Na Argélia, Papa denuncia tentativas neocoloniais e violações do direito internacional - Vatican News via Acervo Católico

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Na Argélia, Papa denuncia tentativas neocoloniais e violações do direito internacional - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O segundo discurso de Leão XIV na Argélia foi pronunciado diante das autoridades, da sociedade civil e do corpo diplomático. "A verdadeira força de um país reside na cooperação de todos para a realização do bem comum. As autoridades não são chamadas a dominar, mas a servir o povo e o seu desenvolvimento."

Vatican News Ao deixar o Monumento dos Mártires, o Papa Leão se dirigu para o Palácio presidencial El Mouradia para a visita de cortesia ao presidente da República, Abdelmadjid Tebboune. Houve um encontro privado, a foto oficial e a troca de presentes. De lá, se dirigiu para Centro de Congressos Djamaa el Djazair para o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático. Após o discurso do presidente, o Santo Padre tomou a palavra para expressar sua gratidão pelo convite para visitar a Argélia, que, disse o Santo Padre, foi feito no início do seu Ministério Petrino. É a primeira vez como Papa, mas não como religioso, recordou o Pontífice, que, como filho espiritual de Santo Agostinho, já esteve duas vezes a Annaba – em 2001 e 2013. Definindo-se "peregrino da paz", Leão XIV exaltou o "profundo sentido religioso" do povo argelino, que é o segredo de uma cultura do encontro e da reconciliação, a chave para abrir muitas portas fechadas num mundo cheio de confrontos e incompreensões. Esse sentido do religioso se expressa ainda na prática da esmola (sadaka), feita inclusive por quem dispõe de meios limitados. Na sua origem, lembrou o Papa, a palavra sadaka significa justiça, ou seja, não guardar para si, mas partilhar o que se tem. Assim, o injusto é aquele que acumula riquezas e permanece indiferente aos outros. Esta visão da justiça é simples e radical, acrescentou o Santo Padre, pois reconhece no outro a imagem de Deus. Autoridades devem servir, não dominar Ao denunciar as atuais tentativas neocoloniais e as contínuas violações do direito internacional, Leão XIV afirmou que a verdadeira força de um país reside na cooperação de todos para a realização do bem comum: "As autoridades não são chamadas a dominar, mas a servir o povo e o seu desenvolvimento". Assim, a ação política encontra o seu critério na justiça, sem a qual não há paz autêntica. Também a Igreja Católica, garantiu o Papa, deseja contribuir para o bem comum da Argélia, reforçando a sua particular identidade de ponte entre o Norte e o Sul, entre o Oriente e o Ocidente. Inspirando-se na geografia argelina, entre o Mediterrâneo e o Saara, o Pontífice recordou que o mar e o deserto são há milênios locais de enriquecimento mútuo entre os povos e as culturas. E fez uma forte exortação: "Ai de nós, se os transformarmos em cemitérios onde morre a esperança! Libertemos do mal estas imensas bacias de história e futuro! Multipliquemos os oásis de paz, denunciemos e eliminemos as causas do desespero, combatamos quem lucra com a desgraça alheia!". Quem especula com a vida humana, cuja dignidade é inviolável, tem ganhos ilícitos, denunciou o Papa, convocando a uma união de forças, energias espirituais e  inteligência para tornar a terra e o mar "lugares de vida, encontro e encanto". O tema da transcedência, aliás, expõe a tensão entre o sentido religioso e a vida moderna, que também se faz presente na sociedade argelina, como no resto do mundo. Muitas vezes, manifesta-se através de dinâmicas opostas, de fundamentalismo ou secularização. Assim, os símbolos e as palavras religiosas podem tornar-se, por um lado, linguagens blasfemas de violência e opressão e, por outro, sinais já sem significado, no grande mercado de bens de consumo que não saciam. Não há o que temer, garantiu o Papa. Se enfrentadas com inteligência, essas dinâmicas são o sinal de que se vive uma época extraordinária, de grande renovação. Para isso, é necessário educar para o espírito crítico e a liberdade, para a escuta e o diálogo, para a confiança que nos faz reconhecer no diferente um companheiro de viagem, e não uma ameaça. "Temos de trabalhar pela cura da memória e pela reconciliação entre antigos adversários. É este o dom que peço para vocês, para a Argélia e para o seu inteiro povo, sobre o qual invoco abundantes bênçãos do Altíssimo", concluiu o Santo Padre. Do Centro de Congressos, Leão XIV se dirigiu para a sede da Nunciatura apostólica.

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