O empenho da Caritas-Ucrânia com os deslocados na fronteira com a Belarus - Vatican News via Acervo Católico

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O empenho da Caritas-Ucrânia com os deslocados na fronteira com a Belarus - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O único corredor humanitário ativo para cidadãos ucranianos é a passagem de fronteira Mokrany-Domanove. Ali, a Caritas Ucrânia, juntamente com outras organizações, prestou assistência a mais de 2.500 pessoas em um ano. O vice-presidente Hryhorii Seleshchuk afirmou: "Nosso trabalho surge das necessidades das pessoas e das condições em que elas chegam."

Svitlana Dukhovych - Cidade do Vaticano Existe um amargo paradoxo na forma como os ucranianos deixam os territórios ocupados pela Federação Russa para chegar aos controlados pelo governo de Kiev: em vez de atravessar a fronteira diretamente, são forçados a passar pela Rússia e pela Belarus. Milhares de quilômetros de viagem, procedimentos e horas de verificações finalmente os levam à passagem de fronteira de Mokrany-Domanove (região de Volínia, na fronteira com a Belarus), onde o único corredor humanitário para cidadãos ucranianos está atualmente ativo. Quando finalmente chegam à Ucrânia, estão cansados, exaustos e precisam de apoio. Apoio da Caritas   Uma das organizações humanitárias que os auxilia é a Caritas Ucrânia, atuante no terreno desde fevereiro de 2025. "Nosso trabalho surge das necessidades das pessoas e das condições em que chegam", explica Hryhorii Seleshchuk, vice-presidente da Caritas Ucrânia. "No início, se tratava de iniciativas muito concretas: as pessoas chegavam à fronteira sem meios de continuar a viagem e sem transporte. Por isso, organizamos transporte, especialmente para idosos que moram sozinhos e pessoas com mobilidade reduzida, que não têm recursos para enfrentar os desafios logísticos por conta própria. A viagem desde os territórios ocupados costuma levar três, quatro ou até cinco dias, com inúmeras trocas de transporte. É um percurso longo e muito cansativo. Para nós, era essencial atender a essas necessidades respeitando a dignidade das pessoas, para que se sentissem acolhidas e reconhecidas." Tragédias humanas ao longo da fronteira   Seleshchuk explica que, com o tempo, outras necessidades surgiram. Por exemplo, muitas pessoas não tinham dinheiro para comprar passagens para continuar sua viagem dentro da Ucrânia. Portanto, as passagens eram compradas para elas. Além disso, a espera por trens ou ônibus podia durar três, cinco ou até sete horas: durante esse tempo, era importante oferecer uma refeição quente ou algo para comer, para que as pessoas pudessem sentir pelo menos um mínimo de apoio e acolhimento. "Houve o caso de uma mulher que conseguiu sair do território ocupado com seus dois filhos, de 14 e 16 anos", explica ele. "Seu marido havia morrido lá e todos os seus documentos haviam sido destruídos. Ela chegou aqui sozinha com os filhos, sem saber o que fazer, para onde ir, sem documentos, sem nada." Nesses casos, os gestores de casos e conselheiros de crise da Caritas encontram um lugar para essas pessoas ficarem. Eles também oferecem assessoria jurídica, que é útil para iniciar a recuperação de documentos e pesquisas em arquivos na Ucrânia, confirmando assim sua identidade e permitindo que continuem sua jornada. Apoio psicológico   "Também oferecemos apoio psicológico", enfatiza o vice-presidente da Caritas Ucrânia, "porque muitas vezes as pessoas chegam em estado de grande ansiedade, desorientadas e confusas. Algumas não estavam em território controlado pelo governo ucraniano há anos, mesmo antes de 2022. Sabemos também que, para chegar à fronteira, tiveram de passar por várias verificações e procedimentos de triagem. Por isso, chegam em estado de grande tensão e medo. É por isso que o apoio psicológico é essencial." Na passagem de Mokrany-Domanove, a Caritas Ucrânia trabalha em estreita colaboração com a Ouvidoria. "Por meio desta rede, chegam inúmeros relatos de pessoas vulneráveis ​​que necessitam de assistência médica ou com mobilidade reduzida", explica Seleshchuk. "Assumimos a responsabilidade por estes casos, ajudamos a encontrar alojamento e a aceder aos serviços de que necessitam na Ucrânia. Também prestamos apoio financeiro inicial, para que as pessoas tenham pelo menos uma quantia mínima de recursos para cobrir as necessidades básicas e possam recuperar alguma independência." Caritas Ucrânia e Caritas Itália: ajuda que nasce da fraternidade   Diversas organizações participam do trabalho, e isso é crucial, já que o financiamento nem sempre é contínuo e simultâneo. Quando uma organização tem recursos e outra não, cria-se uma espécie de transferência e apoio mútuo. Graças, em parte, a essas sinergias, a Caritas auxiliou mais de 2.500 pessoas em um ano. "Para uma pequena equipe de quatro pessoas, é uma tarefa enorme", enfatiza Seleshchuk. Na terça-feira, 19 de maio, a passagem de fronteira Mokrany-Domanove, entre a Ucrânia e a Belarus, foi visitada por uma delegação de aproximadamente 30 embaixadas, liderada pelo Comissário para os Direitos Humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets. Representantes das Nações Unidas, incluindo os chefes do ACNUR e do UNICEF, também estavam presentes. "O objetivo da iniciativa", explicou o vice-presidente, "era mostrar esse processo e as difíceis condições enfrentadas pelos envolvidos, com atenção especial às crianças e jovens que chegam dos territórios ocupados. Esta é uma questão muito importante, pois quase 400 menores estão entre os beneficiários da Caritas. É essencial criar mecanismos que permitam seu retorno à Ucrânia. Em colaboração com a organização Save Ukraine, a Caritas Ucrânia está desenvolvendo um projeto dedicado a jovens e crianças. "Trata-se de facilitar sua transferência para áreas controladas pelo governo ucraniano e ajudá-los a se integrar: recuperar documentos, reintegrar-se à vida cotidiana", explica Seleshchuk. "Se eles quiserem continuar seus estudos ou construir seu futuro na Ucrânia, nós os apoiamos nessa jornada."

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