Argentinos recordam Papa Francisco com música e oração - Vatican News via Acervo Católico

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Argentinos recordam Papa Francisco com música e oração - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Às vésperas do primeiro aniversário da morte de Jorge Mario Bergoglio, realizaou-se na Plaza de Mayo, na cidade natal do pontífice argentino, um evento que contou com a participação de milhares de pessoas animadas pela música eletrônica do padre DJ Guilherme Peixoto.

Por Silvina Oranges Às véspera do primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, ocorrida em 21 de abril de. 2025, uma enorme multidão se reuniu na histórica Plaza de Mayo, em Buenos Aires, para participar de um evento que entrelaçou música eletrônica e mensagens espirituais. Protagonista, o padre Guilherme Peixoto, sacerdote e DJ português que alcançou fama internacional em 2023 durante a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, onde, na véspera da Missa presidida pelo Papa Francisco, se apresentou para mais de um milhão de jovens. No coração da capital argentina, em frente à Catedral Metropolitana, casa de Jorge Mario Bergoglio por quinze anos, o padre Guilherme animou o evento intitulado intitolato “Francisco vive en el encuentro”, organizado pela Associação Civil Miserando sob o lema "Todos, todos, todos", mensagem personificada pela multidão diversa que tomou as ruas da cidade. Milhares de pessoas na praça   No local do evento, reinava uma atmosfera da "cultura do encontro" que Bergoglio promoveu incansavelmente ao longo de sua vida, uma cultura que seu próprio povo aprendeu a compreender, não sem dificuldade. Com entrada gratuita e o apoio da Arquidiocese de Buenos Aires e da prefeitura, o encontro atraiu dezenas de milhares de pessoas de todo o país e de todas as gerações. Por mais de duas horas e meia, o público, desde jovens entusiastas da música techno até famílias, passando por grupos de jovens paroquiais acompanhados por sacerdotes e religiosas, participou de um ritual verdadeiramente coletivo. Entre a multidão estava o arcebispo de Buenos Aires, dom Jorge Ignacio García Cuerva, visivelmente envolvido no espetáculo. Não apenas a Plaza de Mayo, mas também a avenida que leva a ela e as ruas adjacentes se encheram de pessoas, com telões gigantes e sistemas de som instalados para que todos pudessem acompanhar o evento. O rosto jovem de um legado que continua   A apresentação do Pe. Guilherme ofereceu uma experiência imersiva e visualmente impactante, utilizando uma linguagem contemporânea para transmitir o legado de seu pontificado às novas gerações. Convidados especiais também se revezaram no palco, incluindo a companhia de dança Hogar de Cristo, da Paróquia Virgen del Carmen, em Ciudad Oculta. Nas horas que antecederam a apresentação, o sacerdote português ensaiou com eles na escola Filii Dei, no bairro Padre Carlos Mugica, em Retiro, onde jazem os restos mortais do padre assassinado em 1974. O Pe. Guilherme visitou seu túmulo e concelebrou a Missa com os chamados curas villeros. Os Hogares de Cristo são centros comunitários comprometidos com o combate ao vício e a reconstrução do tecido social nos bairros mais pobres da Argentina. Sua presença no palco uniu dois símbolos poderosos do pontificado de Francisco: os padres das periferias, uma expressão de uma Igreja enraizada nos mais pobres, e a alegria da dança popular, uma linguagem que o Papa sempre reconheceu e valorizou. Recordações do Pontificado   Os telões gigantes nas laterais do palco exibiam imagens religiosas, cruzes, uma pomba branca simbolizando o Espírito Santo e a Virgem de Luján, padroeira da Argentina, juntamente com fotografias e vídeos do Papa Francisco durante seu pontificado e suas viagens pelo mundo. Havia também referências a São João Paulo II e ao atual pontífice, Leão XIV. O espetáculo mesclava ritmos eletrônicos com conteúdo religioso, cantos litúrgicos, trechos dos discursos de Francisco ao redor do mundo e momentos de oração e reflexão. O próprio Pe. Guilherme descreveu sua performance como uma "experiência de encontro", mais próxima de um ritual coletivo do que de uma celebração eletrônica tradicional. Particularmente comovente foi o momento em que a mensagem enviada por Francisco a Buenos Aires no início de seu pontificado, em 19 de março de 2013, ressoou enquanto uma vigília se realizava em frente à catedral. "Sei que vocês estão reunidos para rezar por mim", disse ele na ocasião. Palavras que, um ano após seu falecimento, ressoaram mais uma vez com intenso poder evocativo. As vozes dos jovens   "Vim pela música eletrônica, mas também pela mensagem de fé", diz Maxi, um jovem de Campana que chegou com um grupo de amigos. "Seguíamos o padre nas redes sociais e queríamos conhecê-lo pessoalmente." Ao lado dele, Victoria, do bairro Caballito, enfatiza: "Em um momento difícil para o país, essa mensagem de fé, encontro e esperança é fundamental. E o fato de ser gratuito permite que todos participem." "Não frequentamos a igreja, mas acreditamos em Deus. Conhecíamos o padre pelas redes sociais e viemos pela sua música e pela sua mensagem", explicam Natanael e Paula, que vieram de outro bairro da cidade. Um grande abraço coletivo   Em suas declarações públicas, o padre Guilherme enfatizou repetidamente como seu trabalho é influenciado pelos ensinamentos do Papa Francisco: "Ele nos ensinou a não ter medo de alcançar as periferias, mesmo as culturais. Encontrei uma maneira de fazer isso na música eletrônica." Maria Inés Narvaja, presidente da Associação Miserando e sobrinha de Francisco, chamou a iniciativa de "uma homenagem centrada em Buenos Aires, a cidade onde Jorge Mario Bergoglio desenvolveu sua visão pastoral e aprendeu a ouvir o clamor das periferias, mas com um alcance intrinsecamente global. O legado de Francisco transcende fronteiras, religiões e culturas, tornando este encontro um evento de significado simbólico e cultural global." "Em um contexto social marcado pela polarização, fragmentação e falta de comunicação, a necessidade de voltar a ouvir a mensagem de Francisco", acrescentou ela, "se transforma em uma esperança concreta para muitos."

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