Moçambique. Cáritas de Maputo reforça assistência às vítimas das cheias - Vatican News via Acervo Católico

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Moçambique. Cáritas de Maputo reforça assistência às vítimas das cheias - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Na sequência das cheias que já afectaram mais de 723 mil pessoas em Moçambique, segundo o INGD, a Cáritas Arquidiocesana de Maputo intensifica a assistência humanitária em vários centros. Em entrevista à Rádio Vaticano, Hélio Langa, gestor de programas da instituição, apela à solidariedade da população, sublinhando a urgência de alimentos, água e produtos de higiene.

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique As cheias e inundações que se abateram sobre várias regiões de Moçambique continuam a provocar sofrimento e grandes necessidades humanitárias. Dados cumulativos do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD) indicam que, entre 10 e 22 de janeiro de 2026, 723.532 pessoas foram afectadas, correspondentes a 154.472 famílias, com o registo de 124 óbitos, 99 feridos e 6 desaparecidos. Milhares de casas, estradas, escolas e infra-estruturas sociais ficaram danificadas ou destruídas. Face a este cenário, a Cáritas Arquidiocesana de Maputo está no terreno a prestar apoio às comunidades mais vulneráveis. Em entrevista à Rádio Vaticano, Hélio Langa, gestor de programas da Cáritas, explicou que a resposta tem sido organizada com o apoio de voluntários e sob a orientação do Arcebispo de Maputo, D. João Carlos Hatoa Nunes. “Quando falámos, já sabíamos que estavam lá mais de 25 voluntários a organizar os donativos. Antes de ontem, fomos entregar os produtos em Moamba, nas quadras de ofício. Agora, sob a orientação do arcebispo, formaram-se equipas mais sólidas, com padres e agentes da caridade, que estão nos centros a acompanhar a realidade no dia-a-dia”, afirmou. Segundo o responsável, as equipas estão distribuídas em diferentes zonas e vão reportando, de forma actualizada, as necessidades das comunidades afectadas. “Com base nessa informação, pegamos o que já temos e vamos distribuindo nesses centros. Priorizamos os centros onde a necessidade é maior”, explicou. No que diz respeito à recolha de donativos, Hélio Langa referiu que a Cáritas está a multiplicar os pontos de recolha, não apenas na sede da instituição e na paróquia Cristo Rei, mas também em várias paróquias e casas em diferentes zonas da cidade de Maputo. “As pessoas estão a responder positivamente, mas trazem mais roupas e comida. No entanto, ainda é muito pouco em relação ao que é desejado”, lamentou. O gestor de programas sublinhou que as maiores necessidades neste momento são alimentação, água e produtos de higiene. “É isso que mais precisamos”, frisou. Hélio Langa deixou um apelo à população e às pessoas de boa-fé para que se juntem a esta causa. “Pedimos que todos olhem para esta situação como sua própria causa. Quem não tem comida para doar, pode dar as suas mãos para ajudar a arrumar e servir. Pode também contribuir com produtos ou valor monetário. Tudo o que as pessoas puderem fazer será bem-vindo”, disse. O responsável destacou ainda que a Cáritas de Maputo está a trabalhar em coordenação com outras Cáritas diocesanas, sob a liderança da Secretaria Geral da Cáritas Moçambicana, e em ligação com a Cáritas Internacional. “Estamos a interagir em grupos de trabalho para partilhar informações e coordenar a resposta humanitária”, acrescentou. Num contexto em que o INGD aponta para milhares de casas destruídas, mais de 82 mil residências inundadas e centenas de escolas e unidades sanitárias afectadas, a Cáritas reforça que tem disponibilidade para ajudar, mas carece de recursos. “Temos disponibilidade, mas temos muito pouco para apoiar. Por isso, pedimos que se continue a massificar a divulgação do nosso pedido”, concluiu Hélio Langa. O presidente da Conferencia Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre, exorta aos fiéis, instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil, confissões religiosas e parceiros internacionais a uma mobilização solidária urgente. As autoridades e as organizações humanitárias apelam à solidariedade nacional, enquanto prosseguem os esforços para mitigar os impactos das cheias e prestar assistência às comunidades afectadas em várias províncias do país.

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