Parolin: a saúde mental dos jovens é uma emergência que exige respostas estruturais - Vatican News via Acervo Católico

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Parolin: a saúde mental dos jovens é uma emergência que exige respostas estruturais - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

A crise de sentido está no cerne do pronunciamento do secretário de Estado na conferência sobre saúde mental, tecnologias digitais e educação em andamento na Casina Pio IV, no Vaticano: "A sociedade oferece aos jovens todos os meios, mas nenhum fim."

Fausta Speranza - Cidade do Vaticano A ligação profunda entre a educação que "se encontra na encruzilhada de múltiplas tensões"; a "crise de sentido" de "uma sociedade que oferece aos jovens todos os meios, mas nenhum fim"; a "enorme responsabilidade" pelas "decisões" e "políticas" que "terão efeitos que perdurarão por gerações". Este é o cerne do pronunciamento do secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, na manhã desta sexta-feira, 29 de maio, na conferência internacional "Mapas de Esperança por uma agenda educativa regional: saúde mental, tecnologias digitais e educação", em andamento na Casina Pio IV até este sábado, 30. O encontro reúne ministros da educação de países latino-americanos, juntamente com especialistas, acadêmicos e representantes de organizações internacionais, para refletir sobre os principais desafios educacionais contemporâneos. O cardeal Parolin considerou o encontro "particularmente relevante e oportuno", lembrando "a crescente conscientização na comunidade internacional de que a educação não é apenas mais um item na agenda política, mas um pilar do desenvolvimento humano integral, da convivência pacífica e da justiça social". Um futuro mais humano   Em particular, no que diz respeito à região ibero-americana, o cardeal observa que “os sistemas educacionais da região, apesar de terem alcançado progressos significativos nas últimas décadas em termos de acesso e abrangência, enfrentam hoje desafios qualitativos que exigem novas respostas: a formação integral da pessoa, o desenvolvimento de competências socioemocionais, a proteção dos mais vulneráveis ​​e a integração responsável das tecnologias digitais”. Esses são “desafios que não podem ser enfrentados com intervenções setoriais ou fragmentadas, mas que requerem uma cooperação estruturada, multidimensional e sustentada ao longo do tempo”. Além disso, são desafios que a Santa Sé sempre apoiou em todo o mundo, na convicção de que “a educação é uma das mais elevadas formas de caridade e um dos instrumentos mais eficazes a serviço da dignidade humana e do bem comum”. Daí o apelo do secretário de Estado para “traçarmos caminhos concretos, realistas e compartilhados que conduzam a um futuro mais justo e humano”. O Pacto Educativo Global   É evidente a referência ao Pacto Educativo Global, lançado pelo Papa Francisco em 2019, para que todos os homens e mulheres de boa vontade possam se unir em “uma aliança pela educação capaz de gerar fraternidade, paz e justiça”. A perspectiva é aquela indicada pela Carta Apostólica “Traçar Mapas da Esperança”, assinada por Leão XIV em 27 de outubro, por ocasião do sexagésimo aniversário da Declaração Conciliar Gravissimum Educationis. “Nesse texto - enfatiza o cardeal Parolin - o Santo Padre recordou que a educação não é uma atividade acessória, mas forma o próprio tecido da missão da Igreja no mundo; ele convidou à construção de uma ‘constelação educativa global’, na qual cada instituição, cada comunidade, cada provedor de educação, como uma estrela no firmamento, brilhe com sua própria luz e, ao mesmo tempo, contribua para traçar um rumo comum”. Portanto, Parolin esclarece que são três as "novas prioridades que enriquecem os caminhos do Pacto Educativo Global o cuidado com a vida interior, a digitalização do ser humano e a educação para a paz". São precisamente esses os temas a que o encontro se dedica. A emergência dos jovens   O tema da saúde mental merece atenção especial, reitera Parolin, afirmando que "os dados são reveladores e, em muitos aspectos, alarmantes" e que "em muitos contextos, esses transtornos permanecem sem diagnóstico e sem tratamento adequado, especialmente onde a vulnerabilidade socioeconômica é mais aguda". No cerne do problema estão os jovens, com níveis crescentes de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico na era pós-pandemia. Diante da tentação de "reduzir o problema a uma questão clínica, delegando-o exclusivamente ao sistema de saúde", o cardeal Parolin recorda que "a Igreja sempre ensinou que a pessoa humana é uma entidade inseparável de corpo, mente e espírito" e, em seguida, define uma visão educacional que negligencie uma dessas dimensões como "mutilada". Ela seria "incapaz de responder à plenitude da necessidade humana". Por outro lado, devemos reiterar "a necessidade de reconhecer e cultivar esta unidade: oferecer aos jovens não apenas habilidades e conhecimento, mas também as ferramentas para se compreenderem, gerirem as suas emoções, construírem relações significativas e encontrarem sentido na sua existência". É o que a tradição cristã chama de "cuidado da alma" e — acrescenta o cardeal Parolin — é o que a sabedoria pedagógica mais perspicaz traduz hoje na linguagem das competências socioemocionais e do bem-estar psicológico. O papel das escolas e das famílias é inegável. As escolas "devem aspirar a ser um lugar de proteção, reconhecimento e cuidado", um ambiente em que "cada aluno se sinta visto, ouvido e apoiado". E precisamente para estes fins, devem poder dispor dos "recursos necessários". Relativamente ao "papel fundamental das famílias e das comunidades locais", esclarece o cardeal Parolin: se a família é "apoiada e amparada, representa o fator de proteção mais poderoso para a saúde mental das crianças e dos adolescentes". Mas se "deixada sozinha para enfrentar as pressões econômicas, sociais e culturais, sua capacidade de proteção enfraquece e o risco de dificuldades aumenta". A pessoa antes do algoritmo   A isso se soma a questão da relação entre educação e tecnologias digitais. Este, lembra o cardeal, é o tema que a Carta Apostólica do Papa Leão XIV aborda com lúcida consciência, apelando à promoção de um "humano digital" que coloque a pessoa antes do algoritmo e harmonize as diferentes formas de inteligência: técnica, emocional, social, espiritual e ecológica. A questão é que, embora as tecnologias digitais representem uma oportunidade extraordinária para a educação, "especialmente em uma região vasta e diversa como a América Latina", particularmente "para reduzir as desigualdades educacionais", ao mesmo tempo, "a exposição intensiva a ambientes digitais, especialmente na ausência de ferramentas críticas adequadas e apoio educacional, pode gerar efeitos profundamente negativos na saúde mental dos jovens". Parolin fala de "atenção fragmentada, vício em telas, cyberbullying, isolamento social, sobrecarga de informações e exposição a conteúdo inadequado ou prejudicial". O desafio não é aceitar ou rejeitar as tecnologias, mas governá-las, o que significa "investir na formação digital dos professores e no desenvolvimento de currículos que integrem competências digitais com competências socioemocionais". O risco, explicitamente declarado, é que a própria questão que Parolin define como central: "A dimensão da vida interior e a busca de sentido", permaneça marginalizada. Aqui, também, a já mencionada carta apostólica se mostra útil, a qual, ao falar do "cuidado com a vida interior", desafia todos os sistemas educativos. A esperança, virtude atual   É precisamente a convicção de que a crise de saúde mental entre os jovens não é meramente uma crise clínica, mas uma "crise de sentido" que pode nos ajudar a compreender melhor os possíveis horizontes da esperança. "Muitos jovens se sentem desorientados não por falta de informação ou ferramentas, mas por falta de um horizonte de sentido no qual situar suas vidas, suas escolhas, suas esperanças", afirma Parolin. "Uma sociedade que oferece aos jovens todos os meios, mas nenhum fim; todas as conexões, mas nenhum relacionamento autêntico; todas as respostas, mas nenhuma pergunta profunda — é uma sociedade que, apesar das aparências, os abandona." Além disso, "em um mundo marcado por conflitos, desigualdade e uma crise ecológica que ameaça o futuro das novas gerações, a esperança é uma virtude eminentemente contemporânea", reconhece Parolin. Ela é "o fundamento de todo compromisso com o bem comum, de todo investimento em educação, de todo cuidado com os mais vulneráveis". Traçar mapas da esperança, como nos pede o Santo Padre, explica, significa precisamente isso: traçar caminhos concretos, realistas e compartilhados que conduzam a um futuro mais justo e humano. O objetivo final é sempre servir ao bem comum. Além disso, se "a educação é o terreno privilegiado dessa esperança", "a educação tem a tarefa e o privilégio de abrir horizontes de significado". Não se trata de impor respostas pré-fabricadas, reitera Parolin, mas de "acompanhar os jovens na descoberta das questões que habitam sua interioridade, no engajamento com as grandes tradições de pensamento e espiritualidade da humanidade, no desenvolvimento dessa capacidade de reflexão e discernimento que é o fundamento de toda liberdade autêntica". Investimentos e cooperação   Reconhecendo a "enorme responsabilidade" e, ao mesmo tempo, o "extraordinário privilégio" da política, o secretário de Estado pede aos ministros que "levem às suas capitais, aos seus parlamentos, aos seus conselhos de ministros, a consciência de que a saúde mental dos jovens é uma emergência que exige respostas estruturais: investimento adequado, cooperação interministerial, integração entre as políticas de educação e saúde, formação e apoio aos professores e o envolvimento das famílias e comunidades". Em última análise, sua esperança essencial: "Que este encontro seja verdadeiramente o que o seu título promete: uma oportunidade para traçar novos mapas de esperança, para que os nossos jovens possam encontrar na escola, na comunidade, na sociedade, as ferramentas e os horizontes de que precisam para viver uma vida plena, livre e significativa. Como escreveu o Papa Leão XIV: 'Sejam servidores do mundo educativo, coreógrafos da esperança'. Que este seja o nosso compromisso comum."

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