Lusofonias – Comunicação: a arte de preservar vozes e rostos - Vatican News via Acervo Católico

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Lusofonias – Comunicação: a arte de preservar vozes e rostos - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Ascensão rima sempre com Comunicação pois o Dia Mundial das Comunicações Sociais é celebrado nesta Solenidade que antecede o Pentecostes. Ano após ano, o Papa escreve uma Mensagem, mas publica-a por ocasião da festa de S. Francisco de Sales, Padroeiro dos Escritores e Jornalistas, a 24 de janeiro. Assim aconteceu este ano e o Papa Leão XIV surpreendeu com um título provocador: ‘Preservar vozes e rostos humanos’.

Tony Neves, em Roma Diz: ‘Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu’. Assim, alerta para alguns perigos que nos trazem a tecnologia digital que ‘corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas’. Por isso, ‘preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos’. Sabemos todos que, ‘nos últimos anos, os sistemas de inteligência artificial estão a assumir cada vez mais o controlo da produção de textos, música e vídeos. Grande parte da indústria criativa humana corre o risco de ser destruída e substituída pela etiqueta “Powered by AI”, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anónimos, sem autoria nem amor. Ao mesmo tempo, as obras-primas do génio humano no âmbito da música, da arte e da literatura vão sendo reduzidas a um mero campo de treino para as máquinas’. Estas podem e devem ajudar-nos, mas ‘renunciar ao processo criativo e entregar às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz’.  Há que ter muito cuidado com as ‘ajudas’ das tecnologias às relações afetivas: a tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino dos indivíduos, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades’. O jornalismo atual sofre muito: ‘a falta de verificação das fontes, com a crise do jornalismo no terreno, que implica um trabalho contínuo de recolha e verificação de informações nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais fértil para a desinformação, provocando uma crescente sensação de desconfiança, desorientação e insegurança’. Há que construir uma aliança entre as pessoas e as novas tecnologias, assente em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação. ‘A responsabilidade pode ser definida, consoante as funções, como honestidade, transparência, coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado. Porém, em geral, ninguém pode fugir à sua responsabilidade diante do futuro que estamos a construir’. Por isso, ‘igual responsabilidade é pedida aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm a função de zelar pelo respeito da dignidade humana’. O segundo pilar desta aliança é a cooperação: ‘nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA’. Finalmente, a educação. Há que ‘aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável’.

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