Violência em Papua: 100 mil deslocados internos e fiéis atacados em igreja - Vatican News via Acervo Católico

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Violência em Papua: 100 mil deslocados internos e fiéis atacados em igreja - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Papua é há décadas palco de um conflito armado étnico e separatista nas províncias de Nova Guiné Ocidental, na Indonésia. A área é rica em recursos, alimentando o conflito. Após a retirada da administração holandesa da Nova Guiné Neerlandesa em 1962 e a implementação da administração indonésia em 1963, o Movimento Papua Livre passou a conduzir uma guerra de guerrilha de baixa intensidade contra a Indonésia alvejando suas forças armadas e policiais.

Vatican News com Agência Fides Em 17 de maio, após a Missa de domingo, um artefato explodiu no pátio da Igreja de São Paulo, no povoado de Mbamogo, na regência de Intan Jaya, Província de Papua Central. A explosão feriu quatro civis (todos indígenas papuanos católicos). Muitos fiéis estavam no pátio da igreja no momento da explosão. Os fiéis da comunidade católica local, na diocese de Timika, estão profundamente chocados. Segundo diversas testemunhas locais, o dispositivo foi lançado por um drone. O incidente fez com que centenas de civis fugissem para a mata e aumentou a tensão na região. "O recente bombardeio com drone contra uma igreja católica em Intan Jaya causou vítimas civis e profundo trauma na comunidade local. Como frades menores da Comissão Justiça e Paz, expressamos profunda preocupação com a crescente violência contra locais de culto e moradores desarmados. Reiteramos que a proteção da vida humana, a dignidade das comunidades indígenas e a sacralidade dos espaços religiosos devem ser salvaguardadas sem exceção; e pedimos uma investigação independente, bem como a garantias imediatas de segurança e acesso humanitário para todas as famílias afetadas", declarou à Agência Fides o frei Alexandro Rangga OFM, diretor da Comissão "Justiça e Paz" dos Frades Menores da Papua indonésia. A polícia da Papua Central abriu uma investigação para determinar as circunstâncias e os responsáveis. As Forças Armadas da Indonésia (TNI) negaram qualquer envolvimento, alegando uma possível "provocação" para criar caos e aumentar a tensão entre os militares e a população. O pároco, padre Yanuarius Yance Yogi, coordenou a evacuação dos feridos e expressou preocupação com a segurança dos fiéis. Tino Mote, presidente da Juventude Católica da Papua Central, pediu uma investigação transparente e solicitou ao presidente indonésio, Prabowo Subianto, que intervenha "com políticas de paz sérias". Décadas de conflito   A região já é marcada por décadas de conflito entre as forças de segurança indonésias e grupos separatistas papuanos. O chefe da Comissão Justiça e Paz, padre Alexandro Rangga observa com preocupação a violência generalizada: "Tiroteios, operações de segurança visando civis, mortes de crianças, mulheres, estudantes e indígenas, e recentes explosões de bombas perto de locais de culto não apenas levaram a uma onda de refugiados, mas também causaram feridas e dores profundas. Essa situação demonstra que Papua permanece presa em um ciclo de sofrimento que ainda não encontrou um caminho para a verdadeira paz." O frade acrescenta que o "conflito em curso privou o povo papuásio de seu senso de segurança, de seu futuro e de seu direito à vida. As crianças e mulheres papuas são o rosto da humanidade; são uma imagem ferida do próprio Deus, que deveria viver e crescer em um ambiente pacífico, receber uma educação adequada e viver sem a sombra da violência e o som das armas." Os franciscanos rejeitam a militarização em espaços civis: "A presença excessiva de forças armadas em áreas civis - observam - criou até agora trauma, medo, deslocamento e novas vulnerabilidades para as comunidades. Apelamos a uma investigação independente de todos os incidentes que resultem em vítimas civis, com pleno respeito pelos princípios da justiça e garantindo a responsabilização moral e material dos responsáveis. Como afirma a Encíclica 'Pacem in Terris', a verdadeira paz se funda apenas na verdade, na justiça, no amor e na liberdade. Sem justiça, a paz torna-se meramente um silêncio imposto." Ao concluir, o convite do franciscano: "Convidamos todo o povo de Deus a intensificar suas orações pela paz em Papua; a criar um espaço de solidariedade para as vítimas; e a se tornarem pacificadores dentro da comunidade. Acreditamos que Papua não é uma terra amaldiçoada, mas uma terra de vida. Papua não deve ser um lugar de guerra sem fim. Papua é a nossa casa comum." Atualmente, está em curso um conflito de intensidade baixa a média em Papua-Indonésia (também conhecida como Itia Jaya), concentrado principalmente nas terras altas centrais da região. As operações militares indonésias aumentaram nos últimos anos, causando deslocamentos populacionais massivos: mais de 105.000 pessoas deslocadas internamente foram registradas somente desde o início de 2026, em sua maioria papuas indígenas que fogem para as florestas. As populações locais acusam o exército de matar civis, incendiar aldeias, atacar igrejas e escolas e cometer graves violações dos direitos humanos, enquanto os militares negam isso, alegando que estão lutando apenas contra separatistas armados. Embora o grupo político Organisasi Papua Merdeka (OPM) esteja ativamente presente, membros separatistas armados realizam ataques ou emboscadas contra as forças de segurança, infraestrutura e, às vezes, contra mineiros, que consideram "invasores". As principais reivindicações da população papua são a independência, ou pelo menos maior autonomia, dentro da estrutura de reconhecimento de sua identidade melanésia como distinta da indonésia. A Indonésia, por sua vez, considera Papua parte indivisível de seu território nacional e vê o movimento como uma ameaça separatista e terrorista. Interesses econômicos entre as causas do conflito   Um fator crucial, em uma região rica em matérias-primas, é o controle sobre os recursos naturais (cobre, ouro, madeira, gás, etc.), explorados por grandes multinacionais com concessões outorgadas pelo governo central indonésio e sem benefícios de desenvolvimento para as populações locais. Outro fator de conflito é a política de transferências demográficas, promovida há décadas pelo governo central (transmigração, ou migração de pessoas de Java e outras ilhas indonésias), que tornou os papuas nativos uma minoria e aumentou as tensões sobre a terra e os recursos. Nessa situação complexa, há alegações de tortura, violações dos direitos humanos, desaparecimentos e impunidade das forças de segurança. A Igreja Católica e as Igrejas Protestantes em Papua desempenham um papel importante na defesa da dignidade humana e dos direitos humanos e na promoção do diálogo e da paz. A parte ocidental da grande ilha da Nova Guiné, Papua, foi uma colônia holandesa até 1962, antes de ser integrada à Indonésia em 1969 por meio de um referendo no qual apenas cerca de 1.000 representantes eleitos votaram a favor da integração, sem voto popular. Desde então, grupos independentistas continuam a realizar uma campanha política e a pressionar pelas demandas das populações locais.  

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