Criminosos utilizam perfis falsos no WhatsApp e pedidos de Pix para custear 'aluguel de ônibus' para enganar fiéis em Pernambuco, Ceará e Alagoas; tática repete fraudes registradas contra lideranças religiosas desde 2020.
Pe. Rodrigo Rios - Vatican News Uma série de tentativas de fraude tem colocado a comunidade católica e as autoridades em alerta máximo nesta semana. Criminosos estão utilizando perfis falsos em aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, para se passar por arcebispos do Brasil e extorquir fiéis. Entre as vítimas recentes da apropriação indevida de imagem estão dom Paulo Jackson (Olinda e Recife), dom Gregório Paixão (Fortaleza) e dom Carlos Alberto Breis (Maceió). O mesmo modus operandi Embora ocorram em estados diferentes, as abordagens seguem um padrão idêntico: os criminosos utilizam fotos dos bispos e entram em contato com amigos, fiéis e colaboradores. O pretexto utilizado é quase sempre o mesmo: a necessidade urgente de recursos financeiros para custear o aluguel ou frete de ônibus para eventos pastorais ou transporte de voluntários. Em Maceió, a arquidiocese identificou o número (82) 98833-5975 como um dos canais utilizados para a fraude. Já no Recife, o golpe parte do número (81) 98873-1398. Em Fortaleza, com o número (85) 98441-4801, os relatos indicam que os golpistas também mencionam outras "necessidades ligadas a atividades pastorais" para convencer as vítimas a realizarem transferências imediatas. As três instituições emitiram notas oficiais esclarecendo que: - Os bispos não realizam pedidos de dinheiro ou doações via PIX por mensagens. - Toda arrecadação institucional é feita exclusivamente por canais oficiais e documentos devidamente identificados. - As autoridades policiais já foram informadas para que as medidas legais sejam tomadas. Histórico: um crime que se repete O uso da fé para aplicar golpes não é uma prática nova. As investigações mostram que este tipo de crime cíclico já afetou diversas outras lideranças nos últimos anos: - 2025: O arcebispo de Montes Claros, dom José Carlos Souza Campos, teve o nome e a foto usados ilegalmente para o envio de boletos falsos a fiéis. No mesmo ano, dom Luiz Fernando Lisboa também foi alvo de tentativas semelhantes. - 2020: Na Paraíba, o arcebispo dom Manoel Delson foi usado por falsários que solicitavam auxílio financeiro sob a falsa promessa de ajudar jovens a entrar no Seminário. A orientação para a população é clara: ao receber qualquer pedido de dinheiro via redes sociais, mesmo que a conta utilize a foto de uma autoridade religiosa, o usuário deve bloquear o número, denunciar o perfil na plataforma e buscar confirmação diretamente nos telefones institucionais da Cúria Metropolitana.