A cada três anos, o Dia Mundial do Doente é celebrado solenemente em um santuário mariano. Este ano, as comemorações são na diocese peruana onde o Papa Leão exerceu seu ministério episcopal. Como seu delegado, o Pontífice escolheu o prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, o Cardeal Michael Czerny, S.J.
Vatican News O 34º Dia Mundial do Enfermo foi celebrado de maneira solene no Santuário de Nossa Senhora da Paz na diocese de Chiclayo, no Peru. O delegado pontifício foi o cardeal Michael Czerny, do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, que presidiu à Santa Missa esta quarta-feira, 11 de fevereiro. "Queridos irmãos e irmãs, é para mim uma alegria e uma honra poder transmitir-lhes a saudação e a palavra do seu Bispo emérito e do nosso Santo Padre Leão XIV", disse o cardeal, recordando que o Pontífice mantém um "vínculo especial com esta terra", na qual pôde constatar como muitas pessoas compartilham a misericórdia e a compaixão, segundo o estilo sugerido pela parábola do Bom Samaritano, ícone bíblico deste Dia. Nesta narração, nos deparamos com um amor que não pode ser reduzido a uma mera ideia, resultado de reflexões teológicas ou sociológicas abstratas, mas é fruto da própria experiência de carregar a dor do outro. A partir desta parábola, o cardeal jesuíta canadense destacou três aspectos inspirados também na mensagem do Papa para os doentes. Em primeiro lugar, se o amor que cura é, e deve ser, uma experiência pessoal, ele sempre se apresenta como um verdadeiro caminho de “conversão” para quem decide assumir a dor do outro. O card. Czerny convida então os fiéis a pedirem ao Senhor o dom de ser próximo do outro, de se converter a Ele, para que a sua dor mude radicalmente o rumo dos nossos sentimentos, dos nossos pensamentos, dos nossos planos. O segundo aspecto ressaltado refere-se, portanto, à missão compartilhada no cuidado dos doentes. O Santo Padre evoca a “dimensão social” da compaixão, que supera o mero compromisso individual. “Gostaria de evocar, nesta memória de Nossa Senhora de Lourdes, o que acontece dentro desse Santuário carregado da dor e das esperanças de salvação de tantos homens e mulheres. Eles, na diversidade dos ministérios ligados às necessidades de cada doente, juntos podem dar muito mais do que, à primeira vista, seria de esperar de cada um separadamente. Maria é nossa mestra nisso”, disse ainda o jesuíta. Eis então outro dom a pedir ao Senhor hoje: ser capaz de colaborar com os outros pelo bem de todos e, sobretudo, dos mais frágeis, oferecendo o que posso e vencendo a tentação desse individualismo desconfiado ou, às vezes, presunçoso, que me afasta dos meus irmãos na missão de cuidar dos mais necessitados. Por fim, o terceiro aspecto mencionado pelo Papa na sua Mensagem é a consciência de que nosso amor pelos outros é sempre uma expressão concreta do nosso amor por Deus e que, inversamente, não podemos dizer nem pensar que amamos a Deus sem percorrer o caminho do amor, ou seja, o amor dado ao outro que precisa de mim. “Queridos irmãos e irmãs, esta fé nos reuniu hoje para celebrar a Eucaristia no Dia Mundial do Doente 2026! Estamos nos abrindo, mais precisamente, através de um diálogo “familiar” com Deus, como o do centurião, ao encontro de fé com Aquele que, presente e vivo entre vocês, é a razão do seu amor, da sua esperança e das suas ações de amor. Peçamos, então, ao Senhor o dom dessa fé”, concluiu o delegado pontifício.