Visita do Papa Leão XIV: Dom Camuto apela a proveito espiritual e não político - Vatican News via Acervo Católico

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Visita do Papa Leão XIV: Dom Camuto apela a proveito espiritual e não político - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

A propósito da visita apostólica do Papa Leão XIV a Angola, prevista para decorrer de 18 a 21 de abril deste ano, o Bispo da Diocese de Caxito, Dom Maurício Camuto, apelou aos governantes angolanos para que não se limitem a tirar vantagens políticas da presença do Santo Padre no país, mas que procurem, sobretudo, colher ensinamentos que os aproximem de Deus e os ajudem a encontrar respostas para os principais problemas sociais que afectam os cidadãos.

Anastácio Sasembele – Luanda, Angola Segundo o prelado, a visita do Papa representa uma oportunidade única de renovação espiritual, moral e social para o país, razão pela qual deve ser aproveitada por todos os angolanos, especialmente pelos responsáveis políticos e líderes da sociedade. Dom Maurício Camuto recorda que esta será a terceira visita de um Papa a Angola, sublinhando a importância de os fiéis e dirigentes aproveitarem este momento para fortalecer a fé e reflectirem sobre os caminhos do país. “Vem aí o Papa Leão XIV visitar a nossa terra. É o terceiro Papa a pisar o solo angolano. Procuremos saciar a nossa sede de Deus, a sede da Palavra de Deus. Não pensemos somente em proveito político com a sua presença, mas procuremos sobretudo o proveito espiritual, moral e social dos seus ensinamentos”, afirmou. O Bispo de Caxito incentivou ainda os fiéis a escutarem com atenção as palavras do Santo Padre e a deixarem-se transformar pela mensagem que será transmitida durante a visita. “Procuremos instruir-nos com as suas palavras, com os seus ensinamentos e até com a sua simples presença”, acrescentou. Durante a sua reflexão, o prelado lamentou que muitos dos conflitos e desavenças políticas registados ao longo da história recente de Angola resultem do facto de não terem sido seguidos os conselhos deixados por anteriores pontífices que visitaram o país, nomeadamente Papa João Paulo II e Papa Bento XVI. “Não seguimos os belos conselhos e ensinamentos que os papas João Paulo II e Bento XVI nos deixaram. Depois de falarem connosco sobre reconciliação entre as famílias, reconciliação entre os povos e a necessidade de construirmos um futuro em paz, acabámos por cair novamente na guerra”, recordou. Dom Maurício Camuto destacou ainda o gesto simbólico de João Paulo II quando visitou Angola, recordando que o pontífice chegou mesmo a ajoelhar-se no aeroporto para beijar o solo angolano, como sinal de respeito e esperança de paz para o país. “Falou-nos de paz, de reconciliação, mas infelizmente falhámos”, lamentou. O Bispo referiu também que muitos conflitos que persistem em África resultam da falta de acolhimento das exortações e apelos à paz feitos pelos líderes religiosos e pela Igreja. “A África continua mergulhada em guerras e outros males por causa da postura de muitos governantes que persistem em não acolher as exortações que procuram promover a paz verdadeira entre os homens”, disse. Como exemplo, Dom Maurício Camuto citou a situação do Sudão, lembrando um encontro em que líderes daquele país estiveram no Vaticano com o Papa Francisco, que chegou a ajoelhar-se e beijar-lhes os pés como gesto de humildade e de apelo à reconciliação. “Falou-lhes da necessidade de criar uma cultura de paz, de reconciliação e de convivência entre irmãos. No entanto, regressaram às suas terras e até hoje não há paz no Sudão”, lamentou. O prelado reconheceu que situação semelhante ocorreu em Angola após a visita de João Paulo II, quando os apelos à paz não foram devidamente acolhidos. “Entrou por um ouvido e saiu pelo outro, infelizmente”, afirmou. Por fim, Dom Maurício Camuto apelou aos fiéis e às autoridades para que a visita do Papa Leão XIV seja um verdadeiro momento de mudança para o país. “Procuremos instruir-nos e aproveitar a presença do Papa para mudarmos. Escutemos os seus ensinamentos e transformemos as nossas atitudes. Mudemos, caríssimos irmãos”, concluiu.

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