Igreja Católica na África Austral na Linha da Frente contra o Tráfico de Pessoas - Vatican News via Acervo Católico

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Igreja Católica na África Austral na Linha da Frente contra o Tráfico de Pessoas - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Na celebração da Festa de Santa Josefina Bakhita, Padroeira das vítimas de tráfico de pessoas e da escravidão moderna, paróquias, comunidades religiosas e instituições católicas em toda a Conferência Episcopal da África Austral (SACBC) reforçaram o seu compromisso de defender a dignidade humana e apoiar os mais vulneráveis.

Sheila Pires – Joanesburgo, África do Sul Santa Bakhita, antiga escrava que se tornou religiosa, simboliza liberdade e dignidade. A sua festa tornou-se um momento profético, marcado em toda a região por orações, liturgias, campanhas de sensibilização e iniciativas de formação, ligando fé à ação concreta. Hoje, a resposta da Igreja ao tráfico na África Austral é impulsionada em grande parte pela missão organizada das religiosas, que construíram uma rede regional estruturada para enfrentar uma das mais graves violações dos direitos humanos da atualidade. Crise crescente na África do Sul O tráfico de pessoas na África do Sul intensifica-se devido a redes criminosas, recrutamento digital e vulnerabilidade socioeconómica. Estatísticas policiais do primeiro trimestre de 2025 registaram 13 casos de tráfico e mais de 4.500 sequestros, com KwaZulu-Natal, Western Cape e grandes cidades como Joanesburgo, Cidade do Cabo e Durban a serem pontos críticos. Os métodos de recrutamento tornaram-se sofisticados: anúncios falsos de emprego em redes sociais, aplicações de mensagens e fóruns online visam jovens, migrantes e pessoas de comunidades rurais. Crianças e jovens entre 12 e 25 anos continuam entre os mais vulneráveis. Golpes recentes, incluindo vítimas atraídas para redes de tráfico na Tailândia e programas falsos de trabalho no estrangeiro, revelam a escala do engano. OIM alerta para aumento do tráfico Massimo Guglietta, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), afirma que o tráfico cresce globalmente e na África Austral, impulsionado pela comunicação digital, mudanças climáticas, conflitos e rotas migratórias exploradas pelos traficantes. Ele sublinha que respostas eficazes exigem colaboração entre governos, sociedade civil, organizações religiosas e agências internacionais. Vulnerabilidade transfronteiriça em Malawi No Malawi, o tráfico ocorre frequentemente em movimento para a África do Sul ou internamente, das zonas rurais para as urbanas. Impulsionadas pela pobreza e falsas promessas de trabalho ou educação, muitas vítimas confiam em traficantes que surgem dentro de famílias ou círculos próximos. Para a Irmã Laura Llanes FDCC, do Talitha Kum Malawi, o tráfico não é apenas crime, mas grave injustiça moral, exigindo uma resposta de fé baseada no Evangelho. De um workshop a uma rede regional A mobilização das religiosas começou em 2007, com um workshop na Cidade do Cabo, e levou à criação do SARWATIP em 2008. Em 2014, surgiu o Counter-Trafficking in Persons (CTIP), fortalecendo coordenação, e globalmente Talitha Kum conectou iniciativas locais a uma rede presente em mais de 100 países. Em 2022, Talitha Kum África do Sul foi formalmente estabelecido, consolidando uma missão estruturada e movida pela fé. A Irmã Zelna Oosthuizen RGS, presidente da LCCLSA, descreve esta evolução como fruto da consciência e coragem: de um pequeno grupo de Irmãs dizendo “precisamos agir”, nasceu uma rede regional dedicada à formação, prevenção e proteção. Hoje, as religiosas trabalham em escolas, paróquias e comunidades, educando sobre o tráfico, identificando vulnerabilidades e capacitando jovens como “testemunhas de esperança”, com uma presença próxima e comprometida.

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