Prosseguem investigações sobre o homicídio de dom Osório Citora - Vatican News via Acervo Católico

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Prosseguem investigações sobre o homicídio de dom Osório Citora - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Segundo informações divulgadas em uma coletiva de imprensa pelos responsáveis pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, o bispo teria sido atingido por vários tiros disparados na região do peito e do coração, que não lhe deixaram nenhuma chance de sobrevivência. Ainda são desconhecidas as causas desse terrível crime, sobre as quais os investigadores estão começando a aprofundar.

As investigações continuam para determinar o motivo e os responsáveis ​​pelo brutal assassinato do bispo Osório Afonso Citora, IMC, de Quelimane, morto na tiros no sábado, 6 de junho. Segundo o porta-voz da Polícia de Investigação e Forense de Moçambique (SERNIC) em Zambézia, Maximino Amílcar, um número desconhecido de indivíduos invadiu a residência do prelado nas primeiras horas da manhã e disparou os tiros fatais. Ao tomar conhecimento da notícia durante o voo para a Espanha, onde se realiza a visita apostólica de 6 a 12 de junho de 2026, o Papa Leão XIV expressou a sua profunda tristeza pelo assassinato do bispo Osório. O Pontífice "une-se em oração ao povo das dioceses e de Moçambique nesta hora de angústia, para que o Senhor lhes dê consolo, proteja cada homem e mulher no seu amor e detenha a mão dos violentos", lê-se numa mensagem publicada no canal do Telegram da Sala de Imprensa da Santa Sé. A morte do bispo provocou reações de consternação na Igreja e na sociedade moçambicana, incluindo a do arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre. O Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar (SECAM) expressou pesar e indignação. Em comunicado divulgado neste fim de semana, os bispos africanos classificaram o ato como um "crime bárbaro" e um ataque à vida, à dignidade humana, à paz, à justiça e à liberdade religiosa. A organização condena veementemente o assassinato e reitera que nenhum líder religioso deve ser alvo de violência por dedicar sua vida ao serviço de Deus, à reconciliação e ao bem comum. No documento, o SECAM apela ao Governo de Moçambique e às autoridades competentes para que realizem uma investigação imediata, transparente e independente, a fim de identificar e processar todos os responsáveis ​​pelo crime. Os bispos também solicitam o reforço das medidas de proteção aos líderes religiosos e aos locais de culto. Ao mesmo tempo, expressam solidariedade à Conferência Episcopal de Moçambique, ao clero e aos fiéis das dioceses de Quelimane e Beira, bem como à família do bispo Osório Afonso, rezando pelo descanso eterno do prelado e renovando o apelo por justiça, paz, respeito pela vida humana e liberdade religiosa em Moçambique e em todo o continente africano. Fontes locais contactadas pela Agência Fides sublinham a crueldade de um crime perpetrado sem qualquer motivação plausível. Num vídeo divulgado pelos Missionários da Consolata, gravado durante a última visita pastoral realizada pelo seu irmão bispo a 5 de junho, numa das comunidades, dom Osório aparece tirando as sandálias para se sentar e dialogar com os muçulmanos e centra-se na mais recente Nota Pastoral da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), publicada a 13 de maio de 2026, na qual os bispos fizeram um apelo pelo fim da violência em Cabo Delgado, alertando para o extremismo e a violência que assolam a região, particularmente contra as comunidades cristãs. Em seu apelo final, o bispo Osório dirigiu-se explicitamente aos presentes: “Pergunto-vos: nunca podemos aceitar que a religião nos divida, mas sim que nos una. Não é verdade? Então, rezem, e nós também rezamos. Este é o significado da minha visita. Eu disse isto: os meus irmãos lá vivem com muçulmanos. Não existe um mercado só para muçulmanos; o mercado é para católicos, cristãos e muçulmanos. Não é verdade? O hospital é para todos juntos. Então, eu disse: vou lá para falar com eles, para os saudar e para lhes dizer que quero que rezem por mim e que eu também rezo por eles. E todos rezaremos pela paz em Moçambique, rezaremos pelo bem-estar em Moçambique, rezaremos pela justiça em Moçambique. Ao tirar as minhas sandálias, lembrei-me, portanto, de que o nosso Deus nos pede humildade, pede-nos que reconheçamos que somos todos irmãos.” *Agência Fides

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