Ao presidir a oração do Santo Terço diante da imagem da Virgem de Montserrat, na Catalunha, Leão XIV convidou os fiéis a abandonarem as “armaduras” que endurecem o coração e a cultivarem relações marcadas pela reconciliação, pela comunhão e pela paz.
Thulio Fonseca – Vatican News Foi este o apelo feito pelo Papa Leão XIV na Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, um dos lugares de espiritualidade mais emblemáticos da Espanha, onde presidiu a oração do Santo Rosário na manhã desta quarta-feira, 10 de junho. Situado entre as montanhas de Montserrat, a cerca de 700 metros de altitude, o santuário beneditino guarda há séculos a venerada imagem da Virgem de Montserrat, conhecida popularmente como “Moreneta”, padroeira da Catalunha. O santuário mariano celebra atualmente o milênio de sua fundação e permanece como um dos mais importantes centros de peregrinação da Europa. Ao iniciar sua reflexão, Leão XIV manifestou alegria por poder rezar aos pés da Virgem, confiando à sua intercessão materna o ministério petrino e a missão da Igreja em um mundo que continua clamando por justiça e paz. O Papa recordou ainda as inúmeras histórias de fé, esperança e gratidão que marcaram a vida do santuário ao longo dos séculos, bem como o testemunho daqueles que ali derramaram o próprio sangue por amor a Cristo. O caminho da conversão Recordando Santo Inácio de Loyola, que em Montserrat viveu uma experiência decisiva de conversão ao depor suas armas diante da Virgem para iniciar uma nova vida a serviço de Deus, o Pontífice convidou os fiéis a acolherem o convite de Maria nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Segundo o Papa, essas palavras constituem um verdadeiro programa de vida cristã, pois conduzem ao amor, à escuta da Palavra e à transformação do coração. Leão XIV destacou que Jesus indica o caminho da misericórdia, da reconciliação, da verdade e da mansidão. Ao mesmo tempo, advertiu para a violência que pode esconder-se em atitudes aparentemente comuns, como a crítica que humilha, a condenação que destrói e a agressividade que divide. Muitas vezes, observou, essas formas de violência surgem revestidas por “armaduras” construídas para proteger feridas, medos ou sofrimentos. Desarmados pelo amor Contemplando a imagem da Virgem que apresenta Jesus Menino em seus braços, o Papa convidou os peregrinos a deporem aos pés de Maria tudo aquilo que endurece o coração. Cristo, recordou, não salvou a humanidade pela força das armas, mas pela força “desarmada e desarmante” do amor. Por isso, exortou os fiéis a revestirem-se unicamente das “armas de Deus”, descritas por São Paulo como a verdade, a justiça, a fé e o Evangelho da paz. Referindo-se ao globo que a Virgem segura em sua mão direita, símbolo do cuidado materno por toda a humanidade, Leão XIV destacou que Maria convida seus filhos a reconhecerem-se como irmãos e irmãs, para que ninguém seja excluído e para que a comunhão seja mais forte do que qualquer divisão. Por fim, pediu que Maria, Mãe da Igreja, nos conduza sempre para Jesus, e concluiu com uma oração: "Dos catalães, sereis sempre a Princesa, dos espanhóis e do mundo todo, o amor; dizei-nos: “Sois o meu tesouro, eu sou vossa Mãe, não temais.”