Foco na História: as grandes civilizações africanas. As temidas Guerreiras Ahosi - Vatican News via Acervo Católico

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Foco na História: as grandes civilizações africanas. As temidas Guerreiras Ahosi - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

As ahosi formaram um regimento militar feminino de elite ativo entre os séculos XVII e XIX. Como único exército exclusivamente feminino registrado na história, elas eram conhecidas pela ferocidade, treinamento intenso e por protegerem o rei, chegando a compor um terço do exército.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista Há 25 semanas estamos estudando a história do continente africano, um dos menos conhecidos do mundo. A cada participação encontramos coisas curiosas, mas também riquezas desse continente tão marcado pela exploração e pela divisão. Hoje falamos de um elemento bem desconhecido da história da África, trazendo dados sobre as mulheres guerreiras conhecidas como Ahosi. Essas guerreiras eram uma unidade de elite do extenso reino africano de Daomé, localizado onde hoje temos o atual Benin. As ahosi formaram um regimento militar feminino de elite ativo entre os séculos XVII e XIX. Como único exército exclusivamente feminino registrado na história, elas eram conhecidas pela ferocidade, treinamento intenso e por protegerem o rei, chegando a compor um terço do exército. Mulheres guerreiras Ao que tudo indica, as Ahosi, palavra que significa “mulheres do rei” e que também eram conhecidas por “mino”, que traduzido livremente para o português pode significar “mães” ou “minha mãe”, ou ainda como “gebto”, inicialmente não eram só super-guerreiras, mas caçadoras de elefantes, isso apenas em fins do século XVII, foram encontrados os primeiros registros sobre elas. Sob o rei Ghezo (1818-1858), elas se tornaram uma força oficial e significativa do exército, participando de batalhas cruciais e, mais tarde  aterrorizariam as tropas coloniais francesas. De acordo com a teoria mais plausível, as Ahosi foram formadas sob o reinado de Hwegbajá já com essa intenção, entretanto, no século XVIII, o novo rei Agadja, filho do anterior, ficou encantado com a sua ferocidade, decidindo transformá-las de caçadoras de elefantes em suas guarda-costas, mulheres aptas a protegê-lo dentro do palácio. Outra teoria indica que a unidade militar das Ahosi, enquanto guerreiras palacianas, foi criada em 1645, pelo rei Ada Onzoo. Suas armas de guerra eram tacos, lanças e arcos de guerra. De um número inicial de 800 mulheres guerreiras, foram se expandindo de forma tão rápida que chegaram a ser metade do exército real, em torno de mais de 05 mil guerreiras. O treinamento de uma guerreira Ahosi era forte, intenso e procurava não apenas transformar uma mulher de Daomé em uma guerreira imbatível, mas no meio de uma sociedade patriarcal também visava torna-las insensíveis a fim de que suas dores fossem superadas, para que jamais o medo fizesse parte de suas batalhas e que sua sede de sangue nunca se extinguisse. Além de tudo, seu treinamento exaustivo e brutal era também uma forma de lembrá-las a sempre superarem os homens nesses mesmos quesitos, não como forma de demonstrar sua superioridade não apenas para derrotá-los, mas também demonstrar que por serem mulheres, elas poderiam provar ser tão boas quanto os homens. Vivendo em uma sociedade patriarcal, as daomenianas que desejassem fazer parte do exército Ahosi ainda tinham essa prova a mais. Decadência do império Apesar do grande poder acumulado pelo reino de Daomé e da ferocidade das Ahosi, ambos os elementos não foram suficientes para impedir outro imperialismo, o dos europeus. Com uma tecnologia de guerra superior e um pacto político-econômico a fim de dividir Ásia e África segundo seus próprios interesses, não demorou muito para que uma guerra entre França e Daomé fosse estabelecida. Dois grandes confrontos ocorreram na última década do século XVIII. Daomé atacou uma cidade colonizada pela França, e esse fato, tudo o que a França queria, desencadeou os conflitos. Após a derrota e imposição da dominação colonial europeia, o rei Behanzin foi exilado, a França assumiu o controle político da Daomé e imediatamente a Unidade das Ahosi foi extinta, não permitindo a entrada de mulheres em legiões do exército. Ao que se indica apenas 50 mulheres Ahosi sobreviveram a essa guerra e teriam seguido rumo aos Estados Unidos para se juntarem ao Buffalo Bill Wild West show. Esse exército formado exclusivamente por mulheres hoje é amplamente celebrado como um símbolo de força feminina e da resistência africana ao domínio estrangeiro.

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