O Sudão é o 3º maior país da África em área geográfica, atrás apenas da Nigéria e da República Democrática do Congo, com população de aproximadamente 40 milhões de habitantes.
Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista Como é bem sabido de todos, na atualidade acontecem conflitos armados em mais de 40 lugares do mundo mas, sem dúvida alguma, um dos conflitos mais cruéis entre todos acontece no Sudão, país localizado no noroeste da África. Ataques contra civis, deslocamentos em massa da população, agressões sexuais contra mulheres e crianças, deterioração da assistência no campo da saúde e educação, colapso dos serviços básicos continuam a assolar o país marcado por graves violações dos direitos humanos. Os ataques vêm se intensificando nos últimos tempos e as violações se tornaram sistemáticas, ligadas a questões étnicas, políticas, religiosas e geográficas. O Sudão é o 3º maior país da África em área geográfica, atrás apenas da Nigéria e da República Democrática do Congo, com população de aproximadamente 40 milhões de habitantes. Grandeza do passado e história conturbada No atual território, na antiguidade floresceram duas grandes civilizações, a dos núbios e a de Kush. Alguns faraós originários da Núbia, governaram o Egito durante a 25ª dinastia, ficando conhecidos como “faraós negros”. O primeiro grande faraó núbio a unificar o Egito foi Piiê, que iniciou a conquista durante o século VIII a.C., sendo sucedido por outros da mesma dinastia. Depois a Núbia perdeu sua autonomia se tornando uma das províncias do Egito. No século XVIII, os turcos muçulmanos aproveitaram a rivalidade entre as tribos e dominaram a região até 1898, quando chegaram os britânicos que incluíram o Sudão em seu vasto império. A dominação britânica durou até 1955, quando o país alcançou a independência com a proclamação da República do Sudão. A independência, porém, não trouxe a paz almejada e o país passou a viver uma fase de grande instabilidade com tensões políticas, étnicas e religiosas. Em 2011, o Sudão do Sul se separou criando um país independente. Mas os conflitos e a crise civil continuam sendo uma constante na região até a atualidade. Dor e sofrimento A maior parte dos ataques são promovidos pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), nome da sigla em inglês, dado a um grupo paramilitar que trava uma sangrenta guerra civil contra as Forças Armadas Sudanesas comandadas pelo Chefe de Estado que domina o poder após um golpe de estado. Desde 2023 o país mergulhou numa guerra civil e os combates e ataques já causaram cerca de 12 milhões de deslocados entre os mais de 40 milhões de habitantes, com pelo menos 150 mil mortes, numa das piores crises humanitárias do século XXI que nem a ação da ONU consegue resolver. O conflito repercute, sobretudo, sobre as crianças sem direito à educação, vítimas de abuso sexual e recrutadas como soldados por parte de grupos armados. Conforme relatório da ONU, 55% das escolas estão inacessíveis por terem sido destruídas, danificadas ou transformadas em abrigos para os deslocados internos. O número de professores diminuiu muito e os materiais didáticos também são escassos. Dois países com nomes parecidos Ao tratarmos dessa triste realidade da guerra que abalou e continua trazendo pesadas consequências até hoje, não podemos nos esquecer que hoje existem dois países com o mesmo nome: Sudão e Sudão do Sul. A guerra à qual nos referimos acontece mais no Sudão. Até 2011, eram um único país, se separando após décadas de guerra civil motivada por profundas diferenças étnicas, religiosas e econômicas entre o norte que é majoritariamente árabe e muçulmano e o sul em que a maioria de sua população é cristã ou ainda pratia o antigo culto animista. Antes da separação, os dois formavam o maior país do continente africano em extensão territorial. O termo Sudão deriva de uma expressão árabe “Bilad al-Sudan”, que literalmente significa "Terra dos Negros". Historicamente esse era o nome dado pelos árabes à vasta região africana localizada ao sul do Deserto do Saara. O Sudão desempenhou um importante papel ao longo de séculos no relacionamento com a grande civilização constituída onde hoje temos o Egito moderno. Quando o governo central, localizado na capital Cartum, tentou impor a lei islâmica a todo o território, a decisao foi fortemente rejeitada pelo sul e o conflito se estabeleceu, também por razoes econômicas, porque embora a maior parte das reservas de petróleo esteja localizada no Sudão do Sul, a infraestrutura de refino e os portos de escoamento para exportação ficam no Sudão. Em 2011, após um referendo de autodeterminação, o sul declarou independência, tornando-se o Sudão do Sul, transformando-se numa das nações mais jovens do mundo, enquanto o território original manteve o nome de Sudão, mas as diferenças entre os dois países continuam gritantes. Ambos são marcados pelas guerras civis e conflitos internos, o que aprofunda as desigualdades socioeconômicas no país e a instabilidade política. O Sudão ou República do Sudão é um país mais populoso, com mais de 40 milhões de habitantes, com sua economia sendo duramente afetada pelos conflitos internos e pela instabilidade política do país. O Sudão do Sul ou República do Sudão do Sul também é rico em recursos naturais, possuindo uma população bem menor, por volta de 11 milhões de habitantes. Os dois países se aproximam na realidade do subdesenvolvimento, com a maioria de sua população vivendo na zona rural, com as falta de recursos e com a necessidade de que os olhos do mundo possam estar mais voltados para eles.