A Igreja se renova, sendo conhecedora da Verdade e portadora do próprio Ressuscitado, apresentando-se como farol de Fé e Esperança para toda a humanidade, através de sua doutrina e magistério.
Dom Antônio Carlos Altieri, SDB - Arcebispo Emérito de Passo Fundo, RS A Educação é um dos pilares no qual uma sociedade saudável se estabelece, e se sustenta diante das problemáticas éticas e morais pertinentes ao seu desenvolvimento. Da fase mais elementar, vivenciada na primeira instância da vida, à mais próxima da maturidade adulta, a Educação transporta-se como elemento propulsor e singular na formação cultural, social, econômica, política e espiritual, ainda que a contragosto de alguns. Diante da constante necessidade de negação dos assuntos da fé, a Igreja se manteve firme e presente nos mais espinhosos debates. Na área da Educação não foi e nem poderia ser diferente, sobretudo quando esta se encontrou instrumentalizada na contramão de seu itinerário original, o de fazer emergir o que há de mais precioso no secreto do ser humano, sobretudo quando confrontado pelas novidades dos tempos atuais. Nesta perspectiva, a Igreja se renova, sendo conhecedora da Verdade e portadora do próprio Ressuscitado, apresentando-se como farol de Fé e Esperança para toda a humanidade, através de sua doutrina e magistério. Consequência disto, a Igreja não se detém como portadora, mas vai a todo canto cumprindo sua nobre missão no anúncio missionário. Melhor caminho para tal, além das obras de caridade, não poderia ser outro se não a própria Educação. Se por muitos anos a Igreja impulsionou fortemente as descobertas pelas vias da Educação, muito mais o faz agora por meio dos avanços da Era Digital. Com cautela, visando um profundo cuidado na condução de assuntos pertinentes ao desenvolvimento da humanidade, a Igreja faz valer sua voz inconfundível em meio a discursos capciosos que acabam por distorcer o conhecimento da Verdade, abrindo caminhos para ribanceiras existenciais. Isto a Igreja o faz magistralmente agora, através da Encíclica Magnifica humanitas do querido e intrépido pastor, o Papa Leão XIV. Através da referida Encíclica, o Santo Padre conclama a uma “aliança educativa para a era digital” como solução ao despreparo das sociedades no mundo a nível educativo, superando a “cultura do imediato e da hiperestimulação”, realidades as quais impedem sobretudo as crianças, adolescentes e jovens no rico e belo exercício de desenvolvimento e compreensão profunda das realidades, inibindo perguntas, impondo respostas, fechando caminhos pela inerte e estéril uniformidade, cooperando com dispositivos propagadores de morte, baseados no ódio e na mentira revestida de inverdade. Não em vão, o Papa Leão XIV toca realidades muito singulares como aquelas que se multiplicam nos noticiários e muito presentes nas realidades quotidianas, como o bullying e, mais recente, o ciberbullying, chamando a atenção para as perversas “dinâmicas de isolamento”, ao mesmo tempo em que se instauram depravadas exposições em redes sociais. Como resposta, o Papa reitera o que por anos a Igreja busca frisar, colocando novamente ao centro o papel da família e da escola, instâncias estas aliadas à Política, responsável pela formalização de leis que de fato cooperem com o adequado funcionamento das instituições. O convite do Sumo Pontífice se desdobra a partir de três grandes desafios, em harmonia com a iluminação bíblica de Neemias 2-6 que perpassa todo o documento. A exemplo da reconstrução de Jerusalém, compromisso coletivo que supera as dinâmicas egocêntricas das relações de poder exemplificadas pela passagem de Babel (Gn 11, 1-9), assim também se espera no que diz respeito aos desafios apontados por Leão: um compromisso em conjunto na superação do desafio sociopolítico, do desafio pedagógico e do desafio intelectual/sapiencial. Muito se tem a fazer. Magnifica humanitas se apresenta como um verdadeiro guia. Nas mais variadas frentes institucionais, nos mais variados ambientes estratégicos, cabe agora lançar-se, com confiança e sem medo, nesta linda missão de ser no mundo sinais visível e fecundo do amor de Deus, que se revela, mais que tudo, na humanidade que segue em plena marcha, peregrina, caminhante, tendo Cristo por Caminho, Verdade e Vida, fonte infinita e suprema para a constante aspiração humana, que apesar de vacilante, caminha rumo ao Pai.