Nesta quinta-feira, 11 de junho, o Papa chega a Las Palmas de Gran Canaria, um ponto de desembarque para milhares de migrantes que percorrem uma das rotas mais mortais do mundo. A mídia do Vaticano ouviu relatos da Cáritas local, que trabalha em conjunto com voluntários para "apoiar os mais vulneráveis" e oferecer uma nova vida àqueles que conseguem chegar à costa.
Kielce Gussie – Correspondente em Las Palmas de Gran Canaria A realidade das Ilhas Canárias, "pequenas e distantes da Europa continental", dificilmente é "vista e compreendida". Mas o drama de uma das rotas migratórias mais mortais do mundo é real, e é precisamente ali que a Igreja, chamada a alcançar as periferias do mundo, se faz presente "onde o Estado está ausente". A afirmação é de Caya Suárez Ortega, secretária-geral da Cáritas Diocesana das Ilhas Canárias, que explicou à Rádio Vaticano-Vatican News que a missão da organização é "estar ao lado dos mais vulneráveis", oferecendo apoio aos migrantes que se encontram de uma hora para outra em um novo país, com línguas e tradições diferentes das suas. A partir desta quinta-feira, 11 de junho, a presença da comunidade eclesial nas Ilhas Canárias ganhará um impulso ainda maior com a visita do Papa Leão XIV, que passará um dia em Las Palmas de Gran Canaria e outro em Tenerife, as últimas etapas de sua Viagem Apostólica à Espanha. Os vulneráveis frequentemente excluídos do sistema Ao longo do último ano, o Ministério do Interior espanhol registrou uma queda acentuada na chegada de migrantes nos primeiros três meses de 2026, em comparação com 2025. Esse resultado foi atribuído a diversos acordos assinados nos últimos anos entre a Espanha e alguns países da África Ocidental para limitar o número de migrantes que chegam às Ilhas Canárias. No entanto, isso apenas alterou as rotas migratórias, levando muitos a desembarcar nas Ilhas Baleares e no enclave de Ceuta. Essa mudança não eliminou a necessidade de apoio e assistência para aqueles que já empreenderam a perigosa jornada até as ilhas. E é aí que a Cáritas entra em ação. Ao apresentar seu Relatório Institucional de 2025, a organização enfatizou a necessidade urgente de melhorar a situação nas Ilhas Canárias, destacando como os indicadores econômicos nacionais (PIB, inflação, emprego e renda) não estão alcançando os mais necessitados. Pelo contrário, alertou que os mais vulneráveis "estão excluídos de um sistema que não atende às suas necessidades". Práticas abusivas se tornam normais Vindos principalmente da América Latina e da África, muitos migrantes vivem em condições extremamente difíceis. Suárez destaca que 25,5% da população de Las Palmas vive em situação de "exclusão social e pobreza", o que afeta particularmente a população migrante. Ao chegarem às Ilhas Canárias, milhares de pessoas se encontram sem-teto e sem as permissões necessárias para trabalhar: dois elementos essenciais para construir uma nova vida. A Cáritas ajuda os migrantes a encontrar moradia e a obter os documentos necessários para trabalhar. Durante a apresentação do relatório de 2025, Suárez denunciou as "práticas abusivas de habitação" que estão "se normalizando e levando muitas famílias migrantes à exclusão habitacional". A contribuição da Cáritas Na Cáritas, os migrantes recebem assistência jurídica, social e educacional para promover sua integração na sociedade local e melhorar suas condições de vida. "Cuidamos de necessidades essenciais, como alimentação, mas também do aluguel, para que não fiquem sem-teto", explicou Suárez. Para os muitos jovens que chegam sem uma rede de apoio, o risco de acabar nas ruas é alto. Para evitar isso, a Cáritas os apoia por meio do projeto "Corredores de Acolhida", que lhes oferece uma verdadeira "oportunidade de vida". Somente em 2025, mais de 22.000 pessoas receberam assistência da organização. Aproximadamente 56% eram migrantes, e metade deles encontrava-se em situação migratória irregular. Segundo o relatório, a organização ajudou 2% mais pessoas do que no ano anterior. Uma das rotas migratórias mais mortais do mundo O apelo à proteção da dignidade humana e ao apoio aos necessitados vai muito além da visita do Papa Leão. No entanto, esta primeira viagem papal à Espanha em 15 anos representa um forte lembrete da responsabilidade coletiva de cuidar dos migrantes. Suárez destaca que tanto Leão XIV quanto Francisco chamaram a atenção para lugares como as Ilhas Canárias. As mensagens dos Pontífices sobre a migração e o respeito pela vida humana encorajam o mundo a dirigir o seu olhar para aqueles que procuram uma vida melhor. Para migrantes, com migrantes A visita do Papa Leão será particularmente significativa para aqueles que sobreviveram à travessia e começaram a construir uma nova vida nas ilhas. Por isso, explica Suárez, a organização do encontro do Papa no porto de Arguineguín, em Las Palmas de Gran Canaria, teve que envolver diretamente os protagonistas destas histórias. A Caritas colaborou com os próprios migrantes na preparação da visita do Papa. “Isso ficou claro desde o início”, frisou. Consequentemente, a preparação do evento ocorreu por meio do diálogo constante com os migrantes e com aqueles que os acompanham na sua viagem. “A partir daí, em cada um dos espaços e momentos do evento, serão os protagonistas que darão vida à iniciativa”, declarou Suárez. O encontro no porto de Las Palmas de Gran Canaria será, portanto, um evento para os migrantes e realizado por migrantes, que terão a oportunidade de partilhar as suas histórias com o bispo de Roma e com o mundo inteiro.