Angola. Morreu Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito do Lubango, aos 91 anos - Vatican News via Acervo Católico

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Angola. Morreu Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito do Lubango, aos 91 anos - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito do Lubango e uma das figuras mais marcantes da Igreja Católica e da construção da paz em Angola, faleceu nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, aos 91 anos, vítima de doença. O prelado partiu para junto do Pai no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha "Pedalé", em Luanda, onde se encontrava internado devido ao agravamento do seu estado de saúde.

Anastácio Sasembele – Luanda, Angola Com a sua morte, encerra-se um importante capítulo da história da Igreja Católica em Angola. Dom Zacarias era o último bispo da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) eleito antes da Independência Nacional, proclamada em 1975, razão pela qual era considerado o decano dos bispos angolanos. Nascido a 5 de setembro de 1934, em Chimbundo, município do Bailundo, província do Huambo, Dom Zacarias Kamwenho foi ordenado sacerdote em junho de 1961. Em 26 de agosto de 1974, foi nomeado bispo auxiliar de Luanda, iniciando um percurso episcopal marcado pela proximidade ao povo e pela defesa incansável da dignidade humana. Entre 1975 e 1995 governou a Diocese do Sumbe, tornando-se o seu primeiro bispo. Posteriormente, foi nomeado Arcebispo Coadjutor do Lubango, função que exerceu entre 1995 e 1997, assumindo depois a liderança da Arquidiocese do Lubango, que dirigiu até 2009. Nesse ano, ao completar 75 anos, apresentou a sua renúncia ao governo pastoral da arquidiocese por limite de idade, passando à condição de Arcebispo Emérito. Para o Monsenhor Eduardo Alexandre, Secretário-executivo da CEAST, Dom Zacarias Kamwenho foi "um pastor dedicado à Igreja, construtor da paz e testemunha fiel do Evangelho". Ao longo da sua vida, Dom Zacarias destacou-se não apenas como líder religioso, mas também como uma das vozes mais influentes da sociedade civil angolana. Defensor dos direitos humanos, da justiça social e da reconciliação nacional, inspirou gerações de angolanos a lutarem pela paz e pela dignidade humana. No final da década de 1990, esteve na vanguarda de um movimento que reuniu líderes religiosos e representantes da sociedade civil em torno da causa da paz. Através dos seus esforços e da sua autoridade moral, ajudou a despertar uma consciência colectiva sobre a necessidade de pôr fim ao conflito armado e promover uma reconciliação nacional inclusiva. O Padre Celestino Epalanga, Secretário-executivo da Comissão de Justiça e Paz e Integridade da Criação da CEAST, afirmou que "o país perdeu um apóstolo incansável da reconciliação, da paz e da defesa da dignidade humana". O reconhecimento internacional pelo seu compromisso com a paz chegou em 2001, quando o Parlamento Europeu lhe atribuiu o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento. A distinção reconheceu a sua luta firme, imparcial e persistente em prol da paz, da democracia e dos direitos humanos em Angola. Com coragem e independência, Dom Zacarias criticou tanto o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder, como a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), os dois protagonistas da guerra civil angolana. Em 2001, desempenhou um importante papel de mediação entre as partes, contribuindo decisivamente para a criação das condições que culminariam no cessar-fogo de 2002 e no subsequente processo de paz. Para o analista político Albino Pakisi, Angola perde "um grande conselheiro, uma referência moral e uma voz sempre comprometida com os valores da justiça, da reconciliação e da unidade nacional". Mesmo após a sua jubilação, em 2009, Dom Zacarias Kamwenho manteve-se activo na vida pública. Enquanto Arcebispo Emérito do Lubango, continuou a servir a sua comunidade e a intervir regularmente na comunicação social, denunciando a corrupção, a erosão dos valores éticos e os desafios sociais herdados de décadas de conflito. A sua morte representa uma perda irreparável para a Igreja Católica, para Angola e para todos aqueles que encontraram na sua palavra e no seu testemunho um exemplo de coragem, compromisso e esperança. Dom Zacarias Kamwenho deixa um legado indelével de fé, serviço, reconciliação e amor ao próximo, permanecendo na memória colectiva do país como um dos maiores artífices da paz em Angola.

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