Nazaré." Se a fé é isso, então — como nos recorda Leão XIV desde sua primeira mensagem da Sacada central da Basílica de São Pedro, em 8 de maio de 2025 — a Igreja, em sua essência, é o nosso caminhar de mãos dadas pela senda da vida na companhia de Cristo, que nos faz arder o coração como aconteceu com os discípulos no caminho  com Ele para Emaús. E então, por que hoje muitos percebem a fé como um fardo, e a Igreja parece não lhes dizer mais respeito? E como pode florescer um novo começo? Este é, em última análise, o cerne de cada texto reunido neste volume, que, em seu conjunto, nos apresenta a figura e a mensagem de um grande mestre da fé que, por meio de sua profundidade, acessibilidade imediata e poderoso testemunho, segue os passos dos grandes Padres e Doutores da Igreja que o inspiram continuamente; em primeiro lugar, Santo Agostinho, seu autêntico mestre. De grande atualidade e humanidade, por exemplo, são os textos propostos sobre a conversão de Agostinho e sobre o papel de sua mãe, Mônica: "Santo Agostinho, em suas memórias, descreve o que sua mãe, Mônica, significava para ele: nela, ele experimentou a Igreja como pessoa, a Igreja pessoalmente, de modo que para ele não foi apenas um aparato, do qual se pressente algo à distância, estruturas de certa forma incompreensíveis. Nessa mulher, o que a Igreja é estava pessoalmente presente. Para ele, ela era a Igreja em pessoa, e por essa razão ele foi capaz de confiar na Igreja e tornar-se um homem da Igreja". Também os textos publicados neste volume demonstram de forma particularmente transparente que Joseph Ratzinger nunca foi o "líder" de um "partido" na Igreja, alguém que acreditava ter a "teologia correta" para consertar as coisas e construir a "sua" Igreja. Em escritos há uma "teologia do coração": a de um homem totalmente centrado em Cristo, sempre se esforçando para viver, testemunhar e convidar outros a compartilhar essa relação integral com Jesus que chamamos de fé. Redescobrir essa fonte da vida da Igreja é o que realmente importa. Precisamente para esse propósito, Joseph Ratzinger também nos recorda continuamente que "o Senhor, que se fez hóspede e viajante, nos chama a estar abertos a todos os que não têm lar neste mundo, a estar abertos aos que sofrem, aos esquecidos, aos prisioneiros, aos perseguidos: Ele está em todos". Surge o profundo vínculo com seus sucessores, Francisco e Leão XIV, que adquire ainda mais força nas palavras com as quais Ratzinger delineia uma característica essencial do poder conferido a Pedro: "O poder que lhe foi conferido de ligar e desligar - escreve ele - de abrir e fechar, do qual se fala, é, em sua essência, a tarefa de deixar entrar, de acolher em casa, de perdoar (Mt 16,19). O mesmo se encontra novamente na Última Ceia, que inaugura a nova comunidade a partir do corpo de Cristo e no corpo de Cristo. Isso se torna possível porque o Senhor derrama seu sangue "por muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26,28). Por fim, o Ressuscitado, em sua primeira aparição aos Onze, estabelece a comunhão da sua paz no fato de lhes dar o poder de perdoar (Jo 20,19-23). ​​A Igreja não é uma comunidade daqueles que "não precisam de médico" (Mc 2,17), mas uma comunidade de pecadores convertidos, que "Viver pela graça do perdão, transmitindo-a, por sua vez, aos outros."  * Agência Fides

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