Em audiência à Fundação Centesimus-Annus Pro Pontifice, Leão XIV recordou a importância da Doutrina social da Igreja, central na encíclica "Magnifica Humanitas". A crise da democracia é uma crise antropológica. Em meio às divisões da sociedade contemporânea, é necessário promover o diálogo baseado na verdade para fortalecer a humanidade comum.
Isabella Piro – Vatican News Busca da verdade, liberdade como relação e diálogo: são as três reflexões oferecidas por Leão XIV aos membros da Fundação Centesimus Annus - Pro Pontifice, recebidos em audiência na manhã de hoje, sábado, 30 de maio, na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano. Entre as divisões do mundo nasce uma nova esperança de humanidade comum Em seu discurso, pronunciado em inglês, o Pontífice recorda a recente encíclica Magnifica humanitas para sublinhar a importância da Doutrina Social da Igreja na sociedade contemporânea. É um tema que "está particularmente em meu coração", explica, pois "constitui uma parte essencial da missão da Igreja no mundo". Da encíclica, portanto, emanam as orientações oferecidas pelo Papa. Em primeiro lugar, a reflexão sobre a "humanidade comum": Vivemos em uma era caracterizada por guerras e por uma crescente polarização, bem como por divisões culturais e sociais. No entanto, em meio à fragilidade, nasce uma nova esperança. Embora as divisões pareçam crescer, emerge um denominador comum que indiscutivelmente nos une a todos: a nossa humanidade comum. A busca da verdade e a sede de Deus Diante das adversidades, o homem é chamado a repensar uma pergunta fundamental,ou seja, qual direção escolher como “comunidade humana”. Trata-se – explica o Papa – de um questionamento crucial: Tais perguntas são uma clara manifestação da busca de verdade da humanidade e despertam o desejo de algo mais, uma sede de Deus e um sentido duradouro. Democracias e multilateralismo em crise No coração do homem, prossegue o Pontífice, habita também o desejo de liberdade, entendida não como a “capacidade de fazer o que se quer” ou absolutismo, mas sim como uma “dimensão relacional”, um “dom de si e abertura aos outros”. Esse tipo de liberdade – ressalta ainda o Papa – remete à Cidade de Deus descrita por Santo Agostinho: “fundada no amor de Deus até o dom de si e no cultivo das relações”, ela “torna realmente possível construir uma civilização do amor”. Sob esta perspectiva, podemos descobrir que o que se esconde por trás da crise das democracias contemporâneas e do enfraquecimento do multilateralismo é, de fato, uma crise antropológica que deriva de termos, em grande parte, esquecido o Criador Ter sempre em mente a dignidade de cada indivíduo Apesar de tudo – é o encorajamento do Papa –, não se deve ceder ao desespero, mas sim construir uma barreira contra a desumanização, colocando em prática “uma soma de pequenas e tenazes fidelidades” e, acima de tudo, praticando o diálogo “fundado na verdade que reconhece e valoriza a humanidade comum de cada pessoa”: "Ter em mente a dignidade inata de cada indivíduo permite superar o egoísmo e os interesses particulares em favor do bem comum. Esta mesma dignidade também fornece o contexto no qual podemos falar de um pluralismo saudável, que reconhece a riqueza das contribuições que vêm de pessoas de diferentes origens e que leva à coexistência pacífica” A atividade da Fundação A audiência com o Pontífice encerrou, de fato, dois momentos de destaque para a atividade da Fundação Centesimus Annus - Pro Pontifice: a Assembleia Geral, realizada em 28 de maio em Roma sob o tema “O pensamento social católico enfrenta os desafios à liberdade e ao pluralismo em uma economia e sociedade desordenadas. Renovar a visão da Centesimus Annus”; e a conferência internacional realizada na sexta-feira (29) no Vaticano, intitulada “Um mundo fragmentado em busca da espiritualidade: liberdade e pluralismo por meio da doutrina social da Igreja”.