Com a missa celebrada no Aeroporto Ville, em Iaundê, o Papa Leão concluiu sua viagem aos Camarões. O Papa convidou o povo camaronês a manter viva no coração a recordação dos lindos momentos que viveram juntos. "Ninguém deve ser deixado sozinho a enfrentar as adversidades da vida", disse o Papa, ressaltando que "a Igreja camaronense é viva, jovem, rica de dons e entusiasmo, vibrante na sua diversidade e maravilhosa na sua harmonia".
Mariangela Jaguraba - Vatican News O Papa Leão XIV celebrou a missa no Aeroporto Ville, em Iaundê, capital de Camarões, na manhã deste sábado, 18 de abril, no âmbito de sua viagem apostólica internacional à África. "Celebramos esta Santa Missa ao final da minha visita aos Camarões, e agradeço-vos muito pela forma como me acolhestes e pelos momentos de alegria e de fé que vivemos juntos", disse o Santo Padre no início de sua homilia. "Como ouvimos no Evangelho, a fé não nos poupa de agitações e tribulações e, em certos momentos, pode parecer que o medo prevalece", sublinhou o Papa. "Sabemos, porém, que mesmo nessas circunstâncias, tal como aconteceu aos discípulos no mar da Galileia, Jesus não nos abandona", ressaltou. Durante os séculos a Igreja enfrentou tempestades "O Salvador, caminhando sobre as águas, aproxima-se dos discípulos e diz: «Sou Eu, não tenhais medo!»", e o Evangelista João, "sublinha que «já tinha escurecido»". "Para a tradição judaica, as “águas”, com a sua profundidade e o seu mistério, evocam frequentemente o mundo dos infernos, o caos, o perigo, a morte. Evocam, juntamente com as trevas, as forças do mal, que o homem, por si só, não pode dominar. Ao mesmo tempo, porém, na memória dos prodígios do Êxodo, são também percebidas como um lugar de passagem, uma travessia através da qual Deus, com poder, liberta o seu povo da escravidão", disse ainda o Papa. "É o que sentimos nos momentos em que, oprimidos por forças adversas, nos parece que estamos a submergir, quando tudo parece ser sombrio e nos sentimos sozinhos e fracos. Mas não é assim. Jesus está sempre conosco, mais forte do que qualquer poder do mal. Por isso, levantamo-nos após cada queda e não nos deixamos deter por nenhuma tempestade, mas seguimos em frente, com coragem e confiança, sempre", sublinhou. Criar e apoiar estruturas de solidariedade Leão XIV recordou que "Jesus aproxima-se de nós, não acalma imediatamente as tempestades, mas vem ao nosso encontro no meio dos perigos, convidando-nos também a permanecermos juntos e solidários, nas alegrias e nas dores, como os discípulos, na mesma barca; a não olhar de longe para quem sofre, mas a aproximar-nos e a unir-nos uns aos outros". "As palavras de Jesus, “sou Eu”, recordam-nos que, numa sociedade fundada no respeito pela dignidade da pessoa, a contribuição de todos é importante e tem um valor único, independentemente do status ou da posição de cada um aos olhos do mundo", sublinhou. A fé não separa o espiritual do social De acordo com o Papa, "a exortação “não tenhais medo” assume, assim, uma dimensão ampla, também a nível social e político, como encorajamento para enfrentar problemas e desafios – particularmente aqueles ligados à pobreza e à justiça – em conjunto, com sentido cívico e responsabilidade civil". Coragem de mudar hábitos e estruturas "O serviço diário aos pobres era uma prática essencial na Igreja primitiva e visava apoiar os mais frágeis, em particular os órfãos e as viúvas. Porém, era preciso completá-lo às necessidades do anúncio e do ensino, que também eram prementes, e a solução não era simples", disse ainda Leão XIV, sublinhando que "os Apóstolos, então, reuniram-se, partilharam as preocupações, confrontaram-se à luz dos ensinamentos de Jesus e rezaram juntos, conseguindo superar obstáculos e incompreensões que, à primeira vista, pareciam insuperáveis". "Ao escutarem a voz do Espírito Santo e ao estarem atentos ao clamor dos que sofrem, não só evitaram uma divisão interna na comunidade, como também a dotaram, por inspiração divina, de novos e adequados instrumentos para o seu crescimento, transformando um momento de crise numa oportunidade de enriquecimento e desenvolvimento para todos", disse o Papa Leão, acrescentando: A Igreja camaronense é viva, jovem O Papa concluiu, convidando o povo camaronês a manter viva no coração a recordação dos lindos momentos que viveram juntos; "mesmo no meio das dificuldades, continuemos a dar espaço a Jesus, deixando-nos iluminar e recriar cada dia pela sua presença", disse ele. Agradecimento pela visita Em suas palavras de agradecimento proferidas no final da missa, Leão XIV agradeceu "às autoridades civis e a todos aqueles que colaboraram na preparação e organização" da visita. A seguir, disse: