Ano após ano, a Comunidade da Casa Geral dos Espiritanos, em Roma, celebra em família alargada esta Solenidade de Pentecostes. Em 2025, presidiu o Cardeal Tolentino Mendonça, que lançou diversos desafios, todos eles muito atuais. Este ano, a presidência coube ao responsável pelo Dicastério da Evangelização, o Cardeal Luis Antonio Tagle, das Filipinas. Partilho o que mais me marcou da homilia do presidente da celebração, que apontou as áreas em que a Missão do Espírito Santo nos pretende renovar.
Tony Neves, em Roma É Pentecostes. Nasce a Igreja, com a força e a inspiração do Espírito Santo. Fiquei muito marcado, na minha recente visita ao México, ao ver as comunidades animadas por missionários do Espírito Santo, começar a Missa sempre com este texto do P. Francisco Libermann que João David Souto, espiritano músico, transformou em canção: ‘Santo e adorável Espírito / Fazei-me ouvir a vossa amável voz / Refrescai-me com vosso divino sopro/ que eu não lhe ofereça a menor resistência’. Ano após ano, a Comunidade da Casa Geral dos Espiritanos, em Roma, celebra em família alargada esta Solenidade de Pentecostes. Em 2025, presidiu o Cardeal Tolentino Mendonça, responsável pela Dicastério da Cultura e da Educação. Lançou diversos desafios, todos eles muito atuais. Disse: ‘O Espírito é a continuação da história pascal, uma continuação que não é uma cópia rotineira ou uma repetição sonâmbula, porque o Espírito Santo tem grande imaginação! A criatividade do Espírito derrama em nós dons diferentes, carismas diversos, competências complementares, para que possamos construir o Reino de Deus onde quer que estejamos. É o Espírito que nos move, por isso o Espírito Santo é o grande protagonista da vida da Igreja e da sua missão. Ele caminha à nossa frente, surpreendendo-nos, inaugurando processos de profecia, potenciando os novos sinais dos tempos (…). O Espírito Santo, prometido por Jesus, expressa-se numa linguagem universal, que não se choca com os habituais bloqueios de tradução que tanto nos atrapalham. Porque nos faz falar a linguagem do amor e da compaixão; a linguagem da alegria e da fraternidade; a linguagem da visita, do cuidado e do dom (…). E a verdade é que o Espírito Santo não cessa de desafiar a Igreja (…). O Espírito é a expressão de Deus, o seu alfabeto’. Este ano, a presidência coube ao responsável pelo Dicastério da Evangelização, o Cardeal Luis Antonio Tagle, das Filipinas. A Missa solene teve lugar na Capela da Casa Geral das Irmãs Missionárias Combonianas. Partilho o que mais me marcou da homilia do presidente da celebração que apontou as áreas em que a Missão do Espírito Santo nos pretende renovar: ‘no Evangelho, o Senhor ressuscitado sopra o Espírito Santo sobre os discípulos que se tinham fechado numa sala por medo dos judeus. Muitas pessoas fecham as suas portas, as suas casas, os seus corações, as suas mentes, as suas mãos, por medo e desconfiança em relação aos outros’. Avançou: ‘Isso acontece entre tribos, grupos étnicos, alianças económicas e militares e entre as nações. Portas fechadas, muros altos e imponentes e indiferença são justificados por razões de segurança, mas tornam-se veículos de ódio, agressividade e violência. Mas com o dom do Espírito Santo por parte de Jesus chega o fim das portas fechadas, o restabelecimento dos encontros pessoais, a saída da sala para uma missão de paz e reconciliação (…). O Cenáculo já não era um lugar de fuga, mas de oração, de esperança e de espera paciente’. O Presidente da celebração alerta para os perigos de uma comunicação mundana, apela para o diálogo e a comunicação mútua e garante: ‘o Espírito Santo guiará o conteúdo e a forma do nosso testemunho missionário, não centrado em nós mesmos e nos nossos sucessos’. Conclui: ‘O Espírito Santo recriará a Igreja como único corpo do único e verdadeiro Senhor Jesus, que vive em comunhão e promove o bem comum. Acolheremos o Espírito Santo ou insistiremos nos nossos modos, muitas vezes divisivos?’. A animação litúrgica esteve ao cuidado do Grupo Coral da Paróquia de S. Brígida, confiada aos Espiritanos, nas periferias de Roma. Na Oração Universal, feita em seis línguas, saliento a petição feita em português pela Dra. Amélia Paiva, Embaixadora de Portugal junto da Santa Sé: ‘Peçamos ao Espírito Santo mais paz e mais justiça para o nosso mundo tão violento e tão desigual. O Papa Francisco alertava para a 3ª Guerra Mundial aos pedaços. O Papa Leão falou da urgência de uma paz desarmada e desarmante. Que o mundo inteiro se abra aos desafios e às propostas que o Papa Leão vai lançar amanhã na sua primeira encíclica, social. Oremos ao Senhor’. E, de facto, nesta segunda feira, 25 de maio, o Papa Leão publicou e apresentou a sua primeira encíclica, social, com uma focagem num tema de maior atualidade: o impacto da inteligência artificial nos dias que correm. O título é sugestivo: ‘Magnifica Humanitas’. Merece e precisa de ser bem mastigada, pelo que será assunto da próxima crónica.