As renovações na Igreja humana-divina - Vatican News via Acervo Católico

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As renovações na Igreja humana-divina - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

"O Concílio começa logo falando da revelação pessoal e histórica de Deus que culmina em Jesus Cristo (DV, 2-4), como também da fé como resposta adequada à revelação sobrenatural (DV, 5), assegurando assim, desde o início, o caráter específico da revelação e da fé bíblico-cristãs; de outro lado, a ausência de um contexto apologético de defesa contra erros doutrinais permite ao Vaticano II oferecer-nos uma teologia mais expositiva do mistério e dos conteúdos da revelação sobrenatural.".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano "A Igreja é uma comunidade de homens e mulheres que partilham a alegria e o esforço de ser cristãos, com as suas qualidades e os seus defeitos, anunciando o Evangelho e tornando-se sinal da presença de Cristo que nos acompanha ao longo do caminho da vida. No entanto, este aspeto – que se manifesta inclusive na organização institucional – não é suficiente para descrever a verdadeira natureza da Igreja, dado que ela possui também uma dimensão divina. Esta última não consiste numa perfeição ideal, nem numa superioridade espiritual dos seus membros, mas na constatação de que a Igreja é gerada pelo desígnio de amor de Deus para a humanidade, realizado em Cristo. Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu". Inspirado nas palavras de Leão XIV na catequese da Audiência Geral de 4 de março de 2026, Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje "As renovações na Igreja humana-divina":  "Há uma comparativa do Concílio Vaticano I com o Concílio Vaticano II. As controvérsias e rupturas dos lefebvrianos justamente é porque não aceitam as renovações do Concílio Vaticano II. Da comparação dos dois textos - Vaticano I e Vaticano II - surgem algumas diferenças dignas de relevo. Primeiramente, sobre a relação entre revelação sobrenatural e natural — O Vaticano I parte da revelação natural e da possibilidade do conhecimento de Deus (esse Concílio fala de conhecimento, não de demonstração) à luz da razão humana, para chegar depois à revelação sobrenatural. Ele defendia a primeira contra os que humilhavam a razão humana negando-lhe toda possibilidade de chegar, por via ascendente, ao conhecimento de Deus; defendia a segunda, contra os que concedendo à razão humana plena autonomia e plena suficiência, reduziam a revelação cristã à realidade puramente imanente ao homem. A perspectiva do Vaticano II é de certa forma inversa. O Concílio começa logo falando da revelação pessoal e histórica de Deus que culmina em Jesus Cristo (DV, 2-4), como também da fé como resposta adequada à revelação sobrenatural (DV, 5), assegurando assim, desde o início, o caráter específico da revelação e da fé bíblico-cristãs; de outro lado, a ausência de um contexto apologético de defesa contra erros doutrinais permite ao Vaticano II oferecer-nos uma teologia mais expositiva do mistério e dos conteúdos da revelação sobrenatural. Somente no fim do capítulo I, na Constituição dogmática Dei Verbum, número 6, recupera-se o dado do Vaticano I sobre a revelação natural e sobre a possibilidade que o homem tem de conhecer a Deus, uma recuperação indubitavelmente importante. O Papa Leão XIV, dedicando suas catequeses nas Audiências Gerais de quartas feiras, está adentrando nos documentos fundamentais do Concilio Vaticano II. Falou-nos por um período da Dei Verbum. Na Praça de São Pedro, na quarta-feira, 4 de março de 2026, aprofunda a Lumen Gentium, a Constituição que fala da identidade da Igreja. Pela primeira vez a Igreja se debruçou num Concílio sobre sua própria realidade. Papa Leão falou sobre “A Igreja, realidade visível e espiritual”. O Papa discursa assim: “No primeiro capítulo, onde se tenciona responder sobretudo à pergunta sobre o que é a Igreja, ela é descrita como «uma realidade complexa» (LG, n. 8). Agora perguntemo-nos: em que consiste tal complexidade? Alguém poderia responder que a Igreja é complexa porque “complicada” e, portanto, difícil de explicar; outros poderiam pensar que a sua complexidade deriva da constatação de ser uma instituição com dois mil anos de história, com caraterísticas diferentes em relação a qualquer outra agregação social ou religiosa. Mas na língua latina a palavra “complexa” indica sobretudo a união ordenada de diferentes aspetos ou dimensões, no seio de uma única realidade. Por isso, a Lumen Gentium pode afirmar que a Igreja é um organismo bem articulado, no qual coexistem a dimensão humana e a dimensão divina, sem separação nem confusão”. De fato, a Igreja não é simplesmente um clube, uma ONG, uma associação humana, uma obra de cunho social desvinculada do divino. A Igreja é uma realidade humana-divina. Segundo o Sumo Pontífice, a dimensão humana e a dimensão divina integram-se harmoniosamente, sem que uma se sobreponha à outra; assim, a Igreja vive neste paradoxo: é uma realidade humana e ao mesmo tempo divina que acolhe o homem pecador, conduzindo-o a Deus.  Conclui o Papa Leão assim: “Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu (LG, 8; CIC, 771)”". *Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

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