A visita do Papa “é um momento sem igual para nós” - Vatican News via Acervo Católico

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A visita do Papa “é um momento sem igual para nós” - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

São palavras de Georgina Mwandumba, diretora do Lar de Assistência à Pessoa Idosa de Saurimo, Lunda-Sul, que Leão XIV vai visitar durante a sua estada em Angola. Os 74 idosos que ali residem acolheram a notícia da visita do Papa com muita alegria e se estão a preparar para o receber, enquanto o Lar está também em obras de requalificação. Para a diretora, a visita do Papa a esse lugar, onde se acolhem “os rejeitados”, a visita do Papa “é uma lição sem tamanho” para as famílias e a sociedade.

Dulce Araújo - Vatican News “Ser idoso é uma bênção grande. É bom conviver com os avós (...), vamos valorizar a vida”. É esta a mensagem que Georgina Mwandumba deixa aos angolanos no final da entrevista à Vatican News em que apresenta o Lar de que é diretora desde há sete anos. Anos que passaram sem que se desse conta. É que gosta mesmo de trabalhar com idosos. Formada em Assistência Social para a Infância, o ex-Governador da Província, Daniel F. Neto, identificou nela a pessoa adapta para gerir o Lar, que já existe há 14 anos e pertence ao Estado angolano. Boas relações com a Igreja Mwandumba sublinha, contudo que têm ótimas relações com a Igreja que, para além do acompanhamento espiritual dos internados, faz também doações para o funcionamento. Contribuições económicas vêm igualmente de associações e bem-feitores, mas é sobretudo com o contributo mensal do Estado, embora aquém do necessário, que o Lar funciona. Os idosos praticam alguma agricultura em terrenos vagos para passatempo e como forma de contribuir para o seu sustento. Mas, tudo o que precisam, desde a alimentação à saúde é garantido pelo Lar. Aliás, o Posto de Saúde do Lar até presta serviço aos habitantes das aldeias vizinhas. Predisposto em duas alas, uma feminina e outra masculina, o Lar está, por ocasião da visita do Papa a assumir um novo rosto e alguns serviços que a dirigente andava a reclamar há muito como, por exemplo, a ligação à rede elétrica de Saurimo (não gerador) e água canalizada, já são uma realidade e facilitam a vida, faz notar a senhora Georgina, vendo nisto já uma bênção proporcionada pela visita do Papa: “Oh, oh, uma bênção caída do Céu e já somos felizes!” - exclama.  Feitiçaria e abandono familiar O Lar dista cerca de 10km da cidade de Saurimo. Os 74 idosos que alberga, dos quais 42 mulheres, têm entre 60 e 93 anos de idade, mas por vezes aparentam muito mais, pois chegam em más condições físicas, levados pela polícia a quem pedem proteção devido a maus tratos por parte de familiares que os abandonam sob acusação de feitiçaria. Mas, no fundo, isto está, segundo Georgina Mwandumba, a se tornar uma desculpa para não se assumir a responsabilidade de cuidar do idoso. Daí que ela lance um apelo a valorizar as pessoas de terceira idade e considere a visita do Papa a esses “rejeitados, uma lição sem tamanho”. E dá mesmo o exemplo da sua vivência pessoal com os avós que foi para ela muito boa. Esses idosos estão felizes no Lar, dão-se bem entre eles, assistem à Missa juntos, mesmo não sendo todos católicos, mas não há dúvida de que gostariam de estar junto das próprias famílias, que, infelizmente, nem sequer as vão visitar - revela, um bocado triste, a diretora. Visita do Papa ao Lar A visita do Papa ao Lar na manhã do dia 20 de abril de 2026, vai ser, portanto, um momento de grande alegria para esses homens e mulheres que, nessa ocasião, estarão no centro da atenção. E a preparação para acolher o importante hóspede já está a bom ponto: oradores em representação de todos, cânticos e outras surpresas. E quem sabe que essa visita não dê lugar também à criação duma capela no seio do Lar, onde atualmente a assistência espiritual não é feita por um capelão, mas por padres que vão rezar a Missa aos domingos numa pequena sala predisposta para isso. E nessa estrutura de acolhimento articulada em duas alas, uma feminina e outra masculina, com três ou a máximo quatro pessoas por quarto, o sonho da diretora é ter também mais pessoal para atender os idosos. Atualmente têm um diretor, um administrador, um assistente social e algum pessoal de cozinha e limpeza. Contudo, a questão que mais preocupa Georgina Mwadumba é que se acabe com a questão absurda da feitiçaria e também de a usar como subterfúgio para abandonar idosos. “Somos crentes, vamos à Igreja”, acreditar que haja um ser (feiticeiro/a) capaz de ultrapassar a bênção de Deus - diz - “é descrença, não é crença!”. E instada a pronunciar-se sobre a relação entre isto e o lema da visita do Papa a Angola - “Peregrino de Esperança, Reconciliação e Paz”, Georgina recorda que “a paz tem de iniciar nas nossas famílias.” 

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