O novo presidente da Confederação Nacional do Apostolado dos Leigos quer reforçar a comunicação na sociedade civil e no seio da Igreja, num tempo “que se caracteriza muito pela caminhada sinodal”.
Rui Saraiva – Portugal É escuteiro, mas também médico e vai estar muito atento à saúde do laicado português nos próximos anos. Com mandato iniciado neste ano de 2026, Rui Lourenço Teixeira vai liderar a nova direção da Confederação Nacional do Apostolado dos Leigos (CNAL), um organismo que representa 50 associações e movimentos. Tem mandato para três anos e aposta na formação e na cooperação e tem dedicado estes primeiros meses ao contacto com as dioceses e com as estruturas representativas dos bispos, religiosos e institutos seculares. Em entrevista recente à Renascença, conduzida pela jornalista Ângela Roque, Rui Lourenço Teixeira sublinha as prioridades desta nova equipa da CNAL. “Acabámos de marcar os primeiros grandes eixos daquilo que queremos fazer neste mandato, que são apenas três anos, e fizemo-lo em consonância com os senhores bispos da Comissão Episcopal do Laicado e Família, com quem estivemos. Definimos três grandes linhas de atuação que, se formos ver, estão muito ligadas com a que é a missão da CNAL: por um lado, a unidade, a comunhão entre os membros, e outros que poderão vir a ser membros - e aqui os membros são associações de fiéis, movimentos laicais, comunidades novas, há uma realidade um bocadinho heterogênea. Queremos trabalhar no sentido da unidade e comunhão entre eles; (em segundo lugar) a formação, que é um pouco mais difícil, dada esta heterogeneidade, mas é algo que queremos trabalhar mais, neste sentido, mais ad intra, entre nós; e (em terceiro lugar) a missão, no sentido mais ad extra, reafirmar qual ou pode ser a missão dos leigos na nossa Igreja”, assinala. Para Rui Lourenço Teixeira é fundamental sublinhar a importância da missão dos leigos na vida da Igreja. E para isso deseja apostar na comunicação. “Sublinhar a importância da missão dos leigos, e se formos ver membro a membro, percebemos rapidamente a missão de vários destes movimentos e associações de leigos. Há que distinguir os leigos enquanto associações - podemos falar, por exemplo, do escutismo, ou do movimento Comunhão e Libertação, entre outros -, e os leigos no sentido mais individual e mais impregnado na sociedade. E é a isto que queremos dar visibilidade. Como? Primeiro, potenciando internamente a CNAL, que é uma estrutura pequena, mas potenciando e alimentando a participação dos membros na vida da CNAL. E o primeiro braço, como falava, era conhecermo-nos uns aos outros, potenciarmos algumas missões em comum, trocarmos também alguma formação, alguma dela até bastante técnica e prática, no sentido do que são as nossas missões. Estou a pensar, por exemplo, naqueles que trabalham mais nos setores sociais, nos setores dos jovens, etc. Esse será um primeiro passo para darmos visibilidade ao que fazemos. E reforçarmos a comunicação, eu diria em dois eixos, um mais para a sociedade civil e, por outro lado, no seio da Igreja, neste pulmão mais diverso das várias estruturas que existem, umas mais formais, outras menos, num pulmão mais hierárquico. Também é importante para nós reforçarmos esta visibilidade junto dos senhores bispos, porque quase todos conhecem a CNAL, mas nem todos, e isso tem consequências ao nível das suas dioceses, daquilo que podemos interagir. É algo que gostávamos de fazer, embora sejamos uma pequena comissão, é difícil chegar a todas as dioceses, mas queríamo-nos aproximar um bocadinho mais das dioceses, também nesse sentido”, afirma. O novo presidente da CNAL salienta a grande diversidade de organizações e movimentos representados neste organismo, que é autónomo da Conferência Episcopal Portuguesa, mas cujos estatutos são homologados pelos bispos através da Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida. Assinala a importância da caminhada sinodal da Igreja no atual contexto eclesial em Portugal. “Eu penso que o contexto eclesial caracteriza-se por vários desafios, caminhos e velocidades de caminho, também. Mas, acho que podemos dizer que se caracteriza muito pela caminhada sinodal que a Igreja Universal está a fazer, onde cada membro da Igreja deve refletir sobre a sua própria dignidade, seja um ministro ordenado, um leigo, uma mãe de família, um religioso, um consagrado, etc. Este é o momento em que, olhando para nós e reconhecendo a nossa dignidade e a beleza de cada uma das nossas vocações, estendemos as mãos para ser Igreja. Por vezes ficamos presos nas nossas próprias dificuldades - estou a pensar, por exemplo, nos senhores bispos, na quantidade de dores de cabeça que têm nas suas dioceses; ou nos movimentos, nas problemáticas que têm, também financeiras, mas não só. Acho que este é um momento bonito - e tenho aqui à minha frente o documento final da Última Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos - para tentarmos ser Igreja neste sentido, tentarmos compreender que a Igreja é uma estrutura que está sempre em caminho. Não é uma instituição em que cada um tem o departamento de X ou Y, como se fosse uma empresa. Não é uma empresa, é mais do que isso! E isso é, de certa forma, o que marca o ser Igreja hoje, e acho que a CNAL tem um papel aí, de ajudar os leigos a participar nessa Igreja”, disse o presidente da CNAL. Rui Lourenço Teixeira recorda o Documento Final do Sínodo publicado em outubro de 2024 que afirma a necessidade de serem dadas mais oportunidades de participação aos leigos na vida da Igreja. “Quando falávamos sobre esta questão do Sínodo, recordava aqui o documento final que, referindo-se aos fiéis leigos, especificamente, diz que "devem ser oferecidas mais oportunidades de participação, explorando outras formas de serviço e ministério" - ministério é serviço -, e "em resposta às exigências pastorais do nosso tempo, num espírito de colaboração e responsabilidade diferenciada". E depois refere, em particular, a participação mais ampla dos leigos nos processos de discernimento e de decisão - que é sempre um tema duro - e um acesso mais alargado dos leigos a cargos de responsabilidade nas dioceses e nas instituições eclesiais, etc. Isto exige também preparação, dedicação”. “Há ainda uma coisa muito importante, um outro aspeto, que se deve dizer acerca dos leigos na Igreja, não contradizendo aquilo que estávamos a falar da minha profissão e do desempenho destas funções: é sobre os leigos e a sua função como profissionais na Igreja. Estou a pensar na comunicação, na gestão, numa série de necessidades que, por exemplo, as dioceses têm e que muitas vezes até são melhor colmatadas por leigos, porque têm essa preparação, a vocação e a diferenciação para o fazer. E acho que, pouco a pouco ... Estou a pensar na Pastoral Juvenil, a nível nacional, temos um leigo que é responsável. Estou a pensar em órgãos de comunicação de várias dioceses em que também assim é, e acho que é por aí...” “E, portanto, há muito espaço para contarmos com a ajuda de muitas pessoas. Uma das coisas que estamos a querer fazer, e que definimos na última reunião da Comissão Permanente, é a preparação e implementação de um conjunto de comissões em matérias diferentes, da sustentabilidade financeira, à formação e à comunicação. Comissões ou grupos de trabalho, como lhe queiramos chamar. E não é, de todo, necessário, nem desejável, que seja o coordenador deste ou daquele movimento, mas que sejam leigos que acreditam nesta missão e que queiram participar. Na minha experiência de outras coisas que já tenho vindo a fazer, às vezes não serve só alguém pedir-nos uma responsabilidade, é preciso que nos empenhemos nas coisas. Podem pedir-me para presidir ou colaborar em algo, mas eu não vou fazer nada se não tiver a companhia ou o entusiasmo de outros. Estas coisas não se fazem sozinhas. Mesmo que eu fosse reformado e tivesse todo o tempo do mundo, não acredito que fosse possível presidir e levar a CNAL sozinho para a frente. Estas coisas fazem-se em conjunto”, afirma o responsável. Rui Lourenço Teixeira é o novo presidente da Confederação Nacional do Apostolado dos Leigos em Portugal. Laudetur Iesus Christus