Do poeta à sua poesia: o cardeal De Mendonça e as palavras desarmadas que levam à paz - Vatican News via Acervo Católico

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Do poeta à sua poesia: o cardeal De Mendonça e as palavras desarmadas que levam à paz - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Em diálogo com o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação neste 21 de março, Dia Mundial da Poesia. O cardeal José Tolentino De Mendonça cita Fernando Pessoa, São John Newman, o Papa Francisco e recorda Leão XIV em tempos conturbados em nível mundial: "a poesia está do lado da paz. Porque as palavras da poesia são palavras desarmadas, são palavras onde as perguntas mais despojadas, mas ao mesmo tempo mais essenciais, podem constituir um elemento de construção humana das sociedades".

Andressa Collet - Vatican News "A poesia não cabe no nosso quintal." Uma afirmação de propriedade vinda do cardeal poeta, José Tolentino De Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, em pleno Dia Mundial da Poesia, instituído pela Unesco para celebrar e promover a diversidade das línguas e o intercâmbio entre as culturas. A poesia, continua o purpurado português em entrevista ao Vatican News para este 21 de março, "é uma palavra que não desiste de ninguém e que espera por todos", educando "a uma visão universal e a uma valorização da harmonia": "A poesia é uma arte da esperança porque nos ajuda a perceber que temos necessidade de todas as palavras, de todos os vocabulários, de todas as línguas, para nos podermos avizinhar da poesia do mundo, que é aquela poesia invisível que desde sempre acompanha o homem na sua aventura sobre a terra." A poesia está do lado da paz Uma poesia, então, "não tem fronteiras", explica ainda De Mendonça que é poeta, teólogo e intelectual, além de já ter sido professor em universidades católicas no Brasil. Ela não vive "sem o interesse pelo diferente" e é caracterizada por ser "a hospitalidade do diverso", ajudando, assim, a construir uma "experiência negociada do mundo": E inclusive em tempos de novas tecnologias, salienta o cardeal que concilia a sua alta função no Vaticano com uma aclamada produção literária, inclusive digna de reconhecimento de prestígio, como o Grande Prêmio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE e o Prêmio Pessoa (2023). De Mendonça defende que a poesia e a arte são essenciais para o diálogo com o mundo contemporâneo: o algoritmo, segundo ele, vive do passado, enquanto "a poesia é uma escuta daquilo que vem": "O algoritmo tem um um pacto com o passado. O poema tem um pacto com o futuro porque trabalha continuamente a possibilidade. Dizer ao ser humano 'é possível, é possível, é possível', nesse sentido, a poesia tem uma aliança com a esperança, tem uma aliança com a elaboração da paz. A poesia vai além da declaração fatalista de que é impossível. O algoritmo é um mapa dos passos percorridos. O poema é um mapa dos caminhos a percorrer." A poesia educa o sentido, o olhar e o ouvido José Tolentino De Mendonça então explorou na entrevista a importância de recursos da educação como a poesia serem fundamentais para descontruirem a "fatalidade visível" para ir além: "Penso em poetas como Rilke, penso em poetas como Fernando Pessoa, que nos ajudaram a olhar do limiar, a escutar aquilo que nas palavras à primeira vista não está presente, mas que depois se torna decisivo que é a experiência do mistério. Por isso, o Papa Francisco dizia muito bem quando recomendava que a literatura e a poesia poderiam servir muito na formação sacerdotal, porque educam os sentidos, educam o olhar, educam o ouvido para uma hospitalidade mais profunda do mundo e para uma cartografia do ser humano, do mistério do ser humano. A poesia sabe o que é o coração do homem." O cardeal, então, citou São John Henry Newman, proclamado Doutor da Igreja em novembro de 2025. Ele acreditava muito no papel da educação e, "sem dúvida, a poesia, a literatura e a filosofia serviam a ele para transmitir as ferramentas necessárias que cada ser humano precisa para realizar a sua vocação". De Mendonça finalizou a entrevista enaltecendo a importância da poesia na vida das pessoas, como o próprio Newman utilizou "em diversos momentos para tornar mais eficaz" e para "chegar mais profundamente na sua ambição de ajudar a pessoa humana a humanizar-se completamente":

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