Irmã Espérance: “o povo congolês está cansado de violência”

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Irmã Espérance: “o povo congolês está cansado de violência”
Fonte: VATICANO

Irmã Espérance: “o povo congolês está cansado de violência”

Por causa da violência, a República Democrática do Congo (RDC) está entre os países com o maior número de pessoas deslocadas internamente: quase 7 milhões de pessoas tiveram que deixar suas casas desde março de 2022.

Antonella Palermo - Vatican News

Os desastres ambientais e a violência têm afetado a República Democrática do Congo. Nos últimos dias, os danos causados pela inundação do rio Congo atingiram mais de 330.000 pessoas, causando, segundo as autoridades, 300 mortes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 34 estruturas de saúde, 120 escolas e mais de 64.000 casas foram danificadas. Enquanto isso, as tensões continuam muito altas no país após a eleição de Felix Tshisekedi em dezembro de passado. Eleito com 73,34% dos votos, Felix Tshisekedi conquistou um segundo e último mandato.

Irregularidades nas eleições também foram observadas pelas igrejas

Risco de cólera e acesso muito difícil a serviços de saúde: essa é a situação no maior país da África Subsaariana, que enfrenta o aumento dos níveis de rios nunca vistos antes. As enchentes têm causado um caos ainda maior em uma região já atingida por conflitos antigos e estratificados. No âmbito da política, surgiram no processo eleitoral as dúvidas e irregularidades na contagem dos votos, observada, tanto pela oposição e por observadores independentes, quanto por observadores eleitorais das Igrejas Católica e Protestante. A preocupação com a situação também foi expressa pelo representante do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk. Ele afirmou que há um aumento da incitação à violência com motivação étnica no país, particularmente nas províncias de Kivu do Norte e do Sul, bem como, nas regiões de Kasai e Katanga. A retórica de ódio, desumanização e incitação é abominável”, disse.

Mais de seis milhões de mortos em ataques armados em 30 anos

Em 9 de janeiro, as autoridades da República Democrática do Congo prenderam seis soldados acusados do assassinato indiscriminado de quatro civis durante confrontos entre milícias no leste do país. Os confrontos ocorreram no distrito rural de Mangina, próximo a Beni. Nesse local, desde o mês passado, quando um membro da assembleia provincial incentivou os jovens a pegar em armas, formando uma pequena milícia para se opor ao exército, o clima ficou inflamado. O leste do Congo é o lar de dezenas de grupos milicianos, alguns deles veteranos da guerra civil de 1998-2003.

Nos últimos trinta anos, mais de seis milhões de pessoas foram mortas em ataques de grupos armados e na violência local. Entre os grupos armados mais ativos estão o M23, um grupo rebelde formado principalmente por Tutsis, as Forças Democráticas Aliadas, um grupo islâmico e as milícias armadas que formam a CODECO (Cooperativas para o Desenvolvimento do Congo), uma antiga cooperativa agrícola que se tornou um movimento rebelde armado contra o governo. Também por causa da violência, a República Democrática do Congo está entre os países com o maior número de pessoas deslocadas internamente (IDPs): quase 7 milhões de pessoas tiveram que deixar suas casas desde março de 2022.

O sacrifício de um povo que quer a paz

Embora não acompanhe de perto as questões políticas em seu país, irmã Espérance Bamiriyo, missionária comboniana, está preocupada. Responsável pela Casa Mãe de sua Congregação em Verona, ela recorda o tempo em que viveu no Congo. “Um período bonito, embora não fácil pois não havia liberdade de expressão durante o regime de Kabila”.

Espérance conta que frente às emergências da guerra, o povo fica carente das necessidades básicas, como emprego, saúde, educação. “A população é uma vítima. O governo não é livre por causa de tanta interferência. Grupos regionais entram no país para enfraquecer o povo. Mas as pessoas continuam resilientes, encontram força na oração e no orgulho pelo seu país, que esperam que um dia o Senhor nos traga paz”.

Atrocidades testemunhadas ao Papa Francisco que ainda fazem estremecer

Diante das situações de violência e de violação dos direitos humanos, irmã Espérance questiona o papel da ONU, que até final de 2024 finalizará a missão de paz na República Democrática do Congo. “E a ONU? Ela deveria observar. Mas o que ela observa?”, pergunta.

Irmã Espérance conta sobre as experiências de medo diante de ataques de gangues armadas. “Vi carros em chamas onde pessoas tinham acabado de ser mortas. Pessoas inocentes forçadas a fugir. Os grupos armados eliminam pessoas, as expulsam de seus vilarejos. Queimam cabanas, usam facões para atacar”. Essas atrocidades que foram documentadas nos testemunhos dados ao Papa quando ele fez sua viagem apostólica ao país, ainda fazem estremecer a religiosa.

Papa Francisco: “Tire as mãos da África!”

“A África não é algo a ser explorado, as pessoas não são números”, enfatiza a missionária, nascida em um país que é o maior produtor mundial de cobalto e de outras matérias-primas industriais preciosas e, por essa razão, vítima do tráfico que destrói o território. “Temos uma comunidade em Kivu do Norte na parte oriental do Congo, onde há uma guerra econômica e não econômica como insistem em dizer. Uma guerra econômica para a qual o mundo faz vista grossa por causa dos minerais e da floresta”.

Para irmã Espérance, o discurso do Papa Francisco para as autoridades no Sudão do Sul em particular, foi muito importante e continua a ecoar: “tirem as mãos da África!”.

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