A morte de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, continua a provocar reações de tristeza e indignação dentro e fora da Igreja Católica. Enquanto as autoridades prosseguem com as investigações para esclarecer as circunstâncias do crime, sacerdotes, seminaristas, jovens e fiéis apelam à justiça e recordam o legado de um pastor dedicado à paz e ao serviço do povo moçambicano.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique A Igreja Católica em Moçambique continua de luto pela morte de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira. Dom Osório perdeu a vida na sequência de um baleamento ocorrido na sua residência oficial, na cidade de Quelimane. O caso continua a chocar a sociedade moçambicana e a mobilizar pedidos de esclarecimento e justiça. Em entrevista à Rádio Vaticano, o Reitor do Seminário Propedêutico Mater Apostolorum de Nampula, Padre Saíde Ângelo, manifestou profunda tristeza pela morte do prelado. Padre Saíde condenou o assassinato e considerou preocupante que o crime tenha ocorrido na residência episcopal, um local geralmente considerado seguro. O sacerdote apelou ainda às autoridades competentes para conduzirem uma investigação transparente e rigorosa, capaz de esclarecer as circunstâncias do crime e responsabilizar os seus autores. A dor é igualmente partilhada pelos fiéis. Felicite Simbane, membro da Comissão de Liturgia da Arquidiocese de Nampula, conta que inicialmente não acreditou quando recebeu a notícia. Felicite recorda que conheceu Dom Osório ainda na República Democrática do Congo e destaca a sua proximidade com as comunidades e famílias por onde passou. Para ela, a sua morte representa uma perda irreparável para a Igreja e para Moçambique. Entretanto, vários jovens católicos ouvidos pela reportagem condenam o assassinato e exigem que a justiça seja feita. Também entre os seminaristas, o sentimento é de consternação. Muitos consideram Dom Osório uma referência de serviço, humildade e dedicação à missão evangelizadora. A Conferência Episcopal de Moçambique já anunciou o programa oficial das exéquias. O funeral eclesiástico terá lugar na Sé Catedral de Quelimane, numa celebração presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique. Posteriormente, os restos mortais serão trasladados para Nampula, onde será celebrada uma Missa de corpo presente na Sé Catedral de Nossa Senhora de Fátima, seguindo-se a sepultura no cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum. Até ao momento, as investigações prosseguem, enquanto a Igreja Católica e a sociedade aguardam respostas sobre um crime que abalou o país.