Falando, na manhã desta quinta-feira, 14 de maio, na cidade da Beira, durante a Missa do Conselho Universitário da Universidade Católica de Moçambique, instituição de que o prelado é Magno Chanceler, o Bispo de Pemba, Dom António Juliasse Ferreira Sandramo, afirmou que Deus lhe concedeu a oportunidade de conhecer uma Igreja que não conhecia, a Igreja dos mártires. E continuou a sua alocução partilhando a triste notícia da morte de 8 cristãos no distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado.
Rogério Maduca – Radio Pax, Beira, Moçambique Situação horrível, tal como descreve o Bispo, ao denunciar a existência de um califado em Cabo Delgado, algo que ninguém fala. Situação que aumenta ainda a sua preocupação. Dom António Juliasse fala do ódio que está sendo espalhado entre os moçambicanos, o que lamentavelmente faz pensar que Cabo Delgado não faz parte de Moçambique. Pois no seu entender, sendo o país um todo e uma parte sofre, o todo deveria também sofrer. Nesta quarta-feira, 13, a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) emitiu uma nota de repúdio aos ataques contra comunidades cristãs e de solidariedade com a província de Cabo Delgado. No documento, os prelados dizem que receberam com tristeza as notícias de profanações, destruições e atentados contra igrejas cristãs e símbolos religiosos. Para o episcopado, estes atos ferem não apenas os crentes, mas também a consciência moral de toda a nação e os valores ancestrais do povo moçambicano. Ainda no documento assinado por Dom Inácio Saúre, presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, os Bispos lembram citando a sabedora africana que “a aldeia permanece de pé quando os seus filhos caminham juntos”, por isso, rejeitam toda tentativa de semear divisão, ódio e desconfiança entre irmãos da mesma pátria. Na mesma senda, a CEM diz que, é dever do governo garantir a dignidade humana, segurança e bem-estar de todos, protegendo a vida e o património nacional, aspectos que estão a ser gravemente postos em causa em Cabo Delgado, com sinais de alastramento pelo país. Por isso, propõem as autoridades competentes a tomada de uma decisão corajosa para pôr fim imediato à intolerância religiosa. Permanecer unidos na promoção da paz, diálogo, justiça social e da reconciliação nacional, é a exortação dirigida às Comunidades religiosas, autoridades civis, e pessoas de boa vontade. Aos fiéis, os bispos pedem a intensificação de oração pela paz em Cabo Delgado e em todo país.